A busca pelos melhores países para morar tem crescido. De acordo com uma nova pesquisa da International Living, 66% dos americanos afirmam que as condições atuais nos Estados Unidos os tornaram mais propensos a se mudar para o exterior mais cedo do que planejavam.
Segundo Jennifer Stevens, editora-executiva da International Living, os principais fatores são o aumento do custo de vida, o desgaste político e a busca por um cotidiano mais simples, saudável e conectado. Também há interesse em maior controle sobre o futuro, por meio de uma segunda residência ou de um plano alternativo.
A questão central, portanto, não é se vale a pena sair do país, mas para onde ir. É nesse contexto que entra o Índice Global de Aposentadoria 2026 da International Living. Em seu 35º ano, o relatório utiliza informações de expatriados para classificar os melhores destinos do mundo para uma vida satisfatória no exterior, considerando custo de vida, sistema de saúde, clima, vistos e facilidade de integração à vida local.
Apesar do nome, o índice tornou-se igualmente relevante para pessoas mais jovens que buscam um ritmo de vida diferente, especialmente trabalhadores remotos, profissionais com horários flexíveis e famílias.
De acordo com Stevens, embora o índice tenha sido concebido pensando em aposentados, os critérios avaliados — saúde, custo de vida, infraestrutura, clima e vistos — são igualmente úteis para quem ainda está em atividade profissional.
Outro diferencial do Índice Global de Aposentadoria é sua metodologia. O relatório não se baseia apenas em estatísticas agregadas ou opiniões online. Ele combina dados objetivos com relatos diretos de expatriados que vivem nos destinos avaliados.
Segundo Stevens, o índice foi desenvolvido para ter utilidade prática, reunindo estatísticas e experiências reais de pessoas que vivem nos locais analisados, sem recorrer a dados colaborativos genéricos ou conteúdos gerados por inteligência artificial.
Os correspondentes da International Living informam custos de moradia com base em anúncios reais em bairros onde expatriados vivem. As avaliações de saúde consideram qualidade, custo e acesso a especialistas. Questionários sobre custo de vida abrangem despesas como serviços públicos, alimentação, refeições fora de casa e passagens aéreas. O índice também avalia caminhos para residência, infraestrutura, clima e um indicador de afinidade, que mede o quão fácil é para recém-chegados se sentirem integrados.
O melhor país do mundo para viver
O ranking deste ano trouxe mudanças significativas. Pela primeira vez, a Grécia conquistou o primeiro lugar na lista da International Living, superando destinos tradicionais como Portugal e Espanha.
Durante muito tempo, a Grécia foi associada principalmente a ilhas e vilarejos de casas brancas. O que mudou é que o país passou a oferecer condições práticas para a construção de uma vida no exterior. Segundo Stevens, a liderança da Grécia no índice de 2026 resulta da combinação de uma economia em recuperação, sistema de saúde de boa qualidade com preços acessíveis, opções de residência viáveis e um custo de vida inferior ao de grande parte da Europa Ocidental.

De acordo com os correspondentes da International Living, o país vive um momento favorável, com infraestrutura moderna e estabilidade, sem a inflação de preços observada em outros polos do Mediterrâneo.
Relatos indicam que expatriados conseguem viver confortavelmente com um orçamento mensal entre US$ 2,5 mil e US$ 3,2 mil (R$ 13,2 mil a R$ 16,9 mil), incluindo aluguel. Imóveis próximos ao mar podem ser alugados por valores entre US$ 600 e US$ 1 mil (R$ 3,2 mil a R$ 5,3 mil). Despesas cotidianas permanecem acessíveis: um jantar para duas pessoas com vinho pode custar menos de US$ 30 (R$ 158,4) em diversas localidades.
No aspecto prático, a Grécia se destaca em áreas relevantes para estrangeiros. O sistema de saúde é moderno, tem boa qualidade e custa uma fração do valor praticado nos Estados Unidos, além de contar com médicos que falam inglês e boas opções de atendimento privado.
A obtenção de residência também se tornou mais simples. O sistema de vistos do país está entre os mais acessíveis da Europa. O programa Golden Visa reformulado inclui a possibilidade de investimento de 250 mil euros (R$ 1,6 milhão) em projetos específicos de restauração e conversão, além dos vistos para pessoas financeiramente independentes e para nômades digitais que continuam trabalhando.
Segundo Stevens, o fator decisivo é o momento atual do país: a qualidade de vida cresce em ritmo mais rápido do que o custo de vida. Portugal e Espanha já passaram por esse processo anteriormente, enquanto a Grécia vive essa fase agora, o que impactou de forma relevante o resultado deste ano.
Como a Grécia superou Portugal e Espanha
Em anos anteriores, Portugal e Espanha lideraram o índice. Ambos permanecem entre os dez primeiros em 2026, mas a diferença de custo aumentou.
Segundo Stevens, a demanda internacional manteve pressão sobre os mercados imobiliários e de aluguel em Portugal e Espanha. Em áreas populares — como Lisboa, Porto, Algarve, Andaluzia e Costa Blanca — os preços continuam subindo ano após ano. Embora esses países ofereçam sistemas de saúde de alta qualidade, boa infraestrutura e clima favorável, a diferença de custo em relação à Grécia se ampliou em 2026.

