Cristina Cestari, CIO da Volkswagen Brasil, compartilha uma trajetória de 36 anos na tecnologia, destacando que sua base no setor financeiro foi fundamental para sua liderança atual. Ela enfatiza que o setor bancário brasileiro, sendo um benchmark mundial em transformação digital e gestão de risco, ofereceu a escola necessária para enfrentar o desafio de integrar tecnologia e processos em uma indústria tradicionalmente técnica como a automotiva. Um marco pessoal relevante em sua carreira foi sua promoção a um cargo C-level no momento em que descobriu uma gravidez de trigêmeos, o que ela considera um divisor de águas para a inclusão de mulheres em posições de liderança.
No contexto da Volkswagen, Cristina explica que o carro moderno é definido pelo conceito de Software Defined Vehicle (SDV), onde a jornada de inovação deve caminhar obrigatoriamente junto com a de segurança. Ela detalha que o desenvolvimento de novas tecnologias, como a direção autônoma e o infoentretenimento, exige ciclos de testes intensos e plurianuais, pois a segurança é uma condição inegociável para a marca. A IA surge nesse cenário não apenas para a automação, mas para garantir que o veículo conectado seja seguro contra riscos de cibersegurança e distrações ao motorista.
A executiva destaca o lançamento do OTO, um assistente de inteligência artificial desenvolvido como um companion (companheiro) para o motorista. O OTO funciona espelhado no veículo e foi projetado para gerar valor real, integrando-se ao ecossistema do usuário, como mapas e aplicativos de música, além de atuar como um consultor que “varre” o manual do carro para responder dúvidas técnicas em tempo real. O design do avatar, inspirado na icônica Kombi, foi pensado para humanizar a tecnologia e criar uma conexão emocional com a herança da marca.
Para Cristina, o futuro da função do CIO exige uma integração total entre tecnologia e negócio, onde o foco deve ser o que realmente gera valor para clientes, fornecedores e concessionários. Ela defende a “humanização da tecnologia”, acreditando que a IA deve atuar como um braço direito intelectual, liberando os humanos de funções repetitivas para que foquem em criatividade e estratégia. Além disso, ressalta a capacidade criativa do profissional latino, que consegue entregar soluções inovadoras mesmo com orçamentos mais restritos, transformando a tecnologia em uma ferramenta de evolução social.
Assista ao episódio:
https://www.youtube.com/watch?v=Kapc68-rRlU