Pesquisadores do Hospital Alemão Charité – Universitätsmedizin Berlin conduziram um estudo duplo-cego, controlado por placebo, ao longo de dez semanas com 170 pacientes tratados com Dronabinol, um medicamento de prescrição à base de THC, composto derivado diretamente da planta da cannabis.
Em estudo publicado nesta quarta-feira pela revista Nature Medicine, os pesquisadores constataram que a carga de pesadelos em pacientes com Transtorno de Estresse Pós-Traumático (TEPT) diminuiu entre aqueles que receberam o medicamento, em comparação com o grupo que tomou placebo. Além disso, cinco em cada seis pacientes tratados relataram uma melhora significativa em seu estado de saúde.
O professor Stefan Röpke, um dos pesquisadores responsáveis pelo projeto, afirmou em comunicado divulgado junto ao estudo que pelo menos 21% dos pacientes que receberam o medicamento relataram uma redução de 50% na frequência dos pesadelos. Mais de um terço dos participantes informou que deixou de ter pesadelos completamente após dez semanas de tratamento.
No entanto, o estudo mostrou que o medicamento atuou apenas sobre os pesadelos e não apresentou efeito sobre outros sintomas do TEPT, incluindo a depressão associada ao transtorno.
Dado surpreendente
Segundo os pesquisadores, os pacientes que receberam o medicamento não apresentaram efeitos colaterais graves, embora alguns tenham relatado reações leves a moderadas, como tontura, dor de cabeça e aumento do apetite. A equipe também não identificou sintomas de abstinência após o término do estudo e pretende continuar investigando a segurança do tratamento em períodos mais longos.
Citação
O Dronabinol utilizado no estudo é derivado da cannabis e contém um dos principais compostos psicoativos da planta: o tetraidrocanabinol (THC). “Há evidências de que, durante o sono REM — fase em que os sonhos são mais intensos e o cérebro processa experiências e regula emoções — o THC reduz a atividade dos sonhos e, com isso, alivia as respostas de estresse durante a noite”, afirmou Röpke em comunicado divulgado após a publicação do estudo na quarta-feira (5).
Por Zachary Folk, repórter da Forbes. Cobre notícias de última hora.
*Reportagem originalmente publicada em Forbes.com