Sojicultor do Brasil não vende o grão apostando na alta de preços

Outra razão para produtores segurarem os preços é o temor de que o fenômeno climático La Niña possa limitar a próxima safra da América do Sul.

Redação
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Roberto Samora/Reuters
Roberto Samora/Reuters

Caminhão é carregado com soja em Porto Nacional

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Produtores de soja no Brasil estão segurando vendas, pois acreditam que os preços podem subir ainda mais em meio ao aperto da oferta global, disseram corretores, compradores e vendedores no país, o maior produtor e exportador mundial da oleaginosa.

Outra razão para o “entesouramento” da produção é o temor de que o fenômeno climático La Niña possa limitar a próxima safra da América do Sul, segundo produtores e corretores.

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Eles também citaram o aumento das tensões políticas domésticas, que poderiam enfraquecer o real nos próximos meses e justificar vendas em um momento futuro.

Os agricultores esperam forçar exportadores e a indústria local de processamento a pagar mais pela soja. Isso, por sua vez, pode impulsionar a inflação global dos alimentos, fazendo com que os preços da soja e milho – que já atingiram máximas de oito anos em 2021- subam ainda mais.

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Em Estados como Rio Grande do Sul e Paraná, os produtores ainda têm 12,4 milhões de toneladas de soja da safra 2021 para vender, segundo estimou a consultoria Safras & Mercado no início de agosto. Isso representa cerca de metade dos quase 25 milhões de toneladas do ciclo 2021 ainda não comercializados.

Luis Fucks, agricultor no Rio Grande do Sul, disse que os produtores não estão com pressa para vender e esperam que os preços possam atingir US$ 14 por bushel.

Décio Teixeira, do mesmo Estado, afirmou que alguns produtores estão esperando que as cotações voltem à casa de R$ 170 (US$ 32,85) por saca de 60 kg antes de fechar negócios novamente, acrescentando que manteve uma grande parcela de sua produção para negociar mais tarde.

O La Niña costuma trazer tempo seco para a América do Sul.

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“Hoje em dia parece que ter o grão na mão é mais seguro que ter uma moeda”, disse Teixeira.

Iuri Gomes, da corretora paranaense Origem, disse que os estoques de soja da região Sul estão acima do esperado. Segundo ele, as processadoras de soja locais estão dispostas a pagar mais do que os mercados exportadores pela oleaginosa. Prêmios domésticos mais altos seriam a única forma de convencer os produtores a aceitarem as ofertas dos compradores, disse.

Este cenário pode limitar o volume de soja que o Brasil exportará à China, sua principal compradora. Neste mês, o governo reduziu sua estimativa para as exportações de soja em 2021 para 83,4 milhões de toneladas.

Após anos de um excesso de oferta de grãos no mundo, os agricultores brasileiros conseguiram capitalizar o aumento dos preços, que começaram a subir no segundo semestre de 2020 devido a preocupações com as safras dos Estados Unidos e da América do Sul, além da forte demanda da China.

“O produtor segue felizão da vida, com as contas todas pagas”, disse Gomes. “O produtor está vendo o mercado se matar para tentar arrancar o grão dele.”

No Rio Grande do Sul, um dos maiores produtores de soja do Brasil, os produtores haviam comercializado 62% da safra de soja 2021 até 6 de agosto, 11 pontos percentuais abaixo da média histórica para o período, segundo dados de Safras&Mercado. No Paraná, as vendas atingiam 78%, dois pontos abaixo da média de cinco anos.

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Os dois Estados deverão colher, juntos, 42,2 milhões de toneladas de soja em 2022, mas apenas cerca de 12% da produção combinada futura já foi vendida de maneira antecipada, também abaixo da média histórica, disse a Safras.

Em agosto do ano passado, o Rio Grande do Sul já havia comercializado 27% de sua safra futura, enquanto as vendas no Paraná atingiam 45%. (Com Reuters)

 

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