Pedro Alliana, de 52 anos, assumiu a Presidência do Paraguai nesta sexta-feira (6), após a destituição de Santiago Peña pelo Senado. Até então vice-presidente, ele passa a comandar o país até agosto de 2028, quando termina o mandato iniciado em 2023. Sua chegada ao poder ocorre em meio a uma das mais graves crises políticas recentes do Paraguai, desencadeada pelo colapso do Ueno Bank e pelas suspeitas de conflitos de interesse envolvendo o governo anterior.
Filiado ao Partido Colorado (Associação Nacional Republicana), força política que domina a política paraguaia há décadas, Alliana construiu sua carreira nos governos regionais e no Legislativo. Sua ascensão também está associada à proximidade com o ex-presidente Horacio Cartes, uma das principais lideranças da legenda e figura central no grupo político que sustenta o atual governo.
Nascido em 19 de fevereiro de 1974, em Pilar, no departamento de Ñeembucú, no sul do Paraguai, Alliana teve uma trajetória que passou pelo esporte, pelo comércio e pela política. Na juventude, integrou a seleção paraguaia de basquete e participou de competições nacionais. Antes de ingressar na vida pública, trabalhou no comércio em sua cidade natal.
Sua primeira tentativa eleitoral ocorreu em 2006, quando disputou a prefeitura de Pilar, mas não conseguiu se eleger. Dois anos depois, conquistou seu primeiro cargo público ao vencer a disputa pelo governo de Ñeembucú, posição que ocupou até 2012.
Em 2013, foi eleito deputado nacional pelo departamento. Permaneceu na Câmara por dez anos, período em que ganhou influência dentro do Partido Colorado e liderou a bancada da legenda entre 2015 e 2023. Também presidiu a Câmara dos Deputados em diferentes momentos.
A trajetória partidária foi decisiva para sua aproximação com Cartes. Alliana presidiu o Partido Colorado por oito anos e se consolidou como uma das lideranças da legenda. O ex-presidente, que governou o Paraguai entre 2013 e 2018, é o principal nome do movimento Honor Colorado, ao qual Alliana está ligado.
Em 2023, Alliana foi escolhido para integrar a chapa presidencial de Santiago Peña como candidato a vice. A dupla venceu as eleições gerais de abril daquele ano e tomou posse em agosto. A parceria, porém, foi interrompida antes do fim do mandato, com a destituição de Peña.
Promessas de Alliana
Em seu primeiro discurso como presidente, Alliana colocou a recuperação dos recursos dos clientes do Ueno Bank no centro das prioridades imediatas do governo. Ele prometeu compensação integral aos afetados pelo colapso da instituição e determinou que as autoridades adotem medidas urgentes para ressarcir os depositantes, com preferência para aqueles em situação financeira mais vulnerável.
“Os compatriotas que hoje atravessam um momento difícil em consequência do colapso financeiro serão plenamente compensados. Não vamos deixá-los sozinhos”, afirmou. Ao cobrar resultados dos responsáveis pela operação, acrescentou: “Não quero ninguém morno à frente dessa missão”.
Além da resposta à crise bancária, o novo presidente anunciou que pretende apresentar ao Congresso um projeto de racionalização dos gastos públicos, com foco na eliminação de despesas consideradas supérfluas. A proposta, segundo ele, busca liberar recursos para áreas sociais e para o atendimento da população mais vulnerável.
Alliana também prometeu mudanças na condução da administração pública. Disse que exigirá prestação de contas diária dos ministros e dirigentes de órgãos estatais, com metas e resultados concretos
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