Dólar tem queda após duas altas com ajuda externa

Rick Wilking/Reuters
A moeda norte-americana caiu 0,27%, a R$ 4,1542 na venda

O dólar fechou em queda ante o real hoje (15), depois de duas altas consecutivas, mas não sem antes renovar no intradia máxima em três semanas, evidência da pressão ainda sofrida pela taxa de câmbio.

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Por volta de 10h20, a cotação bateu a máxima do dia – de R$ 4,1880 na venda, em alta de 0,54%. Mas em seguida a aceleração das perdas do dólar no exterior e a melhora dos mercados de ações ajudaram a amenizar a pressão de alta sobre a taxa de câmbio.

No fechamento do pregão no mercado spot, a moeda norte-americana caiu 0,27%, a R$ 4,1542 na venda. Na B3, o contrato de dólar futuro de maior liquidez cedia 0,62%, a R$ 4,1590, às 17h11.

A queda da moeda no segmento futuro era mais pronunciada devido a um ajuste ao movimento da véspera, quando, com o mercado à vista já fechado, as taxas do dólar na B3 aceleraram os ganhos.

As operações no mercado à vista se encerram às 17h, enquanto as do mercado de derivativos na bolsa vão até às 18h.

“O dólar teve um alívio hoje, mas com viés de alta”, disse Roberto Campos, gestor sênior de câmbio da Absolute Investimentos.

Segundo ele, a moeda brasileira tem demonstrado desempenho pior que o de outras moedas nas últimas semanas conforme o mercado vê frustrada a esperança de diminuição de saídas de recursos do mercado local.

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Dados do fluxo cambial divulgados pelo Banco Central nesta quarta confirmaram que o país voltou a registrar saída líquida de moeda estrangeira na semana passada. O déficit foi de US$ 3,186 bilhões entre 7 e 11 de outubro, na nona semana consecutiva de fluxo negativo. Nesse período, o país perdeu, em termos líquidos, US$ 17,788 bilhões.

Um dos temas mais comentados no mercado para justificar as saídas de recursos é a dinâmica de pré-pagamento de dívida por empresas brasileiras a credores no exterior.

A queda da Selic a sucessivas mínimas recordes reduziu o custo de captação de recursos no mercado local. Com isso, muitas empresas com dívidas em moeda estrangeira decidiram antecipar pagamentos dessas obrigações para se financiarem em reais. Esse movimento gera fluxo cambial negativo, o que exerce pressão de alta para o dólar.

A antecipação de pagamento de dívida pelas empresas é reconhecida pelo Banco Central, e no fim de setembro o presidente da instituição, Roberto Campos Neto, disse que grande parte do movimento de pré-pagamento de dívida corporativa já havia sido feito. Porém, o fluxo segue negativo, e o dólar continua pressionado.

O mercado deposita alguma expectativa de melhora no fluxo com os leilões de áreas de petróleo e gás a ocorrerem em breve. As áreas em oferta no leilão de 6 de novembro juntas somam um bônus de assinatura total fixo de cerca de R$ 106,5 bilhões.

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