Nesta quinta-feira (2), a Warren, corretora criada em 2017 por ex-executivos da XP, anunciou que concluiu a venda da maior parte de seu portfólio de negócios ao grupo argentino Cocos Capital.
O acordo põe fim a tratativas que se estenderam por quase um ano e inclui a antiga Renascença (Warren Rena) — corretora voltada a clientes institucionais adquirida pela Warren em 2021 —, a gestora de recursos da empresa e sua área de mercado de capitais.
O modelo escolhido para a operação foi uma permuta acionária. Ou seja, os fundos de venture capital que aportaram recursos na Warren ao longo dos anos, entre eles GIC, Citi Ventures e Kaszek, passarão a deter participação na Cocos.
No último ano, a Warren registrou faturamento superior a R$ 200 milhões, operando no ponto de equilíbrio financeiro. Seu principal ativo é justamente a Renascença, responsável por mais de 60% da receita total da companhia. A corretora atende grandes players institucionais — como Itaú BBA e Goldman Sachs — além de tesourarias corporativas e fundos de pensão, movimentando cerca de R$ 10 bilhões diariamente.
Completam o pacote vendido a gestora de ativos, segunda maior fonte de receita da Warren, e a área de mercado de capitais, unidade criada há quatro anos que atua na estruturação de operações de ECM e DCM.
Quem é a fintech argentina que estreia no Brasil
Para a Cocos, a aquisição representa o primeiro passo em direção à internacionalização, ocorrendo em meio a um momento de expansão acelerada da fintech.
Fundada na Argentina em 2021, a empresa tem à frente Nicolás Mindlin — herdeiro de uma família ligada à Pampa Energía, uma das maiores geradoras de energia do país, onde atuou por 12 anos, sendo quatro deles como CFO — e Ariel Sbdar, cofundador com forte presença digital como influenciador do mercado financeiro, somando mais de 200 mil seguidores no Instagram.
A trajetória da Cocos chama atenção pela eficiência. A fintech ultrapassou a marca de 2 milhões de clientes com uma equipe enxuta de aproximadamente 200 pessoas, sem nunca ter captado rodadas de investimento externo. Os sócios iniciaram o negócio com um aporte próprio de US$ 50 mil (R$ 260 mil) e financiaram o crescimento subsequente com a geração de caixa da operação.
A estratégia da companhia se apoia em três pilares: uma plataforma de investimentos digital centrada na experiência do usuário, forte atuação em redes sociais e velocidade no lançamento de novos produtos, orientada pelo retorno direto dos clientes. Um exemplo dessa agilidade foi o lançamento, no verão passado, de uma funcionalidade que permite a usuários argentinos realizar pagamentos no Brasil via Pix.
Ao fim do ano anterior, a Cocos já somava uma receita mensal recorrente anualizada (ARR) de US$ 70 milhões (R$ 364 milhões), com US$ 2 bilhões (R$ 10,42 bilhões) em ativos sob gestão. Agora, a meta da fintech é transformar o Brasil em seu principal mercado em curto prazo.