Um dos maiores nomes do modernismo brasileiro, Tarsila do Amaral completaria 140 anos nesta terça-feira (1º). A pintora morreu aos 86 anos, em 1973.
Tarsila entrou para a história ao fundir a estética das vanguardas europeias com a identidade nacional. Ficou conhecida por suas cores vibrantes e formas inconfundíveis, eternizadas em telas como “Abaporu“, “Operários”, “A Negra” e “A Caipirinha”.
Mais de 2 mil obras da modernista foram identificadas e estão registradas no seu catalogue raisonné. São cerca de 350 pinturas, 1.650 desenhos e 500 ilustrações.
Nascida no interior paulista, a artista cresceu em Capivari ouvindo a mãe tocar piano e o pai recitar poemas em francês. Na década de 1920, uniu-se a Anita Malfatti, Oswald de Andrade, Mario de Andrade e Menoti Del Picchia para formar o “Grupo dos Cinco”, coletivo que se consolidou após a Semana de Arte Moderna e impulsionou o movimento no país.

Neste aniversário de 140 anos de Tarsila do Amaral, confira 5 curiosidades sobre a vida, a carreira e o legado da artista
1. Recorde no mercado de arte brasileiro
O quadro “A Caipirinha”, pintado em 1923, detém o recorde de maior valor já pago por uma obra em venda pública no Brasil. Em dezembro de 2020, a tela foi leiloada pela Bolsa de Arte de São Paulo e arrematada por R$ 57,5 milhões. A peça foi adquirida por um colecionador brasileiro, o que garantiu sua permanência no país.
2. A origem do “Abaporu”
Símbolo da arte nacional, “Abaporu” foi criado inicialmente como um presente de aniversário para o escritor Oswald de Andrade, então marido da pintora. O nome foi escolhido pelo casal a partir de termos em tupi-guarani que significam “homem que come”. A imagem serviu de inspiração para que Oswald redigisse o Manifesto Antropofágico, documento que propunha a “deglutição” da cultura europeia e sua reformulação com a identidade nacional.

3. Segundo maior público da história do MASP
Em 2019, uma retrospectiva dedicada a Tarsila do Amaral alcançou o posto de exposição de maior sucesso de público do Museu de Arte de São Paulo até então, atraindo 402.850 visitantes. O recorde só foi superado recentemente, em 2025, pela mostra A Ecologia de Monet, que ultrapassou a marca de 500 mil pessoas.
4. Mudanças no final da vida
Na fase final da vida, Tarsila enfrentou graves problemas de saúde e perdas pessoais, incluindo a morte de sua única filha. Após um erro médico durante uma cirurgia na coluna, ficou paraplégica. Nesse período, aproximou-se do espiritismo e passou a vender seus quadros para doar os recursos arrecadados a obras de caridade.
5. Legado gerido pela sobrinha-bisneta
Atualmente, a responsável pela administração da marca e do patrimônio cultural da pintora é Paola Montenegro, sua sobrinha-bisneta. Paola assumiu em 2023 a liderança da TALE (Tarsila do Amaral Licenciamento e Empreendimentos S.A.), empresa criada em 2005 para gerir os direitos autorais. A sobrinha-bisneta também assina como uma das curadoras da nova exposição “O Brasil de Tarsila”, em cartaz desde agosto no Nubank Art Lab, no Conjunto Nacional, em São Paulo.
