Por que a gigante do setor de viagens Thomas Cook foi à falência

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A companhia possui 22 mil funcionários, 9.000 somente no Reino Unido

Resumo:

  • Thomas Cook, operadora de viagens do Reino Unido entra em colapso após fracasso da negociação para injeção de capital;
  • Empresa fundada em 1941 é uma das mais antigas do mundo;
  • Companhia decreta falência e deixa 600 mil clientes em viagem em seus destinos de viagem;
  • Autoridades do Reino Unido montam maior operação de repatriação em tempos de paz para trazer seus cidadão de volta ao país

Dizem que um fracasso nos negócios hoje é um erro de planejamento que começa cinco anos antes. Mas, mais especificamente, a crise da Thomas Cook, é o resultado do fracasso em se preparar para o futuro que estava surgindo, totalmente diferente do que os membros da administração e do conselho da empresa esperavam.

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A gigante do setor de viagens Thomas Cook entrou em colapso ontem (22) após o fracasso da negociação para injeção de £ 200 milhões por parte de investidores privados, para salvar a companhia do endividamento. Hoje (23), a empresa fundada em 1841 decretou falência. Como resultado, 600 mil clientes em viagem ficaram presos em seus destinos. Desses, 150 mil são britânicos. Após a notícia, as autoridades do Reino Unido montaram a maior operação de repatriação em tempos de paz para ajudar seus cidadãos a voltar para casa. A companhia possui 22 mil funcionários, 9.000 somente no Reino Unido.

O projeto para o futuro sempre existe, às vezes até em excesso. A Nokia investiu pesadamente em planejamento. A Kodak também. O problema não é um fracasso nos planos, mas em direcionar esse planejamento para mudanças externas do tipo “goste ou não”, que implicam mais cautela nas ofertas comerciais ou modelos de negócios existentes do que a gerência gostaria.

A causa imediata da queda da Thomas Cook foi o ônus da dívida, a maior parte pelas fusões e aquisições da MyTravel em 2007. Mas o grande motivo, que impossibilitou a companhia de negociar seu débito, foi o fracasso em se destacar nas mudanças do setor e de demanda do consumidor.

A gerência sênior e o conselho da Thomas Cook não conseguiram adaptar as atividades e ganhos da companhia aos novos clientes.

A oportunidade de negócios subjacente em viagens internacionais do Reino Unido ainda está lá. Segundo o relatório da ABTA citado pelo The Guardian, 60% da população do Reino Unido (66 milhões) tirou férias internacionais em 2018. Mas, dentro disso, há uma forte tendência para escapadas curtas e urbanas aos fins de semana e menos férias na praia.

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A Thomas Cook, porém, manteve sua fórmula de passeios de uma ou duas semanas para lugares ensolarados e tentou vendê-los por meio de suas lojas físicas. Somente um em cada sete britânicos usa os pontos de venda, o restante faz reservas online.

A empresa também falhou em responder à considerável estratificação do bem-estar econômico no Reino Unido, facilitada pela austeridade do Partido Conservador e pela transferência de cortes de impostos desde 2010. Onde antes viagens da família para Chipre ou Maiorca estavam ao alcance de muitos, agora são apenas viáveis para uma elite urbana. E esse mercado quer experiências mais sofisticadas e personalizadas do que as oferecidas pela Thomas Cook.

Como nos EUA, a estratificação econômica fez o mercado intermediário encolher em muitos setores.

Quando uma companhia falha em seguir as tendências, adaptar-se às possíveis surpresas e não antecipar suas linhas lucrativas de acordo com as novas circunstâncias do setor, torna-se uma entidade doentia.

E com um sistema imunológico comprometido, o que inclui dívidas, a empresa fica altamente vulnerável a crises ou condições comerciais adversas.

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A enxurrada chegou à Thomas Cook, via Brexit (o momento político gerou incerteza econômica no consumidor em geral) e pela crise climática que levou a expectativas de temperaturas mais altas no Reino Unido. Tudo isso manteve mais pessoas em casa nos últimos dois anos.

Os métodos de preparação para o futuro são como bons suplementos nutricionais: eles direcionam as empresas para que elas estejam prontas para o ambiente de negócios que vier -o que pode ser um tanto quanto inesperado. A orientação é que o momento de perícia e reformas necessárias dos negócios seja usado para construir um novo ambiente.

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