Os golpes na internet são uma ameaça constante e podem ter os mais diferentes formatos de acordo com o objetivo dos criminosos e o perfil do alvo. Nesse contexto, é comum o sentimento de insegurança ao comprar ou vender algo em uma plataforma online.
A pesquisa “Privacidade e Proteção de Dados”, realizada pelo Cetic.br, aponta que cerca de 45 milhões de usuários de internet com 16 anos ou mais no Brasil, o equivalente a 32% do total, sofreram tentativas de golpe com o uso de seus dados pessoais.
É nesse cenário que o Grupo OLX busca ampliar as estratégias de segurança. Segundo a empresa, o sistema antifraude atual evitou mais de R$ 6,7 milhões em perdas financeiras nos últimos 10 meses.
O desafio é encontrar e barrar um comportamento suspeito para proteger os usuários antes que o golpe seja iniciado. “No momento em que um fraudador é identificado, você consegue parar toda a cadeia do golpe. Bloquear um perfil suspeito reduz efetivamente os riscos”, explica o CTO do Grupo OLX, Marcelo Wendling.
O executivo da área de tecnologia conta que mais de 150 fatores são monitorados para identificar sinais de risco e iniciar uma ação preventiva, como um bloqueio imediato ou um período de quarentena para que seja feita uma avaliação do caso.
O resultado desse trabalho foi uma queda de 80% no número de denúncias de comportamento fraudulento nos últimos anos. Entre 2021 e 2025, por exemplo, o número total de fraudes na categoria de veículos foi reduzido em 91%.
Engenharia social, IA e biometria
A engenharia social é a forma como o golpista manipula a vítima para levá-la a entregar dados, fazer transferências ou instalar programas maliciosos por vontade própria. O criminoso se apresenta como alguém confiável, como um representante de alguma empresa ou serviço, e explora gatilhos como urgência, medo ou curiosidade para que a vítima aja rapidamente e não perceba o golpe.
Essa ação pode ser por e-mail, SMS, perfis falsos em redes sociais, anúncios, links que imitam páginas legítimas e até por áudios e vídeos gerados por inteligência artificial. O que sustenta o golpe não é uma falha do software, mas a exploração da confiança e o sentimento de urgência.
“Quando falamos em segurança, o elo mais fraco na cadeia é o usuário, que é quem está de frente com um fraudador. Por isso, existe um trabalho de orientação dos usuários por meio de mensagens e alertas”, diz Wendling.
Um comportamento considerado suspeito é quando há uma insistência em seguir com a negociação ou em fazer contato fora da plataforma. Ir para um aplicativo de troca de mensagens e passar o e-mail facilita a ação de pessoas mal-intencionadas. Ao passar informações pessoais e conversar com um possível vendedor ou comprador em outro ambiente, a vítima passa a lidar diretamente com o golpista sem os recursos de proteção.
Segundo a pesquisa do Cetic.br, os aplicativos de troca de mensagens são usados para abordar as vítimas em 84% dos casos. Em seguida, estão as ligações telefônicas (79%), sites ou aplicativos falsos (71%), SMS (71%), e-mail (69%) e redes sociais (67%).
O CTO orienta que as transações sejam feitas apenas dentro da OLX e que o usuário desconfie de quem tentar levar a negociação para apps de mensagem, nos quais não é possível contar com os recursos de segurança da plataforma.
“Se você está fazendo uma transação na nossa plataforma e fazendo as interações pelo nosso chat, nós conseguimos moderar o que está acontecendo. Se percebemos que o usuário começa a estimular muito que você saia da plataforma, que use outras plataformas de comunicação ou que forneça dados desnecessários, como o e-mail, vamos disparar uma série de alertas”, explica o executivo.
A OLX afirma que é capaz de identificar padrões suspeitos e bloquear comportamentos de risco em tempo real por meio de modelos de machine learning. Uma equipe multidisciplinar, que inclui profissionais de produto, tecnologia, marketing e CX, busca entender como os fraudadores atuam para implementar novos recursos para proteger os usuários.
A inteligência artificial também entra na estratégia de segurança das transações, mas é uma ferramenta que ao mesmo tempo é usada para sofisticar golpes. “A IA serve para os fraudadores criarem novas formas de burlar o sistema, mas também serve muito para a criação de novas formas de defesa. Nosso time focado em IA monitora e avalia modelos constantemente”, diz Wendling.
A verificação de identidade é uma frente central da estratégia de segurança da OLX. Desde 2023, aempresa ampliou o uso de biometria facial, inicialmente para validação de contas suspeitas e, depois, como camada adicional de segurança para a base de usuários.
Atualmente, são mais de 11 milhões de contas verificadas e cerca de metade dos usuários logados possui biometria cadastrada. Segundo a OLX, essa camada de proteção aumenta a disposição dos usuários para interagir, negociar e avançar nas jornadas de compra e venda.
“Anunciantes com identidade biométrica validada recebem, em média, 50% mais contatos, um indicativo de que sinais de confiança influenciam diretamente a dinâmica do marketplace”, afirma o CTO.
Além disso, a OLX mantém uma estrutura dedicada ao atendimento de solicitações de autoridades policiais e de órgãos de investigação. A empresa preserva evidências e compartilha informações que possam apoiar a resolução dos casos. Essa frente amplia o alcance das ações de segurança para além da plataforma e contribui para o enfrentamento de práticas fraudulentas.
“Eu posso garantir que 100% das denúncias de anúncio fraudulento ou de comportamento suspeito são analisadas para que sejam tomadas as ações necessárias”, conclui Wendling.