A cada edição, o relatório World’s Best Cities avalia centenas de destinos globais. O objetivo é identificar quais lugares estão influenciando a forma como se vive, trabalha e explora. A lista de 2025 analisa mais de 270 cidades com mais de um milhão de habitantes.
Diferentemente de rankings baseados em um único indicador, a Resonance considera centenas de fatores, como conectividade aeroportuária, níveis educacionais, cultura, vida noturna e indicadores de mídia social. As análises são combinadas com respostas de mais de 21 mil pessoas em 30 países.
A Resonance então classifica as cidades pelo chamado Place Power Score, que considera três pilares: habitabilidade, atratividade e prosperidade. Habitabilidade inclui métricas como qualidade do ar, caminhabilidade, saúde e padrão de vida. Atratividade inclui métricas como popularidade no Google Trends, número de vídeos no TikTok, vida noturna, museus e outros fatores. Prosperidade inclui o número de grandes empresas, produção econômica, ecossistema de negócios, taxa de desemprego e outros indicadores.
Segundo o presidente da Resonance, Chris Fair, a metodologia foi atualizada “para capturar essa renovação urbana”. O relatório também passou a integrar dados de plataformas como Weibo e Xiaohongshu, ampliando a cobertura global e incluindo perspectivas locais.
O relatório World’s Best Cities é publicado em um momento de retomada do turismo internacional e de mudanças no modo como as pessoas escolhem onde morar, impulsionadas pelo trabalho remoto. Para indivíduos e empresas, os resultados apontam quais destinos estão em expansão e por quais razões.
A melhor cidade do mundo
Pelo 11º ano consecutivo, Londres foi considerada a melhor cidade do mundo. A cidade recebeu nota 2 em prosperidade, 2 em atratividade e 3 em habitabilidade. Entre outros destaques, ocupa o 1º lugar em aeroportos e em grandes empresas.

Em 2024, os gastos de viajantes internacionais alcançaram quase US$ 22 bilhões (R$ 116,2 bilhões), acima dos US$ 17,4 bilhões (R$ 91,9 bilhões) de 2023, superando destinos como Nova York e Dubai.
Londres também está entre as principais cidades globais em investimento estrangeiro direto em tecnologia e possui um número recorde de restaurantes com estrelas Michelin.
O mercado imobiliário residencial está estável, mas compradores norte-americanos têm aumentado as consultas a corretores locais. O setor imobiliário comercial também registrou aumento de interesse dos Estados Unidos: segundo a Resonance, US$ 3,78 bilhões (R$ 20,0 bilhões) em fundos norte-americanos foram investidos em propriedades comerciais no Reino Unido no primeiro trimestre de 2024.
Nova York: a melhor cidade dos EUA
Nova York ultrapassou Paris e ficou em segundo lugar no ranking. A cidade recebeu nota 2 em prosperidade, apoiada por uma economia diversificada que inclui finanças, mídia e tecnologia. Obteve nota 2 em atratividade, com destaque para a cena artística, a gastronomia e a abertura de novos hotéis e atrações. Em habitabilidade, recebeu nota 3.

O relatório destaca a “dinâmica” da cidade, observada desde os escritórios de Hudson Yards até as escadarias de Bed-Stuy. Nova York está entre as primeiras posições globais em teatros, concertos e museus.
A modernização da infraestrutura também exerce papel importante. Da renovação dos aeroportos LaGuardia e JFK à ampliação de parques e áreas verdes à beira-mar, a cidade passa por um processo de atualização abrangente.
As melhores cidades do mundo
Paris passou do 2º lugar no ano anterior para o 3º. Às vésperas dos Jogos Olímpicos de 2024, a cidade investiu em transporte mais limpo, espaços públicos e revitalização das margens do rio — avanços que seguem até 2026. A indústria de hospitalidade responde por mais de US$ 35 bilhões (R$ 184,8 bilhões) ao ano, com projeções próximas de US$ 50 bilhões (R$ 264,0 bilhões) até 2032. Com alta caminhabilidade, expansão das ciclovias e medidas para pedestres, Paris mantém destaque tanto em habitabilidade quanto em atratividade.

Tóquio permanece em 4º lugar, com reconhecimento pela segurança, gastronomia e planejamento urbano. O relatório aponta que o país recebeu quase 37 milhões de visitantes internacionais em 2024 e atingiu recordes mensais em 2025.
Madrid, que subiu do 13º lugar para o 5º, foi destacada por investimentos voltados à sustentabilidade e à renovação de áreas urbanas e naturais. O Brasil aparece duas vezes na lista: em 18º lugar, com a cidade de São Paulo, e em 42º lugar, com o Rio de Janeiro.
Tendências globais
A Europa segue dominante no top 100, mas a Ásia se aproxima rapidamente. A região Ásia-Pacífico mostra forte retomada do turismo internacional, com crescimento acelerado conforme os fluxos de viagem se deslocam para o leste.

Entre as cidades da região no top 20 estão: Tóquio (4º), Cingapura (6º), Sydney (11º), Seul (13º), Pequim (15º), Xangai (16º) e Hong Kong (19º), além de Istambul em 20º.

As cidades também lidam com temas como impactos das mudanças climáticas, mudanças geopolíticas, realinhamentos comerciais e adoção acelerada de IA. Segundo o relatório, a IA pode ter efeitos mais profundos nos centros urbanos do que a pandemia.