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Mercado Reduz Projeção para Inflação e PIB, Mostra Focus

A expectativa para o IPCA este ano passou de 5,02% para 5,01%

3 min

Nesta segunda-feira (31), economistas consultados pelo Banco Central (BC) voltaram a reduzir as projeções para a inflação e o crescimento da economia brasileira em 2026. Para o próximo ano, porém, a estimativa para a alta dos preços foi revisada para cima, segundo o Boletim Focus.

De acordo com o levantamento, a projeção para o IPCA em 2026 passou de 5,02% para 5,01%. Para 2027, a estimativa avançou de 4,25% para 4,28%. A meta de inflação do BC é de 3%, com intervalo de tolerância de 1,5 ponto percentual para cima ou para baixo.

A revisão das expectativas ocorre após a divulgação de novos dados sobre o comportamento dos preços no país. Na semana passada, o IBGE informou que o IPCA-15 registrou queda de 0,40% em agosto, depois de avançar 0,06% em julho. Foi a primeira deflação do indicador em um ano, puxada principalmente pela redução dos preços da energia elétrica, dos alimentos e dos transportes. Com o resultado, a inflação acumulada em 12 meses ficou abaixo do teto da meta.

Para Edgar Araújo, CEO da Azumi Investimentos, o movimento revela uma combinação de choque de custos, baixa ociosidade em serviços e expectativas ainda frágeis.

“A alta de energia, fretes, alimentação e preços administrados não desaparece apenas porque famílias e empresas reduzem compras financiadas. Além disso, o mercado de trabalho permanece apertado, o que sustenta salários e serviços, justamente a parcela da inflação que responde mais lentamente aos juros”, afirma Araújo. Ele explica que, no exterior, conflitos geopolíticos e oscilações nos preços de commodities convivem com uma economia global que cresce de maneira desigual, mantendo elevada a volatilidade cambial e dos ativos.

As projeções para a atividade econômica também foram ajustadas. A estimativa de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro em 2026 recuou de 1,95% para 1,92%. Para 2027, a previsão permaneceu inalterada em 1,50%.

O mercado acompanha agora a divulgação do PIB do segundo trimestre, prevista para esta terça-feira (1º) pelo IBGE, em busca de novos sinais sobre o ritmo da economia brasileira.

No cenário para os juros, as projeções permaneceram estáveis. Os economistas consultados esperam que a Selic encerre 2026 em 13,75% e recue para 12% ao final de 2027.

Atualmente em 14% ao ano, a taxa básica de juros deve começar a cair na reunião de setembro do BC, segundo as expectativas do Focus. A projeção é de uma redução de 0,25 ponto percentual, levando a Selic para 13,75% ao ano.

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