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Copom mantém Selic em 13,75% ao ano e volta a pedir “paciência e serenidade”

Comunicado da reunião retira frase que indicava possibilidade de novas altas da Selic, mas relembra que inflação segue acima da meta

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Thiago Nori /GettyImages
Thiago Nori /GettyImagesDecisão do Copom: Comunicado não trouxe indicações de queda dos juros no curto prazo

No cenário doméstico, o Copom (Comitê de Política Monetária) retirou o trecho que causou mais polêmica no comunicado da reunião anterior. No informe de maio, o Comitê escreveu, na última frase do parágrafo prospectivo: “[o] Copom enfatiza que, apesar de ser um cenário menos provável, não hesitará em retomar o ciclo de ajuste caso o processo de desinflação não transcorra como esperado.” Essa frase provocou alguma especulação, por colocar de volta no cenário a hipótese de altas adicionais da Selic. Sua remoção vai dissipar essa incerteza.

Veja como fica o retorno dos investimentos com Selic a 13,75% para aplicação de R$ 10 mil, segundo a análise da XP:

Ao analisar o cenário, o Comitê informou que “o conjunto dos indicadores mais recentes de atividade econômica segue consistente com um cenário de desaceleração da economia nos próximos trimestres.” Mesmo assim, o texto advertiu que “antecipa-se uma elevação da inflação acumulada em doze meses ao longo do segundo semestre”, e que “diversas medidas de inflação subjacente seguem acima do intervalo compatível com o cumprimento da meta para a inflação.”

Ou seja, o comunicado deixa claro que há indicadores importantes da economia real, como as vendas no varejo, que mostram uma desaceleração do ritmo de atividade. Isso deveria provocar uma queda na inflação. Porém, apesar de uma economia menos dinâmica, na avaliação do Copom os preços devem voltar a subir e manterem-se elevados.

O Comitê também reforçou a necessidade de manter os juros apertados para não permitir que a inflação saia do controle. Ele informou que a manutenção da Selic “é compatível com a estratégia de convergência da inflação para o redor da meta ao longo do horizonte relevante, que inclui o ano de 2024”, e acrescentou que “essa decisão também implica suavização das flutuações do nível de atividade econômica e fomento do pleno emprego”.

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Ainda segundo o comunicado, “a conjuntura atual, caracterizada por um estágio do processo desinflacionário que tende a ser mais lento e por expectativas de inflação desancoradas, segue demandando cautela e parcimônia” e voltou a informar que “a conjuntura demanda paciência e serenidade”.

Uma das grandes expectativas do mercado foi frustrada. Boa parte dos especialistas esperava que o Comunicado trouxesse uma indicação de que os juros poderiam baixar no curto prazo. Mas isso não ocorreu. Segundo Idean Alves, da Ação Brasil Investimentos, o comunicado veio mais “hawkish” que o esperado, apesar de mais suave que os anteriores. “Chama a atenção no comunicado o fato de o Comitê ainda não sinalizar que teremos corte de juros na próxima reunião, o que vai contra o que o mercado esperava”, diz ele.

O Comitê colocou em “dúvida” o desenho final do arcabouço fiscal que ainda vai ser aprovado pelo Congresso Nacional, e como o arcabouço vai afetar as expectativas para a dívida pública e para a inflação.

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