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Aspirina Pode Prevenir o Câncer? a Resposta Não Vale para Todo Mundo

Estudos mostram redução na incidência de pólipos intestinais e no risco de câncer de intestino, mas uso preventivo exige avaliação individual e não há indicação geral

3 min

Recentemente, postei um novo vídeo em meu Instagram falando sobre a relação entre aspirina (ácido acetilsalicílico) e câncer. O assunto sempre chama bastante atenção e, por isso, gostaria de trazer essa discussão também para este espaço. Afinal, a aspirina pode realmente prevenir o câncer? E, diante dos resultados dos estudos, todo mundo deveria tomar o medicamento?

A aspirina é um analgésico de uso comum, também utilizada no tratamento e na prevenção de diversas doenças, principalmente cardiovasculares. Mas seus efeitos não se limitam a esse campo. O medicamento também atua na inibição de substâncias chamadas prostaglandinas, que participam de diferentes processos no organismo e têm relação com o desenvolvimento de alguns tipos de câncer.

Por isso, diversos estudos foram realizados para avaliar se o uso deste medicamento poderia ter um papel na prevenção de tumores. As evidências mais consistentes estão relacionadas ao câncer de intestino.

As pesquisas mostram que a aspirina pode reduzir a incidência de pólipos intestinais, que são lesões pré-malignas e, em alguns casos, evoluem para um câncer. Também há evidências de redução do risco de câncer de intestino, especialmente em alguns subtipos moleculares da doença.

Existem ainda estudos que sugerem que a aspirina pode ter algum efeito na redução do risco de outros tipos de tumores. Mas é importante ter cuidado para não interpretar esses resultados de forma generalizada.

Isso significa que todo mundo deve tomar aspirina para prevenir o câncer? A resposta é não.

A indicação precisa ser bastante criteriosa e levar em conta as características de cada pessoa. Antes de iniciar o uso, é necessário avaliar também se existe alguma contraindicação ao medicamento. A aspirina pode trazer riscos e, portanto, não deve ser utilizada simplesmente com a ideia de que, por poder reduzir o risco de determinados tumores, seu uso seria benéfico para qualquer pessoa.

Quando indicada com objetivo preventivo, as doses estudadas para câncer de intestino e para lesões pré-malignas, por exemplo, geralmente são baixas. Não é necessário utilizar doses muito altas para esse objetivo. Mas isso não significa que ela deva ser usada por toda a população. Como acontece com qualquer medicamento, os possíveis benefícios precisam ser avaliados em relação aos riscos e às características de cada paciente.

*Dr. Fernando Maluf é médico oncologista, cofundador do Instituto Vencer o Câncer e professor livre-docente da Faculdade de Medicina da Santa Casa de São Paulo.

Os artigos assinados são de responsabilidade exclusiva dos autores e não refletem, necessariamente, a opinião de Forbes Brasil e de seus editores.

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