A Natura anunciou, na quarta-feira (5), um projeto-piloto de uma máquina que cria fragrâncias sob medida para cada cliente. A partir de 54 acordes olfativos, a tecnologia combina até três opções de perfume exclusivas na hora e o consumidor ainda acompanha o envase.
A aposta responde a um movimento de mercado. Uma pesquisa da Dailymotion Advertising divulgada no ano passado indicou que 7 em cada 10 brasileiros enxergam valor no uso da inteligência artificial (IA) em sua jornada de consumo de produtos de beleza. Diante desse cenário, a empresa começa a explorar a tecnologia para a hiperpersonalização de seus produtos.
“O brasileiro tem uma das maiores ligações do mundo com fragrâncias e o país se consolida como o 3º maior mercado global de beleza e cuidados pessoais, movimentando mais de R$ 240 bilhões. Para a Natura, a categoria é o verdadeiro coração do nosso negócio e o principal pilar de prestígio do nosso portfólio”, afirma à Forbes Tatiana Ponce, CMO e Head de Inovação da Natura e Avon.
A experiência começa na interatividade com a IA. A pessoa conversa com uma plataforma em linguagem natural e responde perguntas inspiracionais sobre suas memórias, sensações e preferências. Em seguida, a tecnologia entra em ação e faz a combinação mais adequada conforme o perfil construído.
“Percebemos uma transição clara no comportamento do consumidor: a migração da escolha do produto de prateleira ‘pensado para milhões’ para a busca por algo ‘criado para mim’. O mercado global e nacional vive a era da hiperpersonalização impulsionada por IA. A demanda por produtos que combinem tecnologia, individualidade e sustentabilidade nunca foi tão alta”, afirma Ponce.
Segundo a executiva, a IA aplicada a produtos não é um projeto isolado dentro da Natura, mas a consolidação de uma estratégia de longo prazo focada em hiperpersonalização, ciência de dados e eficácia cosmética.
Os perfumes personalizados vão estrear no FILE Festival, evento de tecnologia que acontece em São Paulo no mês de outubro. Esse será o primeiro contato do público com a experiência interativa criada pela Natura.
Em breve, a empresa também permitirá que seus clientes criem suas próprias bases. Um produto ideal para ser produzido de forma personalizada, já que a cor do cosmético precisa ser o mais próximo possível do tom da pele de quem vai usar. Com algumas dezenas de cores possíveis, a base também servirá de teste para a experiência, mas ainda sem uma data para o lançamento.
“A Natura enxerga a personalização de maquiagens e fragrâncias apenas como os primeiros passos de um ecossistema muito maior direcionado à inovação”, diz a CMO.
Cinco anos de negociação com a Anvisa
Para iniciar a fabricação de perfume em um espaço público, foram necessários novos parâmetros sanitários de controle de qualidade e rastreabilidade.
A Natura liderou um diálogo de cerca de cinco anos com a Anvisa, com o apoio da ABIHPEC (Associação Brasileira da Indústria de Higiene Pessoal, Perfumaria e Cosméticos), para a criação de um Sandbox Regulatório, um ecossistema experimental seguro que permite testar a inovação sob supervisão. As duas iniciativas, perfumes e bases sob medida, integram a fase experimental autorizada pela Anvisa, com duração inicial de um ano.
“O principal retorno nesta fase é o aprendizado, como validar a aceitação do consumidor, acurar os algoritmos de recomendação e pavimentar o caminho para um novo modelo de negócio in loco e sob demanda no varejo brasileiro”, conclui Ponce.