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Forbes Saúde

2 Maneiras Comprovadas Pela Ciência de Construir um Amor Que Dura

Décadas de pesquisa mostram como fortalecer um amor sólido, mesmo nos momentos difíceis

5 min

Drs. John e Julie Gottman não recorrem a metáforas grandiosas nem a clichês românticos quando explicam o que realmente significa fazer um relacionamento dar certo. Eles falam sobre casas.

Como explicam no capítulo que escreveram para o livro Evidence-based Approaches to Relationship and Marriage Education, a teoria deles, chamada Sound Relationship House (“Casa do Relacionamento Sólido”), baseia-se em mais de 40 anos de pesquisa conduzida no Instituto Gottman.

A teoria apresenta os pilares emocionais e comportamentais que diferenciam relacionamentos estáveis e satisfatórios daqueles que desmoronam sob pressão, ou, em outras palavras, seus “andares”. Cada andar representa um processo psicológico que sustenta o próximo.

Com esse modelo, os Gottman oferecem instruções passo a passo para construir um relacionamento desde o alicerce. Pode ser uma estrutura figurativa, mas pesquisas recentes indicam que ela tem integridade estrutural real quando se trata de ajudar casais a superar períodos difíceis.

Aqui estão dois dos passos mais importantes para desenvolver um amor feito para durar, segundo as pesquisas dos Gottman:

1. Construa “Mapas do Amor”

Toda casa sólida começa com uma planta bem desenvolvida. Em um relacionamento, essa planta é o que os Gottman chamam de love map, o seu entendimento do mundo interior do parceiro.

Alguns casais podem achar que basta decorar “fatos divertidos” sobre o outro, o pedido de café, o lado da cama preferido, a cor favorita, e considerar o mapa completo.

Mas parceiros realmente comprometidos veem o love map como algo essencial, complexo e em constante evolução. Ele é a representação mental da amplitude e profundidade do universo emocional do parceiro,  seus medos, esperanças, sonhos e fontes de estresse.

Como os Gottman explicam em um estudo publicado no Journal of Family Theory & Review, o love map mede o quanto você conhece quem seu parceiro é por dentro, e não apenas a imagem que ele mostra ao mundo. Esse conhecimento é o que permite enfrentar juntos os estresses da vida com paciência e gentileza. Sem ele, você apenas reage às necessidades do outro, em vez de antecipá-las.

Por exemplo: se você sabe que encontros familiares geram ansiedade no seu parceiro, e entende o motivo, pode oferecer apoio e segurança antes mesmo de o estresse aparecer. Caso não saiba, a situação tende a gerar frustração: você se irrita por ele “não conseguir lidar” com essas ocasiões.

O ponto principal é que o love map nunca está “pronto”. As pessoas mudam, e seu entendimento sobre o outro também precisa mudar. É preciso continuar fazendo perguntas, demonstrando curiosidade e se conectando todos os dias.

Essa é a única forma de acompanhar a evolução de quem divide a vida com você e também a maneira de manter o relacionamento firme quando o chão inevitavelmente mudar.

Conhecer as necessidades emocionais do parceiro nos dias difíceis, assim como seus desejos e preferências nos dias bons, vem da consciência emocional, que, para casais saudáveis, serve de alicerce para uma relação sólida e duradoura.

2. Volte-se um para o outro, não para longe (e nunca contra)

Depois de construírem um alicerce emocional firme, os casais precisam erguer as “paredes” que tornam o relacionamento seguro. Segundo os Gottman, essas paredes são erguidas quando os parceiros continuamente se “voltam um para o outro”.

Todos os dias, você e seu parceiro fazem inúmeros pequenos “convites” à conexão emocional, mesmo sem perceber. São gestos sutis de busca por atenção, carinho ou compreensão.

Cada vez que você diz: “Olha só esse pôr do sol!”, está fazendo um convite à conexão. Quando desabafa: “Você não vai acreditar no que meu chefe disse hoje”, também. Ou quando pede: “Vem sentar comigo.”

Esses momentos podem parecer triviais, mas são o sangue vital do relacionamento. De acordo com as pesquisas dos Gottman, a forma como os parceiros respondem a esses convites é um dos indicadores mais precisos da duração e qualidade de uma relação.

Eles descobriram que casais felizes respondem positivamente (“se voltam um para o outro”) cerca de 86% das vezes, enquanto casais a caminho do divórcio o fazem apenas 33% das vezes.

Voltar-se para o parceiro significa exatamente isso: responder de forma gentil e interessada a seus convites de conexão. Basta reconhecer o gesto, envolver-se e demonstrar atenção.

Ignorar esses convites seria “voltar-se para longe”. Reagir com irritação ou hostilidade seria “voltar-se contra”. Nenhuma dessas respostas tem bons resultados — nem para quem busca conexão, nem para o relacionamento.

Esses convites são quase invisíveis. Podem se esconder em frases corriqueiras como “Vi um vídeo engraçado hoje”.

  • Se você se volta para o parceiro, pode parar o que está fazendo e dizer: “Sério? Me mostra o vídeo.”
  • Se se volta para longe, continua olhando o celular sem responder.
  • Se se volta contra, suspira e diz: “Agora não, estou ocupado.”

Com o tempo, o acúmulo dessas pequenas interações define a sensação de segurança no relacionamento. Quanto mais os parceiros se voltam um para o outro, mais seguros se sentem. O contrário também é verdadeiro.

Isso não significa estar disponível o tempo todo ou ser um parceiro perfeito. Basta aparecer com constância, responder com gentileza e fazer seus próprios convites à conexão. Quando ambos tornam isso um hábito, criam juntos um ambiente emocionalmente seguro, as “paredes” de uma casa que resiste ao tempo.

*Mark Travers é colaborador da Forbes USA. Ele é um psicólogo americano formado pela Cornell University e pela University of Colorado em Boulder.

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