1. Início
  2. /
  3. Forbes Money
  4. /
  5. IPCA Cai 0,32% em Agosto, Aponta IBGE; Resultado Reforça Corte de 0,25 na Selic, Diz Especialista
Forbes Money

IPCA Cai 0,32% em Agosto, Aponta IBGE; Resultado Reforça Corte de 0,25 na Selic, Diz Especialista

A maior contribuição para a deflação veio de Habitação, que recuou 1,87%

4 min

Nesta sexta-feira (11), o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) informou que o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) caiu 0,32% em agosto, após alta de 0,07% em julho. Com o resultado, a inflação acumulada em 12 meses desacelerou para 4,22%, ante 4,44% no mês anterior.

Para André Valério, economista sênior do Inter, o resultado veio em linha com o cenário esperado, embora a deflação tenha sido um pouco mais intensa que a projeção de queda de 0,28%. “Como esperado, o IPCA registrou deflação em agosto, de 0,32%, mais intensa que o esperado, que era uma deflação de 0,28%”, afirmou Valério.

Dos nove grupos pesquisados, quatro apresentaram queda de preços. Segundo o economista, o principal impacto veio deHabitação, que recuou 1,87%, influenciado pelo bônus de Itaipu e pela queda de 7,63% na energia elétrica residencial.

Transportes também teve deflação, de 0,86%, com recuos de 13,17% nas passagens aéreas e de 0,91% nos combustíveis. Alimentação e bebidas caiu 0,34%, registrando o terceiro mês consecutivo de deflação, enquanto Comunicação recuou 0,09%. Juntos, os quatro grupos retiraram 0,53 ponto percentual do IPCA. Na direção contrária, Despesas pessoais avançou 1,30%, com impacto de 0,13 ponto percentual. O movimento foi impulsionado, principalmente, pela alta de 20% no preço do cigarro.

Valério destacou ainda a melhora na composição da inflação. A média dos núcleos desacelerou de 0,26% em julho para 0,23% em agosto, levando a média móvel de três meses ao menor nível desde novembro de 2025.

“No aspecto qualitativo, o resultado também veio no lado positivo”, afirmou. De acordo com o especialista, a inflação de serviços desacelerou de 0,54% para 0,03%, embora o resultado tenha sido influenciado pela queda das passagens aéreas. Sem esse componente, a inflação de serviços teria ficado em 0,33%, praticamente estável em relação aos 0,31% de julho.

Para André Valério, o impacto pontual do bônus de Itaipu torna os indicadores qualitativos ainda mais relevantes para avaliar a trajetória dos preços. “O que vemos é uma inflação controlada, com a média dos núcleos em patamar bastante acomodado”, disse. Na avaliação dele, os números são compatíveis com uma economia em desaceleração e com menores pressões inflacionárias.

Leonardo Costa, economista do ASA, também avaliou que a composição do IPCA de agosto foi favorável. Segundo ele, houve novos sinais de moderação da inflação de serviços, enquanto os preços dos bens industrializados continuaram o processo de normalização após o choque recente do petróleo. A inflação de alimentos também manteve comportamento benigno.

“Em nossa avaliação, o IPCA manteve um qualitativo benigno, com novos sinais de moderação da inflação de serviços e continuidade do processo de normalização dos preços de bens industrializados após o choque recente do petróleo”, afirmou Costa.

E a Selic?

O economista ponderou, porém, que parte da surpresa baixista registrada em agosto pode ser revertida nos próximos meses. Isso porque a forte queda da energia elétrica provocada pelo bônus de Itaipu tende a ser parcialmente compensada por uma recomposição das tarifas em setembro.

Com o resultado e com a manutenção dos subsídios aos combustíveis, o ASA reduziu sua projeção para o IPCA de 2026 de 5% para 4,8%. Costa ressaltou, contudo, que o balanço de riscos continua relevante, sobretudo diante dos possíveis efeitos do El Niño sobre os preços de alimentos e energia.

“Somado aos dados de atividade disponíveis até aqui, o IPCA de agosto reforça a expectativa decorte de 25 pontos-base da Selicna reunião do Copom da semana que vem”, afirmou Costa.

Valério concorda com a avaliação sobre os próximos passos da política monetária. O economista do Inter espera redução de 25 pontos-base na próxima reunião e manutenção desse ritmo nas demais decisões do ano, levando a Selic a 13,25% em dezembro.

Inflação por categoria — agosto | julho

  • Alimentação e bebidas: -0,34% | -0,67%
  • Habitação: -1,87% | 0,99%
  • Artigos de residência: 0,64% | 0,07%
  • Vestuário: 0,12% | -0,66%
  • Transportes: -0,86% | 0,05%
  • Saúde e cuidados pessoais: 0,23% | 0,40%
  • Despesas pessoais: 1,30% | 0,22%
  • Educação: 0,47% | -0,03%
  • Comunicação: -0,09% | 0,04%
  • IPCA: -0,32% | 0,07%
Assine Forbes. Inspire-se, lidere, conquiste. Ao se cadastrar, você concorda com nossa Política de Privacidade e com o uso de seus dados para fins de comunicação.