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4 Desejos de Lenny Niemeyer para o Verão 2026

Inspirada no Inhotim, a coleção fala de arte, botânica e arquitetura

4 min

Em Inhotim, o museu a céu aberto na cidade de Brumadinho (MG), a arte é como uma pedra incrustada, não na rocha, mas em meio à natureza. A visita causa um impacto que permanece na memória. Essa sensação intensa é o que inspira o verão 2026 de Lenny Niemeyer, desfilado no sábado (23/08) no Rio de Janeiro. 

O casting diverso de modelos, com direito a mulheres  maduras – e rostos clássicos da marca, como Gianne Albertoni, Daiane Comparato e Raica Oliveira – desfilou no Palácio Gustavo Capanema, uma joia modernista no Centro. A escolha faz diálogo direto com um dos pilares da Lenny, a arquitetura.

“Fizemos uma imersão na botânica do parque, que se refletiu na passarela com novas formas e cores. Elas retratam a natureza exuberante, porém com inspiração modernista. Uma botânica artsy”, resumiu a estilista para a coluna. Conheça os temas que ajudam a sintetizar os desejos da marca para a próxima temporada.

Natureza & arte

O Inhotim, por si só, compreende dois temas que são a cara da marca: a botânica e a arte. E ainda tem um bônus: a arquitetura. “Mais do que uma galeria específica, a própria sobreposição de jardins, concreto, imagens e sons foi a grande inspiração para o desfile, num caleidoscópio de sensações”, explicou à coluna Telma Azevedo, diretora de estilo da Lenny. As formas são retas como no concreto ou arredondadas como na natureza; as cores são vivas como nas folhas e flores novas, ou esmaecidas como nas sementes caídas no solo; as estampas botânicas abstratas convivem com os tecidos lisos, e as proporções são amplas e também justas. Desse mix, surgem peças com detalhes que convidam a um exame minucioso. 

Exuberância em 3D

Estampa é algo que Lenny domina. Por meio de seu olhar, a flora nacional já foi trabalhada de infinitas maneiras. Desta vez, o impacto dos jardins do Inhotim é mais importante do que a representação pictórica de uma planta ou outra, e o resultado é quase impressionista. O destaque vai para o 3D: a folha em formato de coração (filodendro) é construída como dobradura para se transformar em top. As flores são plissados em formato gigante. A vista do jardim vai bordada em tufting multicor, com aspecto de tapeçaria. As formas saem do corpo assim como as plantas tropicais se levantam, majestosas, na Mata Atlântica. 

Valorizar o made in Brazil 

Lenny declara que quer celebrar o que o Brasil tem de melhor: suas riquezas naturais e a produção criativa. Por isso, a coleção destaca materiais como o látex da Amazônia, que vem do Acre; as peles de salmão e pirarucu, as sementes e a seda rústica. Assim ela prova, mais uma vez, que maiôs vão muito além da láicra.

A pureza das linhas modernistas

Fechado para reforma em 2019, o Palácio Capanema, local escolhido para abrigar o desfile, reabriu as portas em maio. A construção modernista de 1945 tem projeto assinado por Oscar Niemeyer e Lúcio Costa, e recebeu “pitacos” de Le Corbusier. As modelos subiam a escadaria em espiral, de degraus largos, e chegavam ao piso onde caminhavam pelo espaço amplo, sustentado por pilotis, e envidraçado, com vista para o mural de azulejos assinado por Paulo Osir. Um espetáculo.

Donata Meirelles é consultora de estilo e atua há 30 anos no mundo da moda e do lifestyle.

Os artigos assinados são de responsabilidade exclusiva dos autores e não refletem, necessariamente, a opinião de Forbes Brasil e de seus editores.

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