Brasileira Reagent Media anuncia produção de filme internacional “Outside the Wire”

jennifer graylock/gettyimages
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Fundada em 2015 pelos parceiros de vida e trabalho Marcos Tellechea e Paula Linhares, a Reagent Media participou do cofinanciamento de “O Regresso” de 2016

O longa independente “Outside the Wire”, anunciado no Mercado Virtual de Cannes, contará com a brasileira Reagent Media na produção. O filme, de lançamento previsto para os festivais no segundo semestre de 2021, narra a trajetória de um soldado norte-americano e um rebelde iraquiano que se veem dependentes um do outro para sobreviver. A jornada, que une lados opostos da moeda, forçará a dupla a enfrentar seus medos e trabalhar em cooperação para chegar aos seus objetivos finais. “Para nós, uma produtora independente, é maravilhoso fazer parte do mercado de cinema internacional, tão competitivo, com uma produção desse nível”, diz Paula Linhares, que fundou a Reagent Media com Marcos Tellechea.

A história de “Outside the Wire”, escrita e dirigida por Paxton Winters, é um dos 12 roteiros escolhidos para o workshop Screenwriters Lab, do Sundance Institute, e será protagonizado pelo ator Garrett Hedlund, famoso por sua atuação em “Troia”. “Ter Hedlund no projeto vai ajudar a alcançar um público muito maior”, comenta Paula. “Também contaremos com a atuação de Brady Jandreau que estrelou ‘The Rider’ –o filme recebeu o prêmio principal dos filmes independentes, no Cannes Film Festival.”

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Fundada em 2015 pelos parceiros de vida e trabalho Marcos Tellechea e Paula Linhares, a Reagent Media participou do cofinanciamento de “O Regresso” de 2016, protagonizado por Leonardo DiCaprio e vencedor de três categorias do Oscar. Outro trabalho de destaque da empresa é a coprodução do filme brasileiro “Pacificado”, premiado em festivais internacionais e nacionais. “Estamos muito confiantes com o lançamento comercial de ‘Pacificado’, que aconteceria em março pela 20th Century Fox, mas que foi adiado para o final do segundo semestre por conta da pandemia de Covid-19”. Diz Paula.

Show do bilhão

O mercado cinematográfico caminhava em legítimo crescimento antes da crise causada pelo novo coronavírus em 2020. Das dez produções de maior bilheteria de todos os tempo, três foram lançadas em 2019 –“Frozen 2”, “Vingadores: Ultimato” e “Rei Leão”. Juntos, os longas arrecadaram US$ 5,9 bilhões. As séries televisivas também conquistaram uma boa fatia do mercado audiovisual, principalmente pela presença cada vez maior em número e participação das plataformas de streaming.

Segundo a Associação de Cinema dos Estados Unidos (MPAA, na sigla em inglês) o número de assinantes dos serviços de streaming chegou a 613 milhões, crescimento de 27% em 2018 comparado a 2017. Somente no Brasil, dados da Cuponation apontam o país como o sexto entre os maiores usuários de serviços de transmissão online no mundo. Para Tellechea, “em um passado não tão distante, os filmes produzidos em Hollywood ditavam as regras, e era muito difícil para um longa que não fosse produzido no inglês nativo alcançar um grande público. O que se nota agora, é um aumento nas produções fora desse círculo e, com as plataformas digitais, a língua deixou de ser uma barreira”.

A chegada da Covid-19 ocasionou o fechamento de cinemas e cancelou o lançamento de produções previstas para o primeiro semestre de 2020. A “Hollywood Reporter” estima em que as perdas do setor audiovisual cheguem a US$ 5 bilhões. Paula e Marcos acreditam que o impacto deve ser sentido em maior proporção pelos profissionais freelancers, que são maioria no setor, mas veem o momento com certo otimismo. “Estamos vivendo o período mais crítico pelo qual já passamos. Mesmo com tudo isso, vemos o mercado de agora como uma oportunidade de reorganização e renovação”. Tellechea comenta que o status de isolamento reforça a tendência de consumir conteúdos audiovisuais em casa e gera a possibilidade de descoberta das diferentes opções de canais de entretenimento.

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Assim como o grande desafio dos pequenos negócios, responsáveis por mais de 50% dos empregos do país, é manter-se em pé, o mesmo se aplica às produtoras independentes como a Reagent Media. A empresa, que durante o período de pandemia tem trabalhado no desenvolvimento criativo e na parte estrutural do empreendimento, acabou de fechar um projeto a ser anunciado em breve com a Warner Bros do Brasil e enfrenta o momento de crise com transparência e resiliência. “Precisamos aprender a se adaptar, ter processos menos burocráticos, decidir com mais rapidez e se reinventar. Buscamos manter os investidores e financiadores sempre informados e, na medida do possível, confortáveis”, pontua Tellechea.

A cooperação entre diferentes que passeia pela próxima trama “Outside the Wire” produzida pela dupla da Reagent, também é uma saída para o momento de crise. A escassez de projetos e dificuldades devem fomentar a união entre concorrentes para que o impacto seja menor e todos possam beber um pouco da mesma fonte para diminuir a sede. “O mercado vai ter que se unir: coproduzir, aprender a dividir, olhar pro lado e ajudar o outro. Esperamos que os incentivos à arte e cultura, tanto nesse momento quanto no pós-pandemia, sejam relevantes a ponto de promover a produção cultural e alavancar o setor”, finaliza Paula.

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