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A Vinícola Argentina de Bernard Arnault Que Quer Ir Além do Malbec

À frente da Terrazas de Los Andes, do grupo LVMH, Lucas Löwi quer fazer a vinícola argentina ser reconhecida também por Chardonnays

5 min

Lucas Löwi voltou para Mendoza, em 2023, com uma missão que vai além de comandar uma vinícola argentina. O diretor-geral da Terrazas de Los Andes quer elevar a marca a um patamar mais alto dentro do mercado global de vinhos de montanha, com menos foco em volume e mais em valor, prestígio e identidade.

A nomeação representou um retorno às origens. Depois de trabalhar na Argentina, Löwi construiu parte de sua carreira na Espanha, onde atuou por nove anos e chegou à direção da Bodega Numanthia, que faz parte do maior conglomerado de luxo do mundo LVMH, do bilionário francês Bernard Arnault. Ali, em 2015, comandou uma fase marcada pelo reconhecimento do Termanthia como um dos melhores vinhos do mundo.

De volta à Terrazas de Los Andes, vinícola da região de Mendoza que também está no grupo LVMH, Löwi assumiu em um momento importante para a marca. Em 2024, a Wine Spectator, uma das mais importantes publicações de vinho no mundo, colocou o Terrazas de los Andes Reserva Malbec 2022 na 8ª posição de sua lista anual dos dez vinhos com melhor custo-benefício, seleção que considera pontuação, disponibilidade e preço.

O rótulo sintetiza parte da estratégia da casa. O Reserva Malbec nasce de uma combinação de mais de 100 parcelas em transição para o orgânico, unindo uvas de montanha do Vale do Uco e dos terroirs mais altos de Las Compuertas, em Luján de Cuyo. É uma forma de apresentar ao consumidor um Malbec argentino com origem, altitude e vocação internacional.

Em entrevista exclusiva à Forbes Brasil, Löwi fala também sobre outra aposta: o Chardonnay. Hoje, a uva representa cerca de uma garrafa a cada dez no portfólio da vinícola. A meta do executivo é chegar a três em cada dez até 2030 ou 2031, em linha com um consumidor que, segundo ele, está mais curioso por brancos, rosés e tintos mais frescos.

O Brasil aparece como peça importante nessa estratégia. Para Löwi, antes de conquistar mercados distantes na Europa ou na Ásia, a Terrazas precisa ser forte em seu entorno. E, nesse mapa, o país está entre os cinco mercados mais relevantes para a vinícola. Veja abaixo os principais trechos da entrevista.

DivulgaçãoLucas Löwi diretor-geral da vinícola Terrazas de Los Andes

Qual é a sua principal missão na Terrazas de Los Andes?

Minha missão é elevar a Terrazas de Los Andes a novas alturas e fazer com que a marca seja ainda mais reconhecida internacionalmente como produtora ultra premium de vinhos de montanha. Não tenho previsão de crescer em volume, mas sim de premiumizar a marca e crescer em valor. Outro objetivo é fazer o Chardonnay crescer dentro do nosso portfólio.

Por que o Chardonnay passou a ganhar mais destaque na estratégia da vinícola?

Sempre acreditamos no vinho branco. O consumidor está mais curioso para descobrir brancos, rosés e tintos mais frescos. Hoje, o Chardonnay representa cerca de 10% do nosso negócio. A minha visão para 2030 ou 2031 é que ele represente três garrafas a cada dez. Temos uma grande ambição de crescimento com o Chardonnay.

O que diferencia o Chardonnay argentino de um Chardonnay chileno, por exemplo?

O Chile tem vinhos muito influenciados pela proximidade com o Pacífico. Na Argentina, podemos oferecer um Chardonnay continental, de montanha. A altitude nos dá frescor, e os solos de montanha trazem uma boca diferente. Para mim, isso lembra muito os vinhos da Borgonha.

Qual é a importância do Brasil para a Terrazas de Los Andes?

O Brasil sempre foi um mercado muito importante para mim. Foi a primeira missão que tive dentro da Terrazas. A proximidade entre Brasil e Mendoza ajuda muito, inclusive porque muitos brasileiros visitam Mendoza e há voo direto de São Paulo. Para sermos uma marca global, primeiro precisamos ser fortes no nosso mercado mais próximo. O Brasil está entre os cinco mercados mais importantes para a Terrazas.

Em um momento em que outras uvas ganham espaço, qual é o papel do Malbec para a vinícola?

Podemos fazer grandes Cabernet Sauvignon em Mendoza, especialmente em terroirs mais pedregosos. Mas o Malbec é o nosso flagship. É onde temos mais hectares de vinhedos e onde podemos fazer algo realmente diferente do mundo. O Malbec é a identidade de Mendoza e da Terrazas, com fruta, tanino redondo e facilidade de beber.

O que torna o Extremo Malbec diferente dos outros Malbecs da vinícola?

O Extremo nasce em um vinhedo a 1.650 metros de altitude. Essa altitude muda muito a temperatura, porque a cada 100 metros ela cai cerca de 1 grau. É um Malbec muito diferente do que estamos acostumados: mais fresco, mais vertical, mais tenso, com tanino redondo e fácil de beber. Também é um vinho difícil de elaborar, por isso o chamamos de Extremo. Em 2026, por exemplo, uma geada tardia impediu a produção.

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