1. Início
  2. /
  3. Forbes Saúde
  4. /
  5. 2 “Segredos” Que Você Pode Guardar do Seu Parceiro
Forbes Saúde

2 “Segredos” Que Você Pode Guardar do Seu Parceiro

Segredos estratégicos podem proteger a harmonia e a confiança no relacionamento

6 min

Relacionamentos, em grande parte, são construídos sobre uma base de escolhas. Todos os dias, você e seu parceiro precisam escolher entre duas opções: ser ou não paciente, gentil, atencioso, ouvir, apoiar. Essas decisões diárias, por menores que pareçam, têm algum tipo de consequência para o relacionamento. Algumas serão boas; outras, nem tanto.

Talvez uma das escolhas mais importantes que os parceiros fazem todos os dias seja entre falar o que pensam ou não dizer nada. Expressar o que está em sua mente ou guardar para si. De modo geral, ser aberto e transparente quase sempre é o caminho certo. E, em um relacionamento realmente saudável, os parceiros criam espaço para essa honestidade, mesmo quando ela é desconfortável. Eles são francos sobre suas frustrações e medos porque, afinal, a honestidade é a melhor política.

No entanto, toda regra tem sua exceção, e isso também vale para a honestidade. É claro que, nove em cada dez vezes, é recomendável ser sincero sobre seus erros e sentimentos, especialmente se a informação estiver diretamente relacionada ao seu parceiro, ao bem-estar do relacionamento ou, simplesmente, se for algo que ele ou ela merece saber. Mas naquele décimo caso, a exceção, sua honestidade pode sair pela culatra.

Aqui estão dois casos em um relacionamento em que a honestidade não é necessariamente a melhor política, e por que, às vezes, tudo bem guardar segredos.

1. Experiências amorosas ou sexuais passadas com outras pessoas

Desde a revolução sexual dos anos 1960, vimos uma mudança enorme nas atitudes em relação ao sexo. Socialmente, já sabemos que temas como contracepção, pornografia, homossexualidade, aborto, sexo antes do casamento e masturbação não são mais tabus. E, na prática, sabemos que o sexo não é algo restrito a uma única pessoa, nem algo que só possa ocorrer dentro do casamento.

Segundo o CDC, com base na National Survey of Family Growth, o número médio de parceiros sexuais que um homem terá ao longo da vida é 6,3; para mulheres, 4,3. Esses dados mostram que, hoje, não é nem surpreendente nem escandaloso alguém ter mais de um parceiro sexual, é simplesmente o normal.

Diante disso, é seguro presumir que, em muitos relacionamentos adultos modernos, os parceiros nem sempre são o “primeiro” um do outro. No entanto, esse não é um fato que você precise relembrar com frequência.

A regra da “honestidade sempre” pode fazer você acreditar que deve ser completamente aberto sobre seu passado, seus ex-parceiros, casos antigos, aventuras da juventude, seu “número”. Mas, para a maioria das pessoas, suas experiências passadas são provavelmente o último assunto que elas gostariam de ouvir.

Sentir desconforto com esse tipo de informação não torna ninguém inseguro. Na verdade, uma pesquisa da revista Social Media + Society aponta que isso é uma resposta normal, conhecida como “ciúme retroativo”, ou seja, o ciúme em relação ao passado amoroso ou sexual do parceiro, mesmo que isso tenha acontecido antes do relacionamento atual.

O estudo mostra que apenas o conhecimento dessas experiências anteriores pode fazer com que alguém:

  • Sinta-se menos próximo do parceiro;
  • Acredite que o relacionamento é menos especial;
  • Faça comparações com antigos amores;
  • Experimente ciúmes e insegurança.

Mesmo que alguns tentem parecer “tranquilos” com o assunto, seria irreal esperar isso de todos.
A verdade é que, se você está em um relacionamento sério e duradouro, não há motivo para ficar relembrando encontros passados. Guardar silêncio é, nesse caso, o caminho mais sensato e afetuoso.

Na melhor das hipóteses, ser honesto sobre isso só trará constrangimento; na pior, pode causar uma discussão desnecessária. A menos que seu parceiro peça detalhes (o que raramente acontece), seu histórico sexual é um segredo que você pode, e deve, manter para si.

2. Atrações por outras pessoas que você não pretende concretizar

Mesmo em um relacionamento longo e exclusivo, é possível — e até provável — sentir atração por outras pessoas. Entrar em um relacionamento não nos torna imunes às reações humanas naturais. É normal achar outras pessoas atraentes, ainda que você ame seu parceiro.

A maioria das pessoas, em algum momento, terá uma breve admiração ou curiosidade por alguém fora do relacionamento. Talvez um colega de trabalho divertido, talvez um desconhecido simpático em um bar. Isso não significa infidelidade, o que importa é se você age ou não de acordo com essa atração.

Um estudo de 2025 publicado na revista Personal Relationships mostrou isso claramente. Pesquisadores acompanharam 567 pessoas em relacionamentos monogâmicos que relataram sentir atração por alguém de fora, uma “paixonite”. O estudo analisou como essas paixões passageiras afetaram o relacionamento ao longo de um ano.

Curiosamente, na maioria dos casos, essas atrações não causaram impacto negativo algum. Mesmo quando persistiam, a satisfação, a proximidade e o comprometimento com o parceiro permaneciam estáveis. O fator determinante, segundo o estudo, era a qualidade do relacionamento em si. Em casais felizes e comunicativos, essas atrações eram apenas “pontinhos no radar”,  vinham e iam sem maiores consequências.

Por outro lado, em casais já insatisfeitos, até pequenas atrações externas estavam associadas a uma queda na satisfação amorosa e sexual. Isso sugere que a atração, por si só, raramente é o problema; o problema é agir de forma inadequada ou se fixar nela.

Assim, para a maioria dos casais, confessar uma paixonite passageira só gera insegurança. Dizer que você se sentiu atraído por alguém não aliviará seu desconforto, apenas transferirá o fardo emocional para o outro.

Isso não significa que ser honesto, nesse caso, seja “errado”; apenas que não é útil. A menos que você acredite que essa atração represente um risco real para o relacionamento, o mais gentil e sensato é guardar para si. Reconheça o sentimento, entenda-o pelo que ele é, algo momentâneo, e siga em frente.

Como indica a pesquisa: se você é gentil o bastante para pensar em confessar uma paixonite, provavelmente é melhor deixá-la passar, em silêncio e em segredo.

*Mark Travers é colaborador da Forbes USA. Ele é um psicólogo americano formado pela Cornell University e pela University of Colorado em Boulder.

Assine Forbes. Inspire-se, lidere, conquiste. Ao se cadastrar, você concorda com nossa Política de Privacidade e com o uso de seus dados para fins de comunicação.