Como Warren Buffett está agindo em meio ao colapso dos mercados

Reprodução/Forbes
Atualmente, em meio à recessão provocada pelo coronavírus, com os mercados em queda de 15% desde o início do ano, o Oráculo de Omaha está recluso

O investidor bilionário Warren Buffett emergiu como um agente-chave que ajudou a restaurar a confiança nos mercados durante a crise financeira de 2008. No entanto, ele permanece relativamente inativo na crise atual, e isso faz com que muitos se perguntem sobre seu próximo passo nos investimentos.

Durante a crise financeira de 2008, Buffett, que possui um patrimônio líquido de US$ 73,4 bilhões, representou um herói: ele acalmou os mercados em queda e sinalizou aos investidores que era seguro comprar de novo e obter um lucro considerável.

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Atualmente, em meio à recessão provocada pelo coronavírus, com os mercados em queda de 15% desde o início do ano, o Oráculo de Omaha está recluso. Especula-se se ele está comprando ações em silêncio.

Veja o que a Berkshire fez em 2008 e as oportunidades que pode estar considerando no momento.

Crise financeira de 2008

À medida que os grandes bancos enfrentavam potenciais falhas e a confiança no sistema começava a se quebrar, o Oráculo de Omaha investiu US$ 5 bilhões no Goldman Sachs, US$ 3 bilhões na General Electric e depois US$ 5 bilhões para ajudar a fortalecer o Bank of America. Em 2009, ele comprou a companhia ferroviária Burlington Northern Santa Fe Railway por cerca de US$ 26 bilhões.

Em outubro de 2008, Buffett escreveu um artigo no “The New York Times” sob a manchete: “Compre americanas. Eu compro”, explicando o motivo de estar comprando ações de empresas dos Estados Unidos e por que outras pessoas deveriam fazer o mesmo. Os investimentos totais da Berkshire na era da crise, que totalizaram mais de US$ 25 bilhões, renderam US$ 10 bilhões em lucro nos primeiros cinco anos desses acordos.

Durante uma crise, “as fábricas não desaparecem, nem as terras agrícolas ou as habilidades das pessoas”, disse Buffett, explicando seus investimentos em 2008.

Sell-off na pandemia do coronavírus de 2020

O ano de 2020 não é o de 2008, pois o sistema financeiro não está à beira do fracasso, o que poderia explicar um pouco da paciência da Berkshire. Buffett observou recentemente que o coronavírus é “algo assustador” para empresas e investidores, mas que “não mudou” seu otimismo de longo prazo em relação às ações.

A turbulência global cria oportunidades para os negociantes mais experientes com capital disponível, observa Cornelia Andersson, chefe de fusões e aquisições e captação de recursos da Refinitiv. As atividades de fusões e aquisições em 2020 –como em 2008– podem ser dominadas por acordos de resgate e reestruturações.

Empresas de private equity, fundos de hedge e outros investidores com muito dinheiro –incluindo a Berkshire Hathaway, que entrou em 2020 com cerca de US$ 128 bilhões– estão circundando empresas dos setores de viagens, hospedagem e entretenimento que foram duramente atingidos pelo desligamento econômico, fontes disseram recentemente ao “Wall Street Journal”.

Companhias aéreas, hotéis, cassinos e cinemas são apenas algumas das indústrias que enfrentam duras realidades financeiras durante a paralisação econômica e podem ser alvos certeiros para a Berkshire. Os pedidos de um comentário da companhia ainda não foram retornados.

Operadoras de cruzeiros como Carnival, Royal Carribean e Norwegian, cujas ações caíram pelo menos 70% neste ano, podem receber o dinheiro de Buffett, já que os registros fiscais no exterior significam que elas não são elegíveis para auxílio federal.

A Berkshire permanece “bastante conservadora” por enquanto

No primeiro trimestre, a Berkshire vendeu US$ 314 milhões em ações da Delta, US$ 74 milhões em ações da Southwest Airlines e US$ 31 milhões em ações do Bank of New York Mellon. A empresa ainda não divulgou a extensão total da atividade de compra e venda no trimestre.

A Berkshire, que viu suas próprias ações caírem 18% neste ano, perdeu cerca de US$ 70 bilhões em valor no seu portfólio de ações desde meados de fevereiro.

Charlie Munger, vice-presidente da organização, disse recentemente ao “Wall Street Journal” que o Oráculo de Omaha está sendo “bastante conservador” com seus investimentos no mercado atual: “Ninguém nos EUA jamais viu algo assim”, disse Munger. “Essa coisa é diferente. Todo mundo fala como se soubesse o que vai acontecer e ninguém sabe”.

As empresas não estão recorrendo a Berkshire em busca de capital como em 2008: “O telefone não está tocando”, confirmou Munger, acrescentando que as companhias aéreas estão “negociando com o governo e não ligando para Warren”.

Apesar da incerteza, o antigo parceiro de negócios de Buffett deixou em aberto a possibilidade de ação: “Isso não significa que não poderíamos fazer algo muito agressivo ou aproveitar alguma oportunidade”.

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