Elétrica Eneva propõe fusão com AES Tietê em negócio de R$ 6,6 bi

Combinação das companhias resultaria na criação de uma "gigante no setor de geração" no Brasil.

Redação, com Reuters
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Ueslei Marcelino/Reuters
Ueslei Marcelino/Reuters

A transação envolveria R$ 2,75 bilhões em dinheiro e aproximadamente R$ 3,9 bilhões em ações da Eneva

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A elétrica Eneva enviou à geradora AES Tietê, da norte-americana AES, uma proposta de combinação de negócios entre as companhias que resultaria na criação de uma “gigante no setor de geração” no Brasil, informaram as empresas em comunicados hoje (2).

A transação, que ainda será analisada pela AES Tietê, envolveria um total de cerca de R$ 6,6 bilhões, sendo R$ 2,75 bilhões em dinheiro e aproximadamente R$ 3,9 bilhões em ações da Eneva.

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A oferta considera um prêmio de 13,3% sobre o preço das ações da AES Tietê, segundo a Eneva, que defendeu que o negócio resultaria na segunda maior empresa privada de geração de energia listada no Brasil.

A Eneva, que tem como maiores acionistas o BTG Pactual e a Cambuhy Investimentos, empresa da família do bilionário Moreira Salles, cada um com 22,95% das ações, opera principalmente termelétricas a gás, com portfólio que soma 2,8 gigawatts em capacidade instalada, dos quais 78% já operacionais.

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Já a AES Tietê possui um grande parque de hidrelétricas e mais recentemente passou a apostar na expansão por meio de usinas eólicas e solares. A companhia possui 3,35 gigawatts em capacidade instalada total, com projetos em implementação que a levarão a alcançar 3,9 gigawatts.

A combinação dos negócios levaria a uma companhia que chegaria aos 6,4 gigawatts em capacidade até 2024, contra cerca de 8,7 gigawatts da atual líder privada em geração no Brasil, a Engie Brasil Energia, da francesa Engie, e 8,3 gigawatts da CTG Brasil, unidade local da chinesa Three Gorges Corporation.

“Há muito valor a ser gerado através dessa combinação de negócios. No fundo, grande parte do mérito da operação está em você consolidar um portfólio que combina ativos hídricos com termelétricos, eólicos e solares”, disse à Reuters o presidente da Eneva, Pedro Zinner.

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“A nova companhia passaria a ter uma geração de caixa mais estável, um risco de crédito menor, melhor acesso ao mercado de capitais. De certa forma, mais preparada para crescer e atender à demanda do setor de energia nos próximos anos”, acrescentou.

A TRANSAÇÃO

A operação proposta pela Eneva seria implementada por meio da incorporação das ações da AES Tietê pela empresa, em estrutura que contemplaria a entrega de ações da Eneva aos acionistas da AES Tietê e pagamento de uma parcela em dinheiro de R$ 2,75 bilhões.

Os acionistas da AES Tietê receberiam no negócio um total de 91.994.693 milhões de ações da Eneva, equivalentes a 22,58% do capital social da companhia.

Isso equivaleria a 0,0461 ações ordinárias da Eneva para cada ação ordinária ou preferencial da AES Tietê, ou 0,2305 por unit da AES Tietê, mais os recursos em dinheiro. Os papéis da Eneva fecharam a R$ 42,75 cada na sexta-feira (28), enquanto as units da AES Tietê encerraram a R$ 15,21 cada.

A AES Tietê disse que analisará a oferta “de forma detalhada, mantendo o mercado informado sobre eventuais desdobramentos”.

Na oferta enviada à AES, a Eneva disse que a unificação das bases acionárias das empresas “refletindo em crescimento significativo da liquidez das ações”.

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“Entendemos que a combinação de negócios e a união dos talentos e forças da Eneva e da AES Tietê representam uma oportunidade única para as empresas e seus acionistas”, afirmou.

A proposta de combinação dos negócios terá validade de 60 dias e está condicionada à não ocorrência de “alterações adversas relevantes nas condições de mercado ou nos negócios das companhias”, segundo o documento.

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