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2 Razões Pelas Quais Você Está Sofrendo de Esgotamento no Relacionamento

Colocar sempre o outro em primeiro lugar pode esgotar emocionalmente, mesmo em relações saudáveis

6 min

Estar em um relacionamento naturalmente muda o foco de si mesmo para o compartilhamento da vida com outra pessoa. Você troca seu tempo individual por momentos pensando na outra pessoa, e, às vezes, até abre mão de oportunidades pessoais em nome do relacionamento.

Talvez você tenha recusado um emprego em outra cidade porque a carreira do seu parceiro te manteve onde está. Talvez tenha cancelado uma viagem solo para apoiá-lo em um momento difícil. Ou talvez tenha cuidado dos pais doentes dele ou assumido responsabilidades com os filhos enquanto ele estava ocupado com o trabalho.

Seu parceiro também pode ter feito sacrifícios, mas a questão não é contabilizar quem fez mais. Relacionamentos não devem ser transacionais. O ideal é que ambos estejam dispostos a se esforçar para manter a relação viva.

No entanto, um estudo recente publicado no Journal of Social and Personal Relationships mostra que sentir que está sacrificando demais está associado ao estresse relacional e ao esgotamento emocional.

Com base nas respostas de mais de 700 pessoas casadas, os pesquisadores avaliaram a frequência com que os participantes faziam sacrifícios no relacionamento e como isso afetava seu bem-estar e necessidades. Também analisaram se se sentiam esgotados ou emocionalmente exaustos na relação.

Sacrifícios relacionais envolvem abrir mão de seus interesses e desejos pessoais pelo parceiro, ir além do necessário e oferecer mais recursos, como tempo e energia mental. Mas quanto é demais? E quando isso começa a nos afetar?

O estudo destaca dois fatores que influenciam a forma como percebemos os sacrifícios em um relacionamento e se achamos que eles valem a pena. Esses fatores impactam diretamente a sensação de esgotamento:

1. Equidade relacional

Embora seja tentador agir de forma egoísta, relacionamentos saudáveis exigem consideração mútua. É preciso esforço para perceber que nem sempre precisamos “vencer” uma discussão ou dizer algo doloroso. Quando aprendemos a pensar além de nós mesmos, os relacionamentos evoluem para uma via de mão dupla.

Entramos em relacionamentos românticos com a expectativa de uma parceria. Esperamos receber amor, intimidade, tempo, generosidade, benefícios compatíveis com o que oferecemos.

Mas quando começamos a sentir que estamos dando muito e recebendo pouco, surge a dúvida: esse relacionamento é unilateral? É por isso que a equidade relacional é tão essencial.

Não se trata de fazer exatamente as mesmas coisas um pelo outro, mas de garantir que ambos sintam que o que dão e recebem é justo, de acordo com o que cada um pode oferecer.

Relacionamentos saudáveis prosperam com equilíbrio. Sem isso, surge a frustração. Quando você sente que está sendo dado como garantido, é comum se sentir emocionalmente desgastado, pessimista e exausto, o chamado “esgotamento de casal”.

O estudo mostrou que níveis baixos de equidade estão associados à percepção de que os sacrifícios causam mais danos, o que, por sua vez, aumenta o risco de esgotamento.

Esse desgaste pode surgir antes do esperado, especialmente quando há diferenças claras de preferências, interesses e prioridades entre o casal. Nesse caso, um parceiro pode acabar constantemente se adaptando ao outro, o que prejudica não só o bem-estar individual, mas também a base da relação.

É essencial que os dois se sintam valorizados por seus esforços, mesmo que esses esforços sejam diferentes.

2. Valorização dos esforços

Não importa o que você faça pelo seu parceiro, seja abandonar sua carreira para ser pai/mãe em tempo integral ou deixar bilhetes carinhosos na lancheira, você merece um “obrigado”.

Na pesquisa, os participantes foram questionados se se sentiam valorizados por seus parceiros, e se esses demonstravam admiração e gratidão.

Os pesquisadores descobriram que sentir-se valorizado muda a forma como enxergamos nossos sacrifícios. Eles passam a ser percebidos como menos “nocivos” e mais recompensadores para o crescimento do relacionamento.

Outro estudo, de 2022, publicado na Psychological Science, reforça essa conclusão: níveis de satisfação no relacionamento caem quando sentimos que fazemos mais tarefas domésticas do que o parceiro.

Com mais de 2.000 participantes nos EUA e no Canadá (incluindo 476 casais), o estudo revelou que a percepção de desigualdade nas tarefas domésticas gerava insatisfação. Porém, se a pessoa se sentia valorizada, a frustração diminuía, mesmo quando a divisão das tarefas não era igual.

“Sentir-se valorizado parece amenizar os efeitos negativos de fazer menos, o que sugere que a valorização pode compensar os custos de uma divisão desigual das responsabilidades”, explicam os autores.

Claro, a valorização não substitui a necessidade de equilíbrio. O ideal é que ambos contribuam ativamente.

Como evitar o esgotamento em relacionamentos:

Aceite que nem sempre será 50/50: Em alguns dias, pode ser 60/40 ou até 80/20. O importante é que exista esforço mútuo para manter o equilíbrio ao longo do tempo, com ambos dando o melhor de si quando podem.

Valorize até os pequenos gestos: Agradeça, sempre. E se você se sentir subvalorizado, reflita sobre padrões repetitivos na relação e pergunte-se: “Meu parceiro sabe que estou fazendo um sacrifício?”, talvez ele simplesmente não tenha percebido.

Reavalie a sensação de justiça: Relacionamentos não exigem contabilidade rigorosa, mas é útil se perguntar de tempos em tempos: “Essa relação parece justa? Ambos reconhecem os esforços um do outro?”

Fique atento aos sinais de esgotamento: Se você se sente constantemente exausto, ressentido ou distante emocionalmente, é hora de ter uma conversa séria sobre os papéis e expectativas dentro do relacionamento.

É natural esperar reciprocidade em uma relação, mas os sacrifícios devem ser feitos com intenção genuína. Ceder apenas para evitar conflitos ou parecer um “bom parceiro” não é sustentável.

Verdadeiros sacrifícios nascem do cuidado e da boa vontade, e devem ser recíprocos. Quando ambos estão dispostos a abrir mão de forma consciente, sem se anular, a relação tem chance real de florescer.

* Mark Travers é colaborador da Forbes USA. Ele é um psicólogo americano formado pela Cornell University e pela University of Colorado em Boulder.

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