Morreu nesta quinta-feira (4), aos 91 anos, o estilista italiano Giorgio Armani. A informação foi confirmada pela empresa que leva seu nome. Conhecido como “Re Giorgio” (Rei Giorgio), Armani foi um dos nomes mais influentes da moda no século 20, sinônimo de uma elegância sóbria e moderna que se tornou o uniforme da aspiração nos anos 80 e redefiniu o luxo italiano para o mundo.
Segundo o comunicado da empresa, Armani “faleceu pacificamente, cercado por seus entes queridos” e, “incansável até o fim, trabalhou até seus últimos dias”. O estilista já vinha com a saúde debilitada e foi forçado a se ausentar dos desfiles de sua marca na Semana de Moda Masculina de Milão em junho, a primeira vez em sua longa carreira que perdeu um evento de passarela.
Considerado o designer de moda italiano de maior sucesso na história, Armani foi também seu mais bem-sucedido empreendedor. Ele era o único acionista de sua empresa, a Giorgio Armani S.p.A., um império que começou do zero em 1975 — com o dinheiro da venda de seu Volkswagen Fusca — e hoje movimenta cerca de 2,3 bilhões de euros por ano, com mais de 8.000 funcionários e interesses que se expandiram para hotelaria, decoração e até doces.
A fortuna pessoal de Armani era estimada em US$ 12 bilhões pela Forbes, em grande parte graças à sua participação de 99,9% na grife homônima. O 0,1% restante pertence à Fundação Giorgio Armani, com sede em Milão, que ele criou em 2016 para “garantir orientação contínua para a gestão futura da empresa”. Armani também possuía uma participação de 2% na gigante de óculos EssilorLuxottica, que valia US$ 3,2 bilhões quando faleceu, além de centenas de milhões de euros em imóveis e um iate de US$ 29 milhões chamado Main.

Em uma entrevista à Vogue em março de 2021, Armani afirmou que planejava passar a empresa de capital fechado para sua família e seu parceiro comercial mais próximo, nomeando sua sobrinha Roberta Armani e seu braço direito Leo Dell’Orco como seus herdeiros. Ele também afirmou que manter a marca independente e privada “não era tão estritamente necessário”, sugerindo a possibilidade de vendê-la ou firmar parceria com outra empresa. Em entrevista ao Financial Times em 29 de agosto, dias antes de sua morte, ele afirmou que planejava que sua sucessão fosse uma “transição gradual” para Dell’Orco, membros de sua família e sua equipe de trabalho.
“Sempre tento manter um senso de realidade e garantir que me cerque das pessoas certas, que entendam os tempos em que vivemos”, disse ele à Forbes em 2017, na edição de 100 anos da revista. “Neste trabalho, minha equipe é crucial. Sou eu quem decide, mas gosto de ter muitas outras pessoas com quem possa discutir ideias, pois isso ajuda no processo criativo.”

A vida de Giorgio Armani
Nascido em 11 de julho de 1934, Armani iniciou sua carreira de forma tardia, fundando a empresa aos 40 anos. Antes disso, trabalhou por sete anos na loja de departamentos La Rinascente, em Milão, e depois por seis anos com o alfaiate Nino Cerruti. Sua grande virada na moda veio com a criação do paletó desconstruído: uma peça leve, fluida e sem forros, que libertou o corpo masculino da rigidez da alfaiataria tradicional e que ele, de forma genial, adaptou para o guarda-roupa feminino.
O sucesso foi meteórico. Sua próxima grande chance veio em 1980, quando ele foi convidado para desenhar o guarda-roupa de Richard Gere no filme de sucesso Gigolô Americano. Em 1982, apenas sete anos após fundar sua marca ao lado do parceiro de vida e negócios, o arquiteto Sergio Galeotti, Giorgio Armani estampou a capa da revista Time, o ápice do reconhecimento cultural da época. Conhecido por supervisionar cada detalhe de seu império, do design das coleções à publicidade, ele se consolidou como um pilar da cultura e da economia italiana.

Ao longo dos anos, Armani expandiu para oferecer acessórios, perfumes, maquiagem e roupas esportivas, bem como linhas de preços mais baixos, como Emporio Armani e Armani Jeans.
A tragédia aconteceu em 1985, quando Galeotti morreu de AIDS, mas Armani seguiu em frente. À medida que o negócio crescia, sua estatura também crescia: Armani foi nomeado cavaleiro da Ordem do Mérito da República Italiana, a mais alta honraria civil da Itália, em 1987; mais tarde, ele foi nomeado embaixador da boa vontade do Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados em 2002 e se juntou à Legião de Honra Francesa em 2008. Naquele mesmo ano, ele também mergulhou os pés na propriedade esportiva ao adquirir o time de basquete Olimpia Milano.
Durante sua longa carreira na moda, Armani foi pioneiro em tendências, incluindo a disponibilização de desfiles de alta-costura na internet, quando firmou parceria com o msn.com para transmitir ao vivo a apresentação de sua coleção de verão em Paris, em 2007. Em fevereiro de 2020, ele foi o primeiro grande estilista a cancelar um desfile devido à pandemia de Covid-19, optando por realizar seu desfile em Milão virtualmente. Um mês depois, Armani doou cerca de US$ 2,4 milhões (2 milhões de euros) para hospitais em Milão, Roma, Bérgamo, Piacenza e Versilia, e para a agência italiana de proteção civil. Semanas após o país entrar em lockdown para combater o vírus, Armani também converteu toda a produção das fábricas italianas da empresa para a produção de macacões médicos.

“Como a história nos ensina, novas oportunidades nascem dos momentos mais profundos de crise”, disse ele à Forbes em março de 2020.
De acordo com a empresa, uma câmara funerária será instalada em Milão no sábado e no domingo, seguida por um funeral privado em data a ser definida.