Matthew Upchurch, rei do turismo de luxo, conta para onde caminha este importante mercado

CEO da Virtuoso, maior rede de viagens  de luxo no mundo, comanda 4.872 profissionais em 90 países.

Ronny Hein
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Matthew Upchurch (Divulgação)

Matthew Upchurch (Divulgação)

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Para muitos, ele é o rei do turismo de luxo. Para outros, é um bonachão simpático, ligeiramente baixo e acima do peso, que costuma usar bigodes — possivelmente por ter nascido na Cidade do México, onde viveu seus primeiros 11 anos de vida. Matthew Upchurch aceita qualquer rótulo. Ele é, há muitos anos, o CEO da Virtuoso, a maior rede de empresas ligadas ao nível mais elevado de viagens em todo o planeta. O número de hotéis de primeira linha, cruzeiros, agências e consultores de viagem, companhias aéreas e demais fornecedores do setor filiados à Virtuoso é instantaneamente mutável.

Para você ter uma rápida ideia, porém, basta mencionar que o último encontro da rede ocorreu em agosto, em Las Vegas, com a presença de 4.872 profissionais de 90 países, 539 eventos distintos, 451.645 reuniões de apenas quatro minutos cada — mais inviabilizaria o evento — num total de 1479.360 minutos gastos, o equivalente a dois anos e oito meses.

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A projeção de faturamento do grupo é superior a US$ 15,5 bi­­lhões para 2015 e é a porção mais dourada de um setor — o de turismo — que movimenta perto de US$ 1,8 trilhão ao ano. É a indústria de serviços que mais cresce e já está entre as cinco principais do planeta. Em outras palavras, suas férias, suas viagens de trabalho ou com a família não são mera diversão. O mundo precisa delas.

Hotel Bellagio, em Las Vegas, onde ocorreu o encontro (Divulgação)

Hotel Bellagio, em Las Vegas, onde ocorreu o encontro (Divulgação)

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Upchurch, que tem quatro filhos e hoje vive em Fort Worth e Seattle, alternadamente, é uma espécie de gênio do setor. Já pertence a diversos halls of fame — grupos tipicamente americanos que só aceitam os melhores entre os melhores e é um gestor querido em seu exigente mercado. Adora, claro, viajar e é uma das poucas pessoas do planeta que já tem assento reservado nas primeiras viagens turísticas ao espaço, ainda não previstas. “Eu quero ir ao espaço para ver o mundo de uma outra perspectiva. Cada vez que isso acontece, isso muda toda a vida”, filosofa, com a inabalável convicção de que isso ocorreu com ele mesmo e com as pessoas mais inteligentes que conhece.

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O business do turismo de luxo vem mudando lenta e sustentavelmente nos últimos anos. De acordo com Matthew, se antes valia a opulência, hoje nada é mais importante do que a vivência de qualidade, com serviços sempre personalizados. E a coisa vai mais longe: “Cada um de nós é uma persona diferente conforme o tipo de viagem que estamos fazendo. Um executivo tem interesses diferentes quando viaja a trabalho ou quando viaja com a família. Eventualmente, há uma terceira persona no mesmo viajante: aquela que, em jornadas individuais, quer o máximo de aventura e adrenalina, desde que possa, à noite, relaxar em uma boa jacuzzi e jantar em restaurantes gastronômicos com vinho de qualidade”.

Um evento do Hotel Belmond Copacabana Palace, no Rio de Janeiro, foi premiado, no encontro de Las Vegas, como a grande experiência do ano. Trata-se do Programa de Exploração ao Corcovado, uma experiência com roteiro, guias e horários diferenciados que, é claro, oferece uma visão única da Serra da Carioca.

A Itália, com Veneza entre os destaques, segue o destino preferido de quem tem dinheiro (Getty Images)

A Itália, com Veneza entre os destaques, segue o destino preferido de quem tem dinheiro (Getty Images)

O célebre Copa, aliás, é um dos poucos hotéis Virtuoso em todo o Brasil (são apenas 11). Aliás, o Brasil nem sequer aparece na lista dos destinos mais apreciados do planeta, por sua má reputação com segurança, seu pífio trabalho de divulgação internacional e pelas muitas taxas que cobra — principalmente as de reciprocidade, que atingem mercados enormes como o dos Estados Unidos e o do Canadá, por exemplo.

Por outro lado, a turbulência econômica não tem afetado o interesse do mundo pelos viajantes brasileiros. “Vocês têm uma população grande, com muitos milionários, e eles viajam muito”, relata Upchurch. “Além disso, o mundo inteiro sabe que os brasileiros estão entre os turistas que mais gastam quando viajam, seja dormindo, comendo ou — principalmente — fazendo compras.

Sobre o turismo internacional, o CEO da Virtuoso explica “que nunca antes em toda a história “ (não é plágio de Lula) houve tanta gente diferente viajando ao mesmo tempo. No passado, circulavam pelo mundo apenas os mais velhos — já sem necessidade de trabalhar — e os muito ricos. “Hoje, nossos hotéis recebem gente de todas as idades, todas as profissões e todos os interesses. Eis porque reforço a necessidade das chamadas taylor made trips — viagens costuradas à mão pelos melhores alfaiates do turismo.” Na prática, a média etária de um viajante de luxo é de 56 anos e os que usam empresas da Virtuoso costumam fazer 1.750.000 viagens a cada ano. O destino mais cobiçado ainda é a Europa, e a Ásia é o que mais cresce.

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A época do ano preferida pelos viajantes dourados é o outono. Segundo as contas do Virtuoso, o mundo tem, prontos para voar, cerca de 37 milhões de milionários em todo o globo. Como conselheiro muito ouvido pelas revistas do setor e pelos principais entrevistadores da tevê americana, Mathew Upchurch admite que, agora, sua prioridade é levar mudanças ao mercado norte-americano. “Temos perdidos market share nos últimos anos porque não estamos oferecendo experiências diferentes. Continuamos praticando o turismo opulência que está decadente.”

No dia a dia, o rei do turismo de luxo viaja muito com a família (apenas dois dos quatro filhos e a esposa, porque os mais velhos vivem em Paris e na Irlanda). “Quero que todos eles sejam cidadãos do mundo”, sorri. Joga polo e, contra todas as evidências, é também adepto da ioga e da meditação. Só assim, talvez, consiga organizar, com sucesso, um evento das dimensões do último — que deve crescer no próximo ano. Com duas palavras primordiais na cabeça: “True personalization”. É disso que o mundo quer.

Vietnã (foto) e índia são os destinos com maior crescimento no setor (Getty Images)

Vietnã (foto) e índia são os destinos com maior crescimento no setor (Getty Images)

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