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Arte da Fotografia de Cassio Vasconcellos Exposta em Trancoso

A série “Sul da Bahia”, em exposição na Galeria Hugo França, chama a atenção para a Mata Atlântica e mostra que o charme de Trancoso vai além da beleza de suas praias

6 min

 Sempre discreto, até meio tímido, mas com os olhos sempre brilhando de curiosidade, o paulistano Cassio Vasconcellos, um dos nomes consagrados da fotografia brasileira, está com a exposição “Sul da Bahia” em Trancoso até o final de fevereiro na galeria de outro talento, o designer-escultor Hugo França, que se mudou de armas e bagagens para o charmoso paraíso baiano há muito anos.

A fascinante narrativa visual de Cassio, que utiliza a fotografia como pincel, é movida por sua paixão pelo Brasil. Seus projetos são verdadeiras aventuras que demoram para finalizar pois resultam de complexas experiências imagéticas sobre as quais ele adora se debruçar sempre em busca de um novo ângulo,  um novo conceito. Em todas elas, o mesmo fio condutor: revelar a poesia do Brasil profundo ou trazer à tona o sufoco do Brasil urbano, sempre enfatizando a pegada da preservação ambiental, a grande bandeira pela qual ele luta. 

A série “Sul da Bahia” teve início há três anos resultando em imagens que exaltam a Mata Atlântica através de uma técnica desenvolvida por ele que rende às fotos ares das gravuras em metal criadas pelos artistas viajantes, como o francês Debret, autores dos primeiros registros visuais da paisagem humana e natural de nossa terra nos idos do Brasil colônia. Mas o que o levou a se inspirar nesses intelectuais estrangeiros que eram um misto de artistas e cientistas sociais tem raízes em seu DNA. Entre eles encontrava-se seu pentavô, o botânico alemão Ludwig Riedel (1790-1861), que acabou ficando por aqui e se tornou o primeiro diretor de jardins da capital do império do Brasil.

Cortesia Galeria Nara Rosler/Galeria Hugo França.Cássio Vasconcellos e Hugo França, exposição Sul da Bahia, 2025/2026, Trancoso/BA.

Como dizia o renomado fotógrafo Juan Esteves (1957-2024) sobre o amigo: “A diversificação do trabalho fotográfico não está condicionada a um estilo, coisas normalmente confundidas pela maioria. É a somatória de tudo isso, além do talento do autor, que produz uma obra sólida sustentada por conceitos e esforços criativos. Vasconcellos tem tudo isso de sobra, o que lhe permitiu transitar por diferentes expressões visuais com tranquilidade desde que iniciou sua carreira em 1981.”

Cassio Vasconcellos sobre sua exposição “Sul da Bahia”:

Quadrado de Trancoso

“É um dos lugares mais mágicos que existem. Não conheço nenhum outro lugar que se compare à experiência espacial, simbólica e sensível do Quadrado”.

Cortesia Galeria Nara Rosler/Galeria Hugo França.Cassio Vasconcellos, exposição “Sul da Bahia”, 2025/2026, Trancoso/BA.

Emoção 

“Procuro transmitir emoção. Acredito que seja a forma mais potente de contribuir, ainda que indiretamente, para a conscientização e a preservação das matas”. 

Árvores Centenárias I

“Para mim, todo o processo é muito prazeroso — desde caminhar pelas florestas, fazer as viagens, até conhecer novos lugares. Mas o auge desse prazer acontece nos momentos de encantamento diante das grandes árvores, aquelas árvores centenárias. Elas se impõem quase como entidades: têm presença, força e uma energia muito particular”.

Árvores Centenárias II

“Estar diante de um desses monumentos da natureza é vivenciar momentos de conexão, de respeito e de silêncio. São os instantes mais marcantes e essenciais do meu trabalho”.

Cortesia Galeria Nara Rosler/Galeria Hugo França.Cassio Vasconcellos, exposição “Sul da Bahia”, 2025/2026, Trancoso/BA.

Maior Desafio I

“Ao fotografar na floresta o maior é lidar com um espaço que, embora extremamente belo e interessante, é também uma grande confusão visual devido aos milhares de planos sobrepostos onde tudo quase tudo é monocromático. Dependendo da luz, isso pode se tornar ainda mais complexo”. 

Maior Desafio II 

“Somando a dureza da luz à complexidade espacial própria da floresta, outro desafio é encontrar uma composição que consiga organizar esse caos — uma imagem mais limpa, mais direta, que conduza o olhar e traduza a experiência sensível do lugar. É nesse esforço de síntese visual que meu  trabalho realmente acontece”.

Modus operandi 

“Levo apenas uma câmera — a mesma que uso há mais de doze anos — e uma única lente. Trabalho sempre acompanhado por um guia local, alguém que conhece bem o território e, muitas vezes, fotografo sem assistente. Essa forma enxuta de trabalhar me permite uma relação mais direta com o lugar e com o tempo da paisagem”.

Drones e helicópteros 

“Além das fotografias feitas em solo, realizo também imagens aéreas com drone. Nao região do sul da Bahia, as imagens aéreas foram feitas tanto com drone e em helicóptero em algumas situações. Esses diferentes pontos de vista ampliam a leitura da paisagem e dialogam com o meu interesse antigo pela fotografia aérea”.

Mata Nativa e Preservação 

“O sul da Bahia abriga áreas fundamentais de Mata Atlântica, como o Parque Nacional do Pau Brasil, o Parque Nacional e Histórico do Monte Pascoal e o Parque Nacional do Descobrimento, além de duas RPPNs: a RPPN Rio do Brasil e a da Reserva Natural da Veracel. Com essas imagens, quero chamar a atenção para esse outro território menos visível, mas essencial, mostrando que Trancoso e seu entorno vão muito além das praias”. 

Mãe Natureza 

“Sigo fotografando as florestas e pretendo continuar por muito tempo, esse processo me dá enorme prazer. Fotografar a Mata Atlântica é uma forma de aprofundar minha conexão com a natureza através do meu próprio trabalho”.

“Cassio Vasconcellos: Sul da Bahia”

Até 28 de fevereiro de 2026

Galeria Hugo França

Rodovia BA 001 Trancoso, Porto Seguro/BA

hugofranca.com.br

Com colaboração de Cynthia Garcia, historiadora de arte, premiada pela Associação Paulista de Críticos de Arte (APCA)  [email protected]

Nara Roesler fundou a Galeria Nara Roesler em 1989. Com a sociedade de seus filhos Alexandre e Daniel, a galeria em São Paulo, uma das mais expressivas do mercado, ampliou a atuação inaugurando filial no Rio de Janeiro, em 2014, e no ano seguinte em Nova York. 

[email protected]

Instagram galerianararoesler 

http://www.nararoesler.com.br/

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