Principais fatos
Pesquisadores que publicaram um estudo nesta sexta-feira (24) na revista Scientific Reports descobriram que uma molécula à base de enxofre chamada trissulfeto de ácido lipoico (lipoic acid trisulfide), produzida em laboratório e não encontrada naturalmente em alimentos ou plantas, mais que dobrou a capacidade da principal proteína responsável pelo reparo muscular de desempenhar sua função.
Essa proteína, chamada HGF (fator de crescimento de hepatócitos), torna-se menos eficiente com o envelhecimento devido a danos químicos. No entanto, os pesquisadores verificaram que a nova molécula tornou o HGF duas vezes mais eficaz e mais resistente às alterações químicas relacionadas à idade.
Camundongos tratados com trissulfeto de ácido lipoico apresentaram significativamente menos danos químicos ao HGF do que os tratados com outro composto de enxofre, o que, segundo os cientistas, confirma o efeito duradouro da molécula em tecidos vivos.
O professor Ryuichi Tatsumi, que liderou a pesquisa, afirmou em comunicado que o resultado “superou nossas expectativas”. Segundo ele, o composto parece fazer “mais do que simplesmente neutralizar moléculas reativas” e pode transformar o HGF no que a equipe chamou de um “Super HGF”.
Contexto
O fator de crescimento de hepatócitos (HGF) é uma das principais moléculas responsáveis pelo reparo e pela regeneração dos músculos esqueléticos. Em músculos saudáveis, ele fica armazenado na matriz extracelular que envolve as fibras musculares e é liberado quando o músculo sofre danos causados por lesões ou exercícios.
O HGF é essencial para a formação de novas fibras musculares e para o reparo das fibras danificadas — um processo fundamental para a recuperação após lesões, a manutenção da massa muscular e a adaptação ao treinamento de força.
Com o envelhecimento, a sinalização do HGF e a resposta das células satélite diminuem, contribuindo para um reparo muscular mais lento, menor capacidade de regeneração e perda gradual de massa e força muscular.
O que observar
O próximo passo será descobrir como essa descoberta poderá ser aplicada na prática. Ainda são necessários estudos adicionais em animais idosos para confirmar a eficácia e a segurança do trissulfeto de ácido lipoico antes do início de testes em humanos. Mesmo assim, os pesquisadores acreditam que a substância poderá ajudar a promover maior independência, melhor qualidade de vida e um envelhecimento mais saudável.
Por Mary Whitfill Roeloffs, repórter da Forbes especializada em notícias de última hora sobre cultura pop
*Reportagem publicada originalmente em Forbes.com