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Como Tom Garfinkel Tem Transformado Miami no Epicentro do Esporte

CEO do Miami Dolphins e vice-presidente do Hard Rock Stadium lidera a transformação que reposicionou a cidade no mapa global do entretenimento

7 min

O coração de Miami, onde a cultura vibrante e a energia cosmopolita se fundem, um fenômeno notável está se desenrolando diante de nossos olhos. Em menos de uma década, a cidade se consolidou como verdadeiro epicentro do esporte e do entretenimento mundial. Dos grandes torneios de tênis ao automobilismo de elite, passando pelo futebol americano, o beisebol e o futebol, Miami tornou-se destino obrigatório para atletas, fãs e investidores globais.

À frente dessa transformação está Tom Garfinkel, CEO do Miami Dolphins e vice-presidente do Hard Rock Stadium. Sob sua liderança, a organização não apenas fortaleceu a tradição do futebol americano na cidade, mas também reposicionou Miami como plataforma global para o esporte e o entretenimento. Nossa conversa revelou a visão estratégica por trás desse movimento, os bastidores de um mercado altamente competitivo e as lições de liderança que moldam essa nova era.

O novo DNA do entretenimento

Garfinkel não começou sua carreira nos palcos esportivos mais grandiosos. Seu primeiro contato com o mundo dos negócios veio por um caminho improvável: atrás do balcão de um bar. Recém-formado pela Universidade do Colorado, sem um plano claro, ele se viu em Chicago dormindo no sofá de um amigo e tentando entrar na indústria esportiva. O trabalho em bares próximos ao Wrigley Field, centenário estádio de beisebol do Chicago Cubs, ensinou-lhe lições valiosas sobre gestão, estratégia e dinâmica do consumidor.

“Eu queria trabalhar com esportes, mas ninguém queria me contratar”, relembra Garfinkel. Foi seu pai quem lhe deu um conselho que mudaria sua trajetória: não importa onde você está, o importante é estar aprendendo. Ele compartilhou ideias sobre como melhorar a operação do bar onde trabalhava e, pouco tempo depois, estava gerenciando três estabelecimentos.

Essa experiência prática abriu portas para cargos executivos na cervejaria Miller Brewing Company e na Texaco, onde liderou programas de motorsport, incluindo Nascar e kart. Mais tarde, ingressou no beisebol, chegando à presidência do San Diego Padres, antes de assumir os Dolphins e o Hard Rock Stadium. Se há um fio condutor nessa jornada, é a percepção de que esporte, hospitalidade e negócios estão mais interligados do que nunca.

Miami Dolphins/Hard Rock StadiumGrande Prêmio de Fórmula 1 realizado ano passado, em Miami

No fim do dia, seja um jogo da NFL, um GP de Fórmula 1 ou um grande show, a experiência do público é o que define seu sucesso. “Quando você olha para um evento como a Fórmula 1 em Miami, o que vê? Infraestrutura de primeira linha, espaços premium, gastronomia de alto nível. Esporte é entretenimento, e entretenimento é hospitalidade”, pontua Garfinkel.

F1: uma ideia visionária

O projeto de trazer a Fórmula 1 para Miami foi uma aposta ousada. Começou com um pensamento provocador: e se construíssemos uma pista de corrida ao redor do Hard Rock Stadium?

A ideia inicial era levar o circuito para o centro da cidade, mas as complexidades logísticas, os custos elevados e as barreiras políticas tornaram essa opção inviável. “Eu sempre soube que eventos ao vivo criam novos fãs. Assistir a uma corrida pela TV nem sempre é envolvente para quem não conhece o esporte, mas estar presente no evento transforma a experiência”, diz ele.

O conceito foi apresentado à Fórmula 1 e, após longas negociações – interrompidas temporariamente pela pandemia –, o projeto foi aprovado. Em 2022, o Grande Prêmio de Miami estreou no calendário da F1, trazendo uma nova abordagem para o automobilismo nos EUA.

