Por que orquestras e shows online não podem competir com ensaios presenciais

ReproduçãoForbes
Quando se toca online, muitos dos benefícios sociais e comunitários da produção musical são perdidos

Assim que não puderam mais se apresentar pessoalmente, os músicos foram para a internet para compartilhar shows virtuais. Músicos da Nintendo tocando o tema de “Animal Crossing”, o show “One World Together At Home” (com Rolling Stones e outros) ou o seu próprio coral da comunidade local. Essa diversidade de shows online têm sido uma distração bem-vinda para todos que estão em casa. Porém, os músicos envolvidos nesses projetos estão perdendo um dos aspectos mais benéficos de fazer música juntos –já que também estão presos em casa.

Fazer música é bom, mas compartilhar esse momento com outras pessoas é ainda melhor. Pesquisadores descobriram que as pessoas que fazem música juntas sincronizam suas ondas cerebrais e que cantar em um grande coral libera endorfinas. Vários outros estudos mostraram que os músicos de um conjunto usam certas pistas e interações não musicais para se conectarem um ao outro enquanto tocam, e o vínculo social experimentado ao trabalharem juntos pode ser uma parte importante da razão pela qual a música é encontrada na maioria das culturas. Finalmente, os aspectos sociais dos conjuntos musicais para crianças em idade escolar não apenas contribuem para a sua qualidade de vida estudantil, mas também têm um efeito positivo em seu desempenho acadêmico.

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Mas, quando se toca online, muitos desses benefícios sociais e comunitários da produção musical são perdidos. Não apenas a distância física entre os músicos dificulta a conexão enquanto eles tocam. Em muitas das apresentações virtuais que você assistiu nas últimas semanas, os artistas nem estiveram na mesma teleconferência.

Os problemas de latência das chamadas de vídeo tornam impossível sincronizar vozes ou instrumentos; portanto, os músicos costumam gravar previamente suas apresentações. Cada músico está em sua própria casa, tocando seu próprio instrumento enquanto ouve a faixa principal ou uma faixa de clique para manter o ritmo certo. Eles apenas se ouvem, e não um ao outro. As faixas de áudio individuais são reunidas em uma apresentação coerente, o que pode envolver horas de edição por alguns minutos de música.

Os resultados dessas colaborações geralmente são impressionantes para o espectador, mas os artistas não estão realmente tocando juntos. Eles não sincronizam suas ondas cerebrais se não estão tocando ao mesmo tempo e não conseguem ver as pistas visuais um do outro.

Houve alguns casos em que os músicos conseguiram se conectar um pouco mais, apesar do distanciamento social. Algumas pessoas fizeram música com seus vizinhos a uma distância segura do lado de fora, enquanto outras conseguiram fazer com que as reuniões virtuais funcionassem, silenciando todo mundo ou usando softwares especializados. Ainda assim, além da luta contra a fadiga do Zoom, esse tipo de ensaio é inviável para grupos maiores.

Músicos anseiam por apresentações presenciais, mas mesmo em locais onde o lockdown está diminuindo gradualmente, grandes reuniões de grupo parecem muito distantes. Isso não apenas torna improvável que assistiremos a um concerto em breve, como também dificulta o ensaio de bandas. O coral de Skagit Valley, no estado de Washington, aprendeu isso da pior maneira. Eles tiveram um ensaio cuidadoso no início de março, antes da paralisação total. Não abraçaram seus amigos, ninguém tocou ou compartilhou os mesmos instrumentos, todo mundo ficou a um metro e oitenta de distância. Apesar disso, 52 membros do coral contraíram Covid-19 e dois morreram.

Existem outros casos de corais agindo como eventos de disseminação para o novo coronavírus. Em Amsterdã, 102 membros de um coral de 130 pessoas também adoeceram. No entanto, nem todos os pesquisadores estão convencidos de que o ato de cantar em si é o que representa o risco. De fato, ainda não sabemos muito sobre como os músicos espalham partículas do vírus. A Orquestra Filarmônica de Viena trabalhou com a pesquisa médica Fritz Sterz para tentar obter algumas respostas. Eles investigaram a propagação de gotículas por músicos tocando diferentes instrumentos e descobriram que nenhum deles espalhou gotículas além de 80cm. A orquestra concluiu que isso os manteria seguros enquanto sentassem a pelo menos um metro de distância. No entanto, isso não ajuda as orquestras que estão limitadas a pequenos espaços de ensaio, como muitos conjuntos amadores.

Por enquanto, muitos artistas ainda se apresentarão em suas webcams. Pode ser impessoal, e eles estão perdendo os muitos benefícios de tocar juntos, mas pelo menos é seguro.

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