Mudanças regulatórias também influenciaram esse cenário. Portugal encerrou o Golden Visa para imóveis residenciais e descontinuou gradualmente o regime fiscal para residentes não habituais, que atraía muitos estrangeiros. A Espanha mantém boas opções de visto, mas os processos tendem a ser mais burocráticos e exigem comprovação financeira mais elevada do que na Grécia.
A Grécia seguiu o caminho oposto, ampliando e esclarecendo suas alternativas. O país introduziu rotas mais claras e flexíveis para residentes estrangeiros, incluindo o Golden Visa reformulado e o visto para pessoas financeiramente independentes, o que reforçou sua reputação de oferecer facilidade e bom custo-benefício.
Por que a Europa domina a lista de 2026
O índice deste ano tem forte presença europeia. Grécia (1º), Portugal (4º), Itália (6º), França (7º) e Espanha (8º) aparecem entre os dez primeiros colocados. Segundo Stevens, esse desempenho reflete uma combinação de estabilidade, segurança e valor no dia a dia. Sistemas de saúde de qualidade, cidades caminháveis, serviços públicos confiáveis e caminhos claros para residência contribuem para esse resultado.

Ainda assim, o preço raramente é o único fator decisivo. De acordo com os levantamentos da International Living, aspectos como acesso à saúde, segurança, senso de comunidade, clima e qualidade geral de vida pesam mais. Muitos dos destinos mais bem colocados oferecem ritmo mais lento, conexões sociais fortes e um estilo de vida mais voltado ao ar livre, características que favorecem a permanência no longo prazo.
Mudar de país com consciência
Nem todas as comunidades recebem bem um grande fluxo de residentes estrangeiros. Em alguns países, há preocupações sobre gentrificação e impactos no mercado imobiliário e na vida cotidiana.
A International Living reconhece essas tensões e recomenda uma abordagem consciente à mudança. Um dos primeiros passos é aprender o idioma local, mesmo em países onde o inglês é amplamente falado, como forma de respeito e integração.
Também é recomendado adotar uma postura responsável no cotidiano, valorizando negócios locais, remunerando adequadamente serviços contratados e evitando áreas excessivamente turísticas, optando por bairros onde o custo de vida é menor e a integração com a comunidade é mais fácil.
A seguir, a lista dos 10 melhores países para morar no exterior em 2026, segundo a International Living.

Ranking: os 10 melhores países para morar
1. Grécia
O país ocupa o primeiro lugar do ranking deste ano, com um ritmo de vida descrito como tranquilo e equilibrado. O relatório da International Living apresenta o caso de Leena Horner, uma expatriada que deixou a carreira médica no Colorado e passou a viver em Corfu, na Grécia. Segundo o relato, o cotidiano local é relaxado, mas consistente, comunitário e equilibrado. Ao comparar com a vida anterior em Boulder, marcada por invernos longos, alto custo de vida e rotina acelerada, a experiência atual é descrita como distante daquela realidade.
Com mais de 300 dias de sol por ano, 227 ilhas habitadas e um forte senso de comunidade, a Grécia alcançou a primeira posição no ranking.

2. Panamá
Vencedor do ranking no ano anterior, o Panamá aparece agora em segundo lugar. O país se destaca pela infraestrutura consistente e pelo sistema de saúde de qualidade, especialmente na Cidade do Panamá. O programa Pensionado é amplamente conhecido por oferecer descontos significativos a aposentados, incluindo despesas médicas, serviços públicos, passagens aéreas e opções de lazer.
Segundo a correspondente da International Living Jess Ramesch, que viveu anteriormente no Oregon e se estabeleceu no Panamá após considerar destinos no Caribe e na Europa, o país oferece vantagens para diferentes perfis etários. Há diversas opções de visto, como o Friendly Nations Visa e um plano recente voltado a trabalhadores remotos e nômades digitais.

3. Costa Rica
A Costa Rica mantém a proposta associada ao conceito de “pura vida”, com florestas tropicais, praias, paisagens vulcânicas, áreas de observação de aves e uma cultura que valoriza o bem-estar. O sistema nacional de saúde é acessível, o atendimento privado tem preços moderados e muitos expatriados relatam melhora na saúde e maior nível de atividade física após a mudança. O país também oferece diferentes caminhos para residência, voltados a pessoas com aposentadoria, poupança ou investimentos.
De acordo com a correspondente da International Living Bekah Bottone, a mudança esteve relacionada à busca por um estilo de vida alinhado a expectativas pessoais. No relato, destaca-se a desaceleração do cotidiano e a presença constante da natureza como fatores centrais da escolha.

4. Portugal
Portugal continua entre os países europeus mais atrativos para expatriados. O aumento de custos nas regiões mais populares impactou sua posição no índice deste ano, mas o país segue bem avaliado graças ao sistema de saúde, cidades com boa mobilidade a pé e à manutenção do visto D7 para renda passiva.
O relatório apresenta o caso de Kimberly Anne, natural da Califórnia, que se mudou sozinha para Portugal em 2022. Segundo o relato, um dos aspectos mais marcantes da vida no país é a receptividade da população, associada a uma sensação consistente de segurança no dia a dia.

