Dono de um bigode inconfundível, que chega a estampar um dos seus livros póstumos, Paulo Leminski é um dos grandes e fundamentais nomes da poesia brasileira. É também um dos autores redescobertos que tem se tornado ídolo de uma nova geração. Morto em 1989, o poeta curitibano caiu nas graças dos millennials e virou uma figura pop. Não por acaso, ele será o autor homenageado da 23ª edição da Flip, a Festa Literária Internacional de Paraty, que começa na próxima quarta-feira (30).
“Ele foi o maior poeta brasileiro de sua geração”, já declarou Augusto de Campos, um dos mais emblemáticos da poesia concreta nacional. Para Toninho Vaz, seu biógrafo na obra “Paulo Leminski, o Bandido que Sabia Latim”, ele foi uma “inesquecível tempestade na cena cultural brasileira”.
O curitibano Leminski foi muito mais do que poeta e cabe em várias categorias, como romancista experimental, letrista, compositor, ensaísta, biógrafo de figuras improváveis e judoca faixa preta. Um artista múltiplo e inquieto, que já traduziu James Joyce e viu suas composições gravadas por nomes como Caetano Veloso, Ney Matogrosso, Arnaldo Antunes e Itamar Assumpção.
Para Ana Lima Cecilio, curadora da Flip 2025, Leminski foi alguém que “enriqueceu a literatura brasileira e ampliou os limites da linguagem para alcançar um público mais amplo”, promovendo um estilo literário acessível, provocativo e rico em referências. Cheio de ironia, crítica social, lirismo e experimentação, o trabalho do curitibano sempre buscou conciliar erudição e popularidade.
Para quem quer se aproximar da produção do autor, a Forbes reuniu 6 obras que ajudam a entender o talento que foi Paulo Leminski.
6 livros para conhecer Paulo Leminski:
Catatau
Romance de estreia (de 1975) e divisor de águas na prosa brasileira do século 20, “Catatau” imagina o filósofo René Descartes em uma viagem alucinada a Pernambuco do século 17. Experimental e ousado.
Caprichos e relaxos
Primeira coletânea de poemas publicada em vida, é uma amostra da maestria de Leminski em equilibrar humor, lirismo e crítica social. Entre temas como amor e morte, foi o livro que tornou seus versos mais conhecidos e acessíveis.
La vie en close
Traz poemas que subvertem o senso comum com rimas inesperadas e reflexões afiadas. Mistura poesia concreta, tradição oriental dos poemas japoneses haiku e da cultura pop brasileira.
Toda Poesia
Antologia essencial que reúne boa parte da obra poética de Leminski, incluindo poemas de “Distraídos Venceremos” e “Caprichos e Relaxos”, além de outros inéditos. Foi com essa edição da Companhia das Letras que muitos leitores jovens descobriram o autor.
Vida
Reunião das quatro biografias escritas por Leminski nos anos 1980: Bashô, Cruz e Sousa, Jesus Cristo e Trotski. Publicadas originalmente separadas, ganham aqui unidade sob a ótica poética de um autor que via conexão entre todas essas figuras. Uma leitura tão informativa quanto autoral.
Gozo Fabuloso
Único livro de contos de Leminski, perdido depois da morte do autor e de seu editor logo depois, esta obra foi reeditada e será lançada em 8 de agosto pela editora Todavia. Reúne textos curtos, crônicas e esboços que mostram seu talento também na prosa curta, com um tom erudito, pop, cômico e lírico. Um “esquisito legal”, segundo Alice Ruiz, sua esposa, poeta e organizadora do volume.
Bônus: O Bandido que Sabia Latim
Esta biografia de Paulo Leminski escrita por Toninho Vaz reúne mais de 80 entrevistas e materiais inéditos para compor um retrato generoso e direto do curitibano – o “ex-estranho” que virou referência incontornável da literatura brasileira. A edição traz fotos inéditas, rascunhos de textos inacabados e um capítulo dedicado à revelação do filho desconhecido, Lucky. Ideal para quem quer entender o homem por trás do talento.






