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Quanto Ganha um Estagiário no Brasil?

Levantamento mostra que a bolsa-auxílio média já supera o salário mínimo proporcional; setor financeiro lidera o ranking de remunerações

6 min

Hoje, o valor da bolsa-auxílio paga aos estagiários no Brasil supera, na proporção de horas trabalhadas, a base salarial de um trabalhador formal, cujo salário mínimo no período é fixado em R$ 1.621.

Segundo levantamento da Companhia de Estágios, a média mensal paga aos estudantes ficou em R$ 2.009,09 em 2026 na região Sudeste. Apesar de uma leve queda de 3,13% em relação ao ano anterior, o valor segue como o mais alto do território nacional.

Enquanto isso, o Norte apresentou um salto de 14,6% e atingiu R$ 1.674,80, após registrar a menor média em 2025. Com o avanço, a região alcançou a segunda posição no ranking nacional das melhores remunerações.

O Sul também registrou alta no período e alcançou R$ 1.637,83, um aumento de 2,38% em relação ao ano anterior. Na contramão, o Nordeste apresentou média de R$ 1.562,51, com queda de 1,91%. O Centro-Oeste teve a maior retração entre as regiões, com baixa de 2,13% e bolsa-auxílio média fixada em R$ 1.511,69.

“A variação regional reflete a dinâmica econômica e a demanda por talentos em diferentes polos de desenvolvimento do país”, diz Tiago Mavichian, CEO da Companhia de Estágios.

Os setores mais bem pagos

Na divisão por áreas de atuação, o mercado financeiro continua no topo de forma isolada entre as médias mais altas de remuneração. Estagiários do setor financeiro e de bancos de investimentos recebem, em média, R$ 3.055,62 e R$ 2.889,10, respectivamente. A área de tecnologia completa o pódio, com média de R$ 2.746,49.

“Finanças é um setor extremamente competitivo, com uma régua alta, que busca as mesmas pessoas. Eles têm um nível de exigência alto e travam uma briga por talentos. São bem agressivos, e essa agressividade você vê no valor”, diz o CEO.

Quem olha além da formação original e aposta nesse mercado também aumenta as chances de ter remuneração mais alta. Um estudante de publicidade que decide atuar no setor financeiro, por exemplo, pode alcançar uma diferença de ganho de até 90% em relação ao mercado tradicional das agências de comunicação. “Se você faz um curso que às vezes não é o foco principal daquele negócio, mas vai para um segmento estável, você tem ganhos maiores”, exemplifica.

Na outra ponta, setores mais suscetíveis aos ciclos macroeconômicos, como a indústria automobilística (R$ 1.648,65) e a de óleo e gás (R$ 1.577,27), apresentam as médias mais baixas.

A ausência de um piso legal contribui para essas variações de mercado. “A lei determina o pagamento de bolsa-auxílio, mas não estipula o valor. Como o governo não regula isso, acaba flutuando”, diz o executivo.

Graduações mais valorizadas

Quando o recorte recai sobre os cursos de graduação, a área da saúde ganha protagonismo. A enfermagem registrou a maior valorização do levantamento, especialmente na reta final da formação acadêmica. Estudantes entre o terceiro e o quinto ano viram a bolsa-auxílio saltar para R$ 2.423,69, um crescimento de quase 47% em relação aos anos iniciais da faculdade.

O movimento é um reflexo da falta de profissionais da saúde. Como o setor precisa desses talentos rapidamente, a remuneração sobe para garantir a transição do estágio para a efetivação. “O piso de enfermagem hoje está em quase cinco mil reais e você tem uma escassez de profissionais. Acontece essa aceleração da bolsa no final do curso porque a pessoa sai da faculdade e já entra no piso”, explica o especialista.

O topo do ranking de cursos com melhores remunerações também conta com secretariado executivo (R$ 2.417,80) e economia (R$ 2.403,03).

Em contrapartida, carreiras ligadas a humanidades e serviços, como jornalismo, letras e educação física, aparecem com as menores bolsas, com valores entre R$ 1.197,30 e R$ 1.634,69.

A questão de gênero

O levantamento também joga luz sobre a dinâmica de gênero no início da vida corporativa. As mulheres já são a maioria no mercado de estágios e ocupam 53,49% das vagas. Contudo, a bolsa-auxílio média feminina é de R$ 1.895,49, enquanto a masculina fica em R$ 1.972,67.

A discrepância estatística acontece pelo volume de profissionais em determinadas carreiras. “Atualmente, os homens ainda são a grande maioria em áreas de exatas, tecnologia e finanças, setores que historicamente pagam as maiores bolsas”, afirma Mavichian. “As mulheres, por outro lado, concentram-se em maior volume em humanidades e serviços, áreas que puxam a média geral para baixo.”

Ainda assim, o cenário aponta para uma virada estrutural. “As mulheres já estão na liderança das matrículas nas faculdades, dos cadastros, das aprovações e das efetivações”, reforça o executivo. “Elas já se mostram mais preparadas do que os homens, aplicam-se mais às vagas e são mais aprovadas”.

Além da remuneração

Apesar da importância da remuneração no final do mês, o valor financeiro da bolsa é apenas parte da equação para atrair os talentos mais jovens. “As gerações Z e Alfa valorizam modelos de trabalho flexíveis, além de empresas que investem em desenvolvimento real, com programas de mentoria, treinamentos internos e auxílio em educação.”

Para os universitários em busca das melhores oportunidades, a estratégia na hora da candidatura conta muito mais do que o volume de currículos enviados. “O ideal é ler as demandas atuais do mercado e focar nas posições que realmente dialogam com o perfil, além de buscar capacitações adicionais”, diz. “Não é volume, é estratégia, é dar o tiro certo”.

O domínio de novas ferramentas é um exemplo dessa mudança de cenