Aposta de US$ 116 bi da Samsung em semicondutores aumenta concorrência com gigantes do setor

ReproduçãoForbes
ReproduçãoForbes

A Samsung anunciou que planeja investir um total  de US$ 116 bilhões na próxima década em duas áreas: sistema LSI e fundição

Neste ano, as ações da Samsung Electronics atingiram uma alta histórica, subindo mais de 60% desde o início de 2019. O aumento foi impulsionado pelo otimismo sobre a recuperação dos preços dos chips de memória, mercado que a gigante da tecnologia sul-coreana domina como a maior produtora do mundo.

Embora os chips continuem sendo cruciais para a Samsung –que possui uma ampla gama de negócios, incluindo smartphones e parques temáticos– a volatilidade dos preços está levando o conglomerado a diversificar os negócios de semicondutores. A empresa pretende criar outro grande fluxo de receita, pois o mercado de smartphones, onde a Samsung é também a maior fabricante, parece estar saturado e estagnado.

A empresa de tecnologia com sede em Suwon está gastando bilhões para se fortalecer em outras áreas de semicondutores, o setor que alimenta inteligência artificial e 5G, além de uma infinidade de dispositivos. Décadas atrás, o falecido fundador da Samsung, Lee Byung-chull, fez uma grande aposta em semicondutores que ajudaram a impulsionar a fortuna da empresa e de sua família. Seu filho, Lee Kun-hee, ficou em primeiro lugar na lista mais recente das 50 pessoas mais ricas da Coreia do Sul, com um patrimônio líquido de US$ 16,8 bilhões, enquanto o neto Jay Y. Lee foi o número quatro, com US$ 6,1 bilhões.

Em abril do ano passado, a Samsung anunciou que planeja investir um total de 133 trilhões de wons(cerca de US$ 116 bilhões) na próxima década em duas áreas: sistema LSI (chips sem memória, como processadores de aplicativos) e fundição (fabricação de chips por contrato).

Para um conglomerado com um valor de mercado total de aproximadamente US$ 330 bilhões, a Samsung está fazendo um grande investimento, e analistas questionam se a empresa pode tirar participação dos concorrentes Qualcomm e TSMC, líderes em processadores móveis e fundição, respectivamente.

Processadores móveis

A maior fabricante de smartphones do mundo pode cortar custos e melhorar a eficiência usando seus próprios processadores para seus dispositivos Galaxy. A Samsung tem a terceira maior participação no mercado de processadores móveis, com 16% no terceiro trimestre do ano passado, atrás dos 31% da Qualcomm e dos 21% da MediaTek, de acordo com um relatório da IHS Markit no início deste mês.

VEJA TAMBÉM: Samsung diz que lançará dispositivos inovadores em 11 de fevereiro

A Samsung ganhou espaço da Qualcomm usando seus próprios processadores móveis para seus próprios dispositivos. De acordo com o relatório IHS Markit, a Samsung usou os chips Exynos para cerca de 75,4% dos dispositivos Galaxy, contra 61,4% no ano anterior.

Mas isso não será suficiente. A empresa coreana precisa de mais clientes externos e, para fazer isso, precisa competir com os processadores Snapdragon com melhor desempenho da Qualcomm, usados ​​em smartphones de última geração.

Mesmo se a Samsung fizer processadores móveis tão bons quanto os Snapdragon–o que, segundo Roger Sheng, vice-presidente de pesquisa da Gartner, deve demorar pelo menos três anos–, os maiores fabricantes de smartphones já usam seus próprios chips. A Apple tem seus próprios processadores de série A e a Huawei também está usando cada vez mais seus chips Kirin, de acordo com o relatório IHS Markit.

Na realidade, a Vivo é a única grande fabricante de smartphones atualmente usando chips Exynos, observa Sheng. A Vivo usa os chips da Samsung por ter um longo relacionamento comercial com a empresa coreana, diz Sheng. Além disso, a fabricante chinesa de smartphones precisa de uma alternativa à Qualcomm, com sede em San Diego. “Se houver apenas a Qualcomm, será muito difícil negociar o preço e fabricar produtos diferenciados”, explica ele.

