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Bilionário vê ações de sua gigante petroleira saltarem em meio ao colapso do mercado

Negócios da Frontline Ltd, operadora de navios-tanque, sofreram impacto positivo na guerra de preços

4 min
Divulgação / Frontline
As ações da Frontline Ltd., controlada pelo bilionário norueguês John Fredriksen, fecharam ontem (9) em alta de 7,3% a US$ 7,56 por papel

No mesmo dia em que os preços do petróleo caíram 20% e as ações de gigantes como ExxonMobil e BP caíram 10%, houve um raro vencedor em meio à ruína do setor de energia.

As ações da Frontline Ltd., gigante transportadora de navios petroleiros controlada pelo bilionário norueguês John Fredriksen, fecharam ontem (9) em alta de 7,3% a US$ 7,56 por papel, um salto de 20% desde que atingiram o nível mais baixo na quinta-feira da última semana. Todos os operadores de navios-tanque se saíram bem, com Teekay Tankers (TNK) e DHT Holdings (DHT) apresentando um aumento de 4% e a Euronav (UERN), de 7%.

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A razão para a divergência no preço das ações tem tudo a ver com a surpresa da decisão da Arábia Saudita de inundar seus clientes com um milhão de barris extras por dia de combustível ultra-barato.

“A surpresa da Arábia Saudita em baixar os preços do petróleo em abril e sinalizar aumentos na produção afetaram instantaneamente a demanda dos petroleiros”, escreveu o CEO da Frontline, Robert Hvide MacLeod, em um e-mail à Forbes hoje. “A curva do petróleo também mudou, levando os comerciantes e grandes empresas do setor a solicitar ofertas de armazenamento”.

Ao contrário do comportamento normal do mercado, no qual um barril em mãos hoje vale mais do que a promessa de um futuro, o movimento saudita colocou as atividades comerciais no chamado contango –quando há tanta oferta que o preço do barril no futuro é maior do que o de atualmente.

Um comerciante perspicaz poderia ter comprado 2 milhões de barris a US$ 31 por unidade, depois vendido o petróleo bruto para entrega em junho (US$ 35 / barril na bolsa de futuros CME) e ainda ter margem suficiente para arrendar um superpetroleiro por cerca de US$ 30 mil por dia (aproximadamente US$ 1,5 por barril) e armazenar o combustível na água até a concessão, obtendo um ganho da ordem de US$ 2,5 por barril ou cerca de US$ 5 milhões por navio. “Logo, as mudanças atuais são muito convenientes”, escreve MacLoed.

A Frontline possui 24 transportadores de petróleo muito grandes, 28 navios-tanque Suezmax e 20 Aframaxes, com duração média de apenas quatro anos. No ano passado, a empresa comprou algumas embarcações da Trafigura em troca de 8,5% de suas ações.

No entanto, existem riscos. Em junho de 2019, um de seus navios petroleiros, o Front Altair, estava atravessando o Golfo Pérsico quando foi atingido por uma explosão, presumivelmente de uma mina iraniana. Projetado para suportar tal incidente, não houve derramamento de combustível. Não foi a primeira vez que as embarcações de Fredriksen foram atacadas. No início dos anos 1980, quando o petróleo iraniano era transportado como a salvação do aiatolá Khomeini durante a guerra entre o Irã e o Iraque, três navios foram atingidos por mísseis iraquianos.

Trata-se de um negócio que segue ritmo de montanha-russa e gerou bilhões de dólares em dividendos para Fredriksen, de 75 anos, durante os bons anos (por volta de 2008) e, em seguida, exigiu uma injeção de capital de US$ 500 milhões quando as taxas dos navios-tanque entraram em colapso junto ao boom do petróleo nos Estados Unidos em 2012. No ano passado, as taxas das embarcações subiram 90% em outubro, para mais de US$ 100 mil por dia, depois que o país sancionou a transportadora chinesa Cosco por violar suas restrições ao setor petrolífero do Irã. Essa mudança continuará. “É muito cedo para especular até que ponto isso vai dar, mas é seguro dizer que tivemos um dia agitado.”

O valor da participação de 46% da Fredriksen na empresa é de quase US$ 600 milhões. A maior parte de sua fortuna de US$ 10,4 bilhões está em investimentos diversificados, incluindo uma participação de US$ 1,5 bilhão no principal produtor de salmão Mowi.

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