Escolas paulistanas ensinam empreendedorismo em sala de aula

JovensEmpreendendo/GettyVasilyPindyurin
Ensinar como fazer uma ideia sair do papel é um tipo de conhecimento cada vez mais valorizado pelo mercado e pelas escolas

Entender qual é o caminho para transformar uma ideia em planejamento e criar, então, um produto final é uma habilidade crucial para o desenvolvimento e manutenção de novas empresas e da economia global no geral. Pensando nisso, escolas da capital paulista passaram a inserir em suas grades matérias para incentivar o empreendedorismo de seus alunos. O resultado são projetos como os do Colégio Visconde de Porto Seguro, que tem uma feira para mostrar empresas modelo criadas por seus estudantes.

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A popularização das startups (são mais de 12 mil empresas do tipo no Brasil, segundo Startupbase, que se intitula base de dados do ecossistema brasileiro de startups) e a busca pela formação de jovens mais independentes e criativos são algumas das principais razões dadas por orientadores e responsáveis de instituições de ensino. Além do preparo para entrar em uma faculdade renomada, o foco é desenvolver no aluno dinamismo e capacidade para encarar desafios do ensino superior.

Questionado sobre o assunto, Marcus Quintella, coordenador do MBA de empreendedorismo da Fundação Getúlio Vargas (FGV), diz ver apenas benefícios do ensino em escolas de matérias necessárias para gerir um negócio. “Existe um campo fértil em alunos de 12 a 17 anos”, afirma.

Segundo ele, o mercado brasileiro tem muito a ganhar. “Pensando no futuro, é possível melhorar a taxa de mortalidade das empresas. A consequência de empreendedores e profissionais mais capacitados e responsáveis acarreta em negócios que conseguem ficar mais tempo em operação”, pontua.

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Segundo Bety Tichauer, diretora superintendente da ONG JA Brasil, que incentiva o contato de jovens com o mercado de trabalho, a aproximação com os profissionais de diferentes áreas é valiosa. “O adolescente toma noção de profissões que poderiam estar distantes da sua realidade e pode escolher com mais sabedoria um curso superior adequado.”

Veja a seguir iniciativas de ensino de empreendedorismo implantadas por quatro escolas na cidade de São Paulo:

  • Colégio Visconde de Porto Seguro

    Na tradicional instituição, desde o ensino fundamental, os alunos já têm contato com conceitos básicos de empreendedorismo durante as aulas. Já no ensino médio, é possível escolher entre o curso regular ou o de comércio exterior, em que os jovens têm, além das matérias convencionais, disciplinas como marketing, administração e matemática financeira, que são usadas para a criação de uma empresa modelo. Uma feira anual, a PORTO.KOMM (cuja edição 2019 acontece amanhã, dia 28), exibe os projetos, que têm em comum a viabilidade econômica e ambiental. Para este ano, o evento terá, por exemplo, coleiras para pets com GPS feitas de lixo eletrônico, tapetes produzidos com produtos que não são prejudiciais ao meio ambiente e luminárias feitas de shapes de skates usados.

  • Colégio Dante Alighieri

    A escola centenária oferece matérias eletivas de empreendedorismo aos alunos do ensino fundamental e obrigatórias uma vez por semana aos de ensino médio. Os jovens são incentivados a desenvolver projetos de longo prazo em diversas áreas do conhecimento. Segundo a coordenadora geral pedagógica e porta-voz do Dante, Sandra Tonidandel, o objetivo é mostrar uma “visão além do lucro, um conceito de empreendedorismo social. Queremos ensiná-los a resolução de problemas sem esquecer do impacto social e ambiental das decisões deles.” Os projetos criados pelos alunos são apresentados no Desafio Dante Gen de Empreendedorismo (que ocorre neste ano no dia 26 de outubro). Lá, eles serão avaliados por CEOs de empresas, agentes públicos e promotores, e os vencedores poderão ter suas ideias apoiadas por empresas parceiras e viajar para encontros internacionais nos Estados Unidos.

  • Colégio Santa Cruz

    A escola incentiva os alunos a criarem projetos empreendedores de ação social, a partir dos 11 anos de idade aproximadamente, com estudo, planejamento e desenvolvimento de ações junto a instituições parceiras. Um projeto desses feito em 2017 resultou na criação de um centro comunitário no Piauí, que atende demandas dos moradores da região. Para captar recursos, os alunos criaram o Piauí Fest, que chega a sua terceira edição em 2019.

  • Escola Internacional Britânica St. Paul’s School

    A instituição britânica começa a introduzir conceitos básicos de empreendedorismo para alunos entre 3 e 4 anos de idade, convidando pais para conversar sobre suas carreiras. A partir do ensino fundamental 1, os estudantes usam tecnologia para desenvolver softwares e aplicativos, aprendendo as fases de gestão até a entrega de produto final. Para alunos do ensino médio, existe o projeto Lion Investment Club, um grupo de investimentos dirigido por alunos que já participou de uma competição organizada pela Wharton Business School e apresentou o projeto em organizações, como o BTG Pactual.

Colégio Visconde de Porto Seguro

Na tradicional instituição, desde o ensino fundamental, os alunos já têm contato com conceitos básicos de empreendedorismo durante as aulas. Já no ensino médio, é possível escolher entre o curso regular ou o de comércio exterior, em que os jovens têm, além das matérias convencionais, disciplinas como marketing, administração e matemática financeira, que são usadas para a criação de uma empresa modelo. Uma feira anual, a PORTO.KOMM (cuja edição 2019 acontece amanhã, dia 28), exibe os projetos, que têm em comum a viabilidade econômica e ambiental. Para este ano, o evento terá, por exemplo, coleiras para pets com GPS feitas de lixo eletrônico, tapetes produzidos com produtos que não são prejudiciais ao meio ambiente e luminárias feitas de shapes de skates usados.

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