E as tensões comerciais entre os EUA e a China ajudaram a Samsung a aumentar suas vendas para fabricantes de smartphones chineses. “A Vivo continuará a usar a Qualcomm e a MediaTek, mas adicionou a Samsung provavelmente para se diversificar durante essa disputa comercial imprevisível entre as duas potências”, diz Phil Solis, diretor de pesquisa da IDC.

“A situação em que os EUA colocaram a Huawei levou os OEMs chineses [fabricantes de equipamentos originais] a serem cautelosos a longo prazo, quando se trata de confiar demais nos fornecedores de chips dos EUA”, acrescenta ele. Desde o ano passado, o governo dos EUA impediu a Huawei de comprar tecnologia americana por questões de segurança nacional.

Outras grandes fabricantes chinesas de smartphones incluem a Oppo, uma marca irmã da Vivo, e a Xiaomi. Ambas as empresas estão considerando o uso de chips Exynos, mas ainda não decidiram, diz Sheng.

Fundição

O maior desafio da Samsung será no mercado de fundição, que é dominado pela TSMC. De acordo com dados da TrendForce, a fabricante de chips de Taiwan detém 50% da participação de mercado, enquanto a da Samsung é de cerca de 20%.

LEIA MAIS: Bilionário fundador da Victoria’s Secret pode deixar cargo de CEO e vender a marca

A TSMC construiu uma liderança considerável em fundição desde que foi fundada pelo bilionário Morris Chang, em 1987. Está muito à frente da Samsung em termos de tecnologia e capacidade de produção e não tem planos de desacelerar. No ano passado, a TSMC gastou um recorde de US$ 15 bilhões em tecnologia e capacidade, cerca de 50% a mais do que o planejado originalmente. E, no início deste mês, a empresa disse que aumentará os investimentos em 2020 em US$ 1 bilhão.

Além disso, a Samsung tem uma desvantagem única: o conglomerado concorre com potenciais clientes de sua fundição em outras áreas, como smartphones e processadores. Outras grandes fundições, incluindo a TSMC, se concentram exclusivamente em seus negócios de fundição.

A Qualcomm, por exemplo, mudou recentemente os processadores Snapdragon da Samsung para a TSMC. E planeja usar a TSMC novamente nos novos Snapdragon neste ano, informou a revista coreana “BusinessKorea” no mês passado. “A Qualcomm teria sido um grande cliente, mas mudou da fundição da Samsung para a TSMC por causa do conflito de interesses em que a Samsung teria acesso à propriedade intelectual de um concorrente”, diz Solis da IDC.

A Samsung enfrenta uma batalha difícil contra a TSMC, mas o mercado de fundição de US$ 70 bilhões pode ser grande o suficiente para que os dois tenham negócios suficientes. Várias empresas precisam de fundições para tudo, de smartphones a servidores e sensores, e a TSMC, por maior que seja, não pode ser boa em tudo.

“Parece que há espaço suficiente para a Samsung”, observa Solis. “A TSMC estará fabricando a grande maioria dos chipsets 5G para Apple, HiSilicon, MediaTek, Qualcomm e Unisoc, além de chipsets para AMD –que está ganhando participação em relação à Intel– para preencher sua capacidade”.

Conclusão 

Embora o amplo conglomerado tenha uma tarefa difícil de assumir líderes de mercado em processadores móveis e fundição em um futuro próximo, seu histórico em telas de LCD, televisões e telefones celulares mostra que a Samsung já havia superado as probabilidades antes.

Siga FORBES Brasil nas redes sociais:

Facebook
Twitter
Instagram
YouTube
LinkedIn

Baixe o app da Forbes Brasil na Play Store e na App Store.

Tenha também a Forbes no Google Notícias.

Copyright Forbes Brasil. Todos os direitos reservados. É proibida a reprodução, total ou parcial, do conteúdo desta página em qualquer meio de comunicação, impresso ou digital, sem prévia autorização, por escrito, da Forbes Brasil ([email protected]).