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Forbes Life

Preview: Luana Vitra na Nova Residência da Pinacoteca com a Chanel

Através de seu Culture Fund, maison francesa apoia obra inédita que ocupa o Octógono a partir de setembro; leia mais na próxima ForbesLife Fashion

5 min

Ao contrário do que diz o provérbio popular, o que vem de baixo nos atinge. É assim, e em especial na produção da artista Luana Vitra, que retira da profundidade simbólica dos minerais os elementos conceituais e físicos para sua obra. Os minerais constituem a unidade primordial da matéria sólida da Terra ou, na definição da própria artista, “são o nosso ancestral mais antigo” – título perfeitamente adequado para um elemento cujos registros remotos na crosta terrestre datam de mais de 4 bilhões de anos.

Selecionada para a segunda edição do programa de residência artística da Pinacoteca de São Paulo, criado e mantido com o apoio da Chanel, a artista apresenta, a partir de 5 de setembro, a obra Bandeira Branca no Octógono do edifício Pina Luz. É preciso dizer: trata-se de um dos espaços expositivos de maior importância do país, por onde já passaram obras de Sonia Gomes, Adriana Varejão e Denilson Baniwa; um feito capaz de adicionar pontuação de exclamação até mesmo dentro de uma frase encadeada pela sequência de eventos extraordinários – Luana integrou a 35ª Bienal de São Paulo, foi a vencedora do Prêmio PIPA e teve exposições individuais em instituições de prestígio, como o Instituto Inhotim e o Sculpture Center, em Nova York.

Na Pinacoteca, seu projeto toma como ponto de partida as terras raras, o grupo de 17 elementos químicos vitais para o setor de desenvolvimento tecnológico e, portanto, também para a disputa geopolítica global. Faz muito sentido, tanto olhando para frente como para trás: hoje com 31 anos, Luana nasceu e passou as duas primeiras décadas da vida em Contagem, região de Minas Gerais marcada historicamente pela mineração e pelo extrativismo – “o que não é uma informação secundária”, como nos lembra a curadora Pollyana Quintella.

A obra “Bandeira Branca” ocupa o emblemático Octógono do edifício Pina Luz a partir do dia 05 de setembro

Sua observação faz um aceno à produção artística que antecedeu a nova obra; um trabalho que percorreu metais, minério de ferro e cobre para criar diálogos críticos com o histórico de exploração dos elementos naturais e as tradições de onde cresceu. O assunto segue no mapa da mina até hoje: se o Brasil possui a segunda maior reserva mundial de terras raras, o solo mineiro abriga uma das maiores frações desses minerais atualmente.

“Lembro de caminhar pelas regiões que são mineradas, por onde podia observar também as áreas preservadas. Então, ao mesmo tempo, tinha a imagem do que foi e a imagem do que estava sendo. Desde muito cedo, esses contrastes começaram a chamar minha atenção. Acho que habitar essa contradição, de estar na natureza e, após alguns passos, ver a ação da indústria, criou um percurso no qual era impossível que eu não fosse afetada”, conta Luana, em sua primeira entrevista sobre o projeto. “Quando comecei a estudar escultura e instalação, percebi que as matérias que faziam sentido para mim eram as minerais. O momento em que eu senti que era uma artista foi quando eu encontrei a matéria”.

“É, de fato, um trabalho muito interessado na propriedade dos materiais”, pontua Pollyana, “mas a história que eles nos contam não é só física. É simbólica”. E, eu adicionaria, bastante atual: a centralidade histórica da matéria nas disputas por poder e as guerras que perpetuam sistemas de dominação são ideias presentes na elaboração artística de Luana para Bandeira Branca.

Levi Fanan/PinacotecaLuana Vitra é a segunda artista a integrar o programa Pina-Chanel, que teve sua première em 2025 com “Temporã”, de Juliana dos Santos

Visualize, entre os 12 metros de altura do Octógono, um enorme arco suspenso, que engatilha uma flecha com lanças apontadas para ambos os lados. Na extremidade inferior, a lança parece se aproximar de uma bandeira branca, mas jamais a toca. “A obra permanece em uma espécie de trégua provisória, que é como o período em que vivemos”, observa a curadora. “A pólvora do passado está presente no futuro através da ideia das terras raras. Em alguma medida, é isso que vai gerar os novos desenhos de mundo que a gente ainda está por conhecer”, diz Luana, ao que Pollyana completa, em síntese: “quem controla a matéria, controla o tempo por vir”.

Às vésperas de revelar Bandeira Branca ao público visitante da Pina, no momento exato em que conversamos, Luana retoma uma conexão particular com o local onde a obra está sendo instalada. “Sempre quis expor no Octógono. É um espaço que guarda a história da escultura – do país e do mundo. Quando recebi o convite, ele veio originalmente para a Pina Contemporânea. E aí eu falei: ‘me convidem para o Octógono’. Porque, para mim, esse lugar tem uma magia, mesmo”, finaliza.

Mais: os detalhes da segunda residência de artistas criada pela Pinacoteca de São Paulo em parceria com a Chanel estarão acompanhados de uma entrevista exclusiva com a artista Luana Vitra na edição 11 da revista ForbesLife Fashion. Em breve nas bancas.

Luana Vitra: Bandeira Branca
De 05 de setembro de 2026 a 31 de janeiro de 2027
Edifício Pina Luz, Pinacoteca do Estado de São Paulo
pinacoteca.org.br

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