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Produtividade ou Substituição? Como a IA Agêntica Está Redefinindo o Futuro do Trabalho e da Engenharia

Judith Wiese, Chief People and Sustainability Officer da Siemens, analisa o impacto dos novos agentes autônomos de Inteligência Artificial no mercado corporativo

3 min

A inteligência artificial generativa deixou de ser um conceito apenas para a tecnologia, mas vem impactando diretamente a economia e as perspectivas globais de negócios. Em entrevista exclusiva, Judith Wiese, Chief People and Sustainability Officer (CPSO), membro do Conselho de Administração e Diretora de Trabalho da Siemens, analisou o impacto desses movimentos e como a multinacional alemã posiciona suas operações — especialmente no mercado brasileiro.

A consolidação de acordos comerciais de grande escala, como a aproximação entre União Europeia e Mercosul, é vista pela Siemens como um divisor de águas para a facilidade de negócios e para a integração tecnológica global. Judith Wiese destaca que a eliminação de barreiras tarifárias cria um ambiente regulatório e financeiro altamente favorável, unindo o potencial de mercado de regiões estruturadas às demandas de economias em expansão.

“Acreditamos muito no acordo. Isso significa que cerca de 91% das tarifas irão cair, melhorando significativamente a facilidade de negócios. Se pudermos adicionar ao Mercosul um acordo de impostos também com o Brasil, isso seria extremamente útil.” A executiva ressalta que essa sinergia, potencializada por parcerias público-privadas e órgãos de cooperação internacional, permite uma via de mão dupla inédita: o Brasil ganha acesso a tecnologias de ponta, enquanto o mercado europeu se abre de forma mais ampla para as capacidades exportadoras brasileiras.

Para a Siemens, que já possui uma operação solidamente estabelecida no território nacional com hubs de inovação e centros de desenvolvimento de software, a redução de entraves aduaneiros potencializa a introdução de soluções do portfólio global que ainda não são fabricadas localmente. A convergência regulatória em áreas como cibersegurança e redes 5G industriais também promete elevar a indústria brasileira a um novo patamar de competitividade internacional.

Diante das frequentes discussões sobre o impacto da Inteligência Artificial no mercado de trabalho e o temor de demissões em massa, a Siemens adota uma abordagem estratégica focada no crescimento e na capacitação. A companhia divide a aplicação da IA em três pilares fundamentais: o dia a dia dos colaboradores, o desenvolvimento de produtos e a transformação de processos operacionais. Para democratizar o acesso e garantir a segurança de dados, a Siemens desenvolveu uma plataforma própria de IA generativa para suas equipes.

“Construímos o nosso próprio GPT da Siemens para que os nossos colaboradores tenham um ambiente seguro de testes (sandbox). Baixamos as barreiras de entrada por meio de educação e conscientização.” No âmbito industrial, a introdução de assistentes cognitivos e copilotos tem gerado um ganho expressivo na autonomia das equipes técnicas. Wiese cita o exemplo da fábrica de Amberg, na Alemanha, onde a implementação dessas ferramentas elevou a confiança dos técnicos de manutenção, capacitandoos a realizar diagnósticos e reparos complexos em maquinários que antes dependiam exclusivamente da intervenção de engenheiros especializados.

“A IA agêntica muda o jogo porque é mais do que um assistente; ela é produtiva, flexível e adaptativa. A questão central não é se vamos demitir os engenheiros, mas sim se vamos produzir mais resultados. Produtividade e crescimento caminham lado a lado quando você reinveste essa capacidade para crescer mais rápido.”

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