Miami Dolphins/Hard Rock StadiumDetalhe da curva do circuito de F1 em Miami

O evento, realizado no Hard Rock Stadium, foi meticulosamente planejado para oferecer uma experiência premium. Desde os exclusivos Paddock Club e Hospitality Suites até a conectividade fluida do circuito, tudo foi desenhado para transformar o GP em um evento social e esportivo de alto padrão.

“O primeiro ano foi um desafio gigantesco. Tivemos que construir um autódromo em 11 meses, com todas as dificuldades de logística, custos e fornecimento de materiais pós-pandemia”, revela. Desde então, cada edição trouxe melhorias significativas. “Criamos um evento de experiência global, mas com identidade local. Queríamos que os fãs se sentissem em Miami, que vivenciassem o que a cidade tem de melhor em cultura, gastronomia e entretenimento.”

E os números comprovam o acerto dessa proposta. Na última edição, o Brasil foi o quarto maior mercado internacional em número de espectadores, reflexo do crescente interesse dos brasileiros pela Fórmula 1 e pelo próprio Hard Rock Stadium como destino esportivo.

O fator Miami no esporte global

Se há hoje uma cidade que simboliza a ascensão meteórica do esporte como indústria global, essa cidade é Miami. O Hard Rock Stadium já recebeu Super Bowls, finais de College Football, Copa América, Mundial de Clubes e agora se prepara para a Copa do Mundo Fifa 2026. “Miami se tornou polo esportivo e cultural de alcance mundial. Em que outro lugar você pode ver Lewis Hamilton, Messi, Taylor Swift e Serena Williams se apresentando no mesmo palco?”

Miami Dolphins/Hard Rock StadiumQuadra de tênis durante o Miami Open 2024

A resposta inclui a transformação do Hard Rock Stadium em um hub de entretenimento premium. Além dos eventos esportivos, a estrutura recebe alguns dos maiores nomes da música e eventos corporativos de alto nível.

O segredo do sucesso? Gestão, experiência do cliente e inovação. O Precision Club, por exemplo, é um projeto revolucionário que transformou a pista de F1 em um circuito exclusivo para membros. O espaço também foi adaptado para oferecer experiências VIP durante jogos dos Dolphins, como tailgates de luxo nas antigas garagens da F1. “Criamos um ambiente onde os fãs podem vivenciar o esporte de maneira diferenciada, seja no automobilismo, no futebol americano ou no entretenimento em geral”, explica Garfinkel.

Miami Dolphins/Hard Rock StadiumTorcedores do Miami Dolphins fazem a festa no embate contra o New England Patriots, dia 24 de novembro de 2024, nos domínios do Miami

O Brasil no radar

Se Miami se tornou referência no esporte, nada mais natural que a entrada do Brasil no radar dos players do setor. A NFL já deu sinais de que pretende expandir sua presença na América Latina, e os Dolphins querem ser o time do Brasil. “Nossa intenção é investir no Brasil como nunca fizemos antes. Queremos construir uma base de fãs forte e, eventualmente, levar um jogo dos Dolphins para São Paulo ou Rio de Janeiro”, revela Garfinkel.

Miami Dolphins/Hard Rock StadiumTom Garfinkel no jogo entre Miami Dolphins e Buffalo Bills

A recente estreia da NFL no Brasil, com o jogo entre Philadelphia Eagles e Green Bay Packers realizado na Neo Química Arena, em São Paulo, foi sucesso absoluto. Mas Garfinkel acredita que um jogo no Maracanã – ou até mesmo na Arena da Amazônia, que sediará a COP30 – poderia elevar ainda mais essa conexão entre Miami e o Brasil. “O Brasil tem uma base apaixonada de fãs de esportes. Estamos apenas começando essa jornada e queremos fazer parte dela de forma mais significativa”, conclui.

O legado

O que Miami está construindo vai além do esporte. Trata-se de uma nova forma de pensar o entretenimento, em que infraestrutura, experiência do público e hospitalidade caminham lado a lado para criar algo verdadeiramente global. Tom Garfinkel e sua equipe não estão apenas administrando times e eventos. Eles estão redefinindo a maneira como vivemos o esporte. E, ao que tudo indica, esse jogo está apenas começando.

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