5. México
Segundo a International Living, o México abriga a maior população de expatriados norte-americanos do mundo. O sistema de saúde é considerado de alta qualidade e significativamente mais acessível do que nos Estados Unidos. Muitos estrangeiros conseguem manter um bom padrão de vida com orçamentos moderados, especialmente fora das grandes áreas turísticas. Comunidades de expatriados bem estabelecidas e opções relativamente simples de residência, incluindo caminhos diretos para residência permanente em alguns casos, reforçam a atratividade do país.
De acordo com a correspondente da International Living Bel Woodhouse, residente em Cozumel há nove anos, o México combina estilo de vida mais saudável, cultura ativa, atendimento médico acessível e uma ampla comunidade internacional. Mesmo com a elevação de preços em alguns destinos populares, o país continua oferecendo uma relação custo-benefício favorável.

6. Itália
A Itália mantém um apelo duradouro, associado à gastronomia, à história e a um ritmo de vida mais desacelerado. Embora grandes cidades e regiões mais conhecidas apresentem custos elevados, muitas cidades menores e áreas menos exploradas oferecem moradia a preços acessíveis e um cotidiano mais tradicional. Existem também programas voltados à revitalização de áreas rurais ou históricas, com incentivos financeiros ou imóveis a baixo custo. O sistema público de saúde é amplamente considerado um ponto positivo.
O relatório deste ano traz o relato de Cindy Sheahan, viajante em tempo integral que já viveu em diferentes regiões do país, de vilarejos na Úmbria a Palermo, na Sicília. Segundo o depoimento, a receptividade da população local facilita a adaptação, especialmente quando há conhecimento básico do idioma. Ainda assim, é destacado que a burocracia pode exigir paciência durante o processo de mudança.

7. França
A França é um destino frequente entre expatriados que valorizam gastronomia e cultura. O sistema de saúde figura entre os melhores do mundo, e diversas cidades menores e áreas rurais apresentam custos mais acessíveis do que o esperado. De acordo com a International Living, o sudoeste da França vem se destacando como uma região atrativa para aposentadoria, combinando paisagens montanhosas, proximidade do litoral e cidades históricas com forte identidade local.
Tuula Rampont, correspondente da International Living e residente no sul da França desde 2010, descreve a vida no país como a realização de um objetivo. Segundo o relato, elementos associados ao cotidiano francês, como cafés e ruas de paralelepípedos, fazem parte da rotina, mas a experiência se destaca principalmente por um custo de vida mais acessível em comparação ao país de origem, além de um estilo de vida considerado mais saudável e inclusivo.

8. Espanha
Segundo a International Living, a Espanha combina estilo de vida mediterrâneo, infraestrutura sólida e sistema de saúde de alta qualidade. Cidades e regiões litorâneas mais populares registraram aumento de preços, especialmente em áreas turísticas, enquanto cidades do interior e centros urbanos secundários permanecem mais acessíveis. Para muitos estrangeiros, o país equilibra dinamismo, cultura e clima, ainda que a diferença de custo em relação à Grécia tenha aumentado.
O relatório apresenta o caso de Cepee Tabibian, que se mudou do Texas para a Espanha há cerca de uma década e atualmente administra um negócio comunitário voltado a orientar mulheres interessadas em morar no exterior. No relato, a mudança é associada à troca de uma rotina acelerada por um cotidiano mais tranquilo, com sensação de segurança e bem-estar, a um custo inferior ao praticado nos Estados Unidos.

9. Tailândia
A Tailândia é frequentemente citada por seu baixo custo de vida, clima tropical e diversidade de ambientes, que incluem cidades costeiras, ilhas e grandes centros urbanos. De acordo com a International Living, o sistema de saúde é amplamente reconhecido pela qualidade e pelo custo-benefício, especialmente nas principais cidades. O país atrai tanto aposentados quanto trabalhadores remotos, oferecendo uma combinação de conveniência moderna e experiências cotidianas variadas.
Segundo o relato de Bart Walters, expatriado residente no país há 25 anos, o cotidiano na Tailândia é marcado pela simplicidade, com menos burocracia e menos interferências no dia a dia, o que contribui para uma rotina considerada prática e funcional.

10. Malásia
A Malásia completa o top 10, oferecendo infraestrutura moderna e custos atrativos para moradia, alimentação e serviços de saúde. O inglês é amplamente utilizado em diversas regiões, e os vistos de longa permanência tornam o país uma opção relevante para quem busca uma base acessível e confortável no Sudeste Asiático.
O relatório destaca o caso de Keith Hockton, correspondente da International Living na Malásia, residente no país há 12 anos. Segundo o relato, cidades como Penang oferecem um estilo de vida estável, sem excessos, com equilíbrio entre custos e qualidade de vida, característica considerada cada vez mais rara em contextos urbanos contemporâneos.