Mulher na liderança de empresa ainda é raridade no Brasil, mostra estudo da B3

Uma análise de todas as companhias listadas na bolsa paulista revelou que 61% delas não têm uma única mulher no corpo executivo.

Redação
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Vladimir Vladimirov/Getty Images
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Levantamento com todas as empresas listadas na B3 revelou que 61% delas não têm uma única mulher no corpo executivo

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Apesar da crescente pressão de investidores e de outros públicos para que as empresas adotem políticas de maior inclusão, uma das iniciativas mais elementares nesse sentido, a participação de mulheres em postos-chave, ainda é raridade no Brasil.

É o que aponta um estudo feito pela B3 com as 408 companhias listadas na bolsa paulista. Segundo o levantamento, de cada 100 com ações negociadas, apenas seis têm três ou mais mulheres em cargos de diretoria estatutária. Uma quarto delas têm somente uma e 61% não têm uma única mulher no corpo executivo e 45% não têm participação feminina no conselho de administração.

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A situação não melhora entre as que fazem parte do Novo Mercado, o segmento de adesão voluntária e tido como o de regras superiores em práticas como de boa governança, transparência e respeito aos minoritários.

Entre as 190 companhias listadas nesse segmento, 89% tinham uma ou nenhuma mulher entre os diretores. E as que tinham três ou mais mulheres nessa posição representam 3% do total.

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O conselho de administração de 81% das empresas fora dos segmentos especiais de listagem, 168 empresas, não tem sequer uma única mulher ou tem apenas uma. No Novo Mercado, esse índice é de 75%.

A diretora de emissores na B3, Flavia Mouta, disse que, apesar das revelações do estudo, há avanços neste tema, com algumas empresas desenvolvendo iniciativas para dar maior diversidade nos conselhos e na diretoria.

“Mas temos uma longa estrada a percorrer, antes de avançar em novas etapas, como para incluir minorias, como negros e pessoas com deficiência física”, disse ela a jornalistas.

A própria B3 no mês passado fez uma captação de US$ 700 milhões no exterior em bônus de 10 anos atrelados a algumas metas, incluindo de diversidade. Entre elas, a empresa terá que elevar dos atuais 27,2% para pelo menos 35% o percentual de mulheres em seus cargos de liderança até o fim de 2027 ou pagar juros maiores para investidores sobre esses papéis.

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O estudo chega no momento em que investidores e entidades do mercado de capitais têm exercido pressão crescente sobre as empresas listadas por práticas mais rigorosas em termos de proteção ao meio ambiente e inclusão de minorias.

Em agosto, a SEC (Comissão de Valores Mobiliários dos Estados Unidos) aprovou proposta da Nasdaq para que as empresas listadas tenham no conselho pelo menos duas lideranças diversas, sendo mulher e outra de grupos que incluem negros e a comunidade LGBTQI+.

Quem não se adaptar à regra, que será implementada no prazo de dois a cinco anos, deve apresentar justificativa pública. Empresas que não se adequarem podem ser até excluídas da Nasdaq. (Com Reuters)

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