Universidade de Malta cria primeiro programa de pós-graduação focado em blockchain

Joshua Ellul, professor responsável pelo curso, explica porque o país é um local promissor para a tecnologia

Mariana Labbate
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Divulgação / Facebook da Universidade de Malta
Divulgação / Facebook da Universidade de Malta

A Universidade de Malta criou o curso após um grande números de estudantes de economia e negócios procurarem por aulas de blockchain

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Resumo:

  • A Universidade de Malta lançou um programa de pós-graduação focado em ensinar os diferentes aspectos do blockchain;
  • De acordo com o professor Joshua Ellul, o curso abrange aspectos tecnológicos, legais e econômicos;
  • O pequeno país mediterrâneo é mundialmente conhecido por ter leis e regulamentos favoráveis ao blockchain e à criptoeconomia.

A Universidade de Malta agora oferece um curso de pós-graduação focado em ensinar tudo sobre blockchain, das características legais às teorias complexas por trás da tecnologia. Com o nome de “Science in Blockchain and Distributed Ledger Technologies (Business and Finance)” -ou em português, “Ciência do blockchain e de tecnologias descentralizadas (negócios e finanças)- o curso é a primeira e única opção atualmente no mundo que oferece uma abordagem completa e complexa da tecnologia e com aulas presenciais.

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O professor de ciência da computação responsável pelo curso, Joshua Ellul, explicou à Forbes Brasil os detalhes do programa. Para ele, o blockchain está presente no futuro não só de Malta, mas do mundo inteiro, e por isso, a necessidade de profissionais que entendam todos os aspectos e nuances da tecnologia é cada vez maior.

“No curso, temos três ramificações de profissionais: ciência e tecnologia, negócios e economia, e legislação. Todos os profissionais têm uma introdução comum às definições básicas de blockchain. A partir daí, permitimos que os alunos se aprofundem em suas áreas de especialização, mas todos eles aprendem sobre os outros campos”, conta Ellul.

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Na visão do professor, esses profissionais precisam ser capazes de usar os mesmos termos e se entender, para que conversas produtivas permitam o progresso do blockchain. “A longo prazo, temos de considerar a possibilidade de uma nova de profissão, uma espécie de híbrido que possa abranger todos esses aspectos”, diz.

Para os interessados em ciência e tecnologia, é dada a oportunidade de aprender mais sobre programação, por exemplo, e ainda ter aulas sobre o regulamento do blockchain e seus entraves legais. Já estudantes focados em negócios aprenderão a desenvolver os chamados “smart contracts”, essenciais ao blockchain.

O programa oferece o curso integral, que dura um ano, e em meio-período, de dois anos. Esse é a primeira oportunidade que os alunos têm de mergulhar de cabeça no blockchain na entidade. Antes, algumas aulas eram oferecidas a alunos da área de tecnologia, mas com o tempo -e com o avanço da cripto economia- a universidade percebeu um interesse cada vez maior de alunos de economia e administração nessas aulas. Respondendo à essa nova demanda interna e à demanda mundial por esse tipo de profissional, foi criado o curso de pós-graduação em blockchain e tecnologia descentralizada.

“Tudo começou com o boom de ICO’s [sigla em português para ‘oferta inicial de moedas’]”, pontua Ellul. “Foi quando o governo de Malta anunciou que viraria a ‘ilha do blockchain’ e quando muitas pessoas de diversas áreas vieram pedir conselhos a nós, acadêmicos.”

Até agora, o curso tem 30 alunos, mas depois que recebeu atenção da mídia, a universidade foi bombardeada com e-mails de pessoas interessadas de diversas partes do mundo. Ellul, no entanto, disse que a Universidade de Malta não sacrificará qualidade por quantidade.

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Por que Malta?

Malta, o pequeno país europeu no mar Mediterrâneo, conta com aproximadamente 500 mil habitantes. No entanto, a performance e a presença da tecnologia do blockchain no país se destacam o suficiente para que ele seja conhecido mundialmente como “a ilha do blockchain”. Muitas empresas focadas na tecnologia se baseiam em Malta, e muitos dos investimentos em blockchain acabam lá.

Em 2018, o país criou leis que permitem que usuários do blockchain operem seus negócios com uma liberdade considerável, e o processo foi significativamente mais rápido e tranquilo do que o norte-americano, por exemplo, que está acontecendo no momento.

“Uma vantagem de Malta é seu tamanho”, afirma Ellul. “Por ser um país pequeno, a comunicação entre todos os envolvidos é mais fácil. Não temos muitos estados para convencer, como os Estados Unidos.”

Além disso, o professor também explicou que Malta tem experiência prévia com regulamentos de atividades online. Ele explicou que o país baseia inúmeros sites de iGaming -apostas como loterias e cassinos online- e aprendeu muito regulando essas atividades.

Agora, o governo da “ilha do blockchain” aplica essa experiência às regulações da tecnologia, e, pelo apelido do país, a tática está funcionando.

Para Ellul, o “hype” em cima do blockchain não é necessariamente benéfico. “Muitas startups falharam pois tentaram usar o blockchain em tudo e para tudo, não é esse o caso. Precisamos ser prudentes”, ele diz.

O professor também explicou que melhor jeito de se lidar com a expansão do blockchain e da cripto economia é criar um ambiente justo e regulamentado.

“Cripto e blockchain chegaram para ficar, e não há nada que se possa fazer para pará-los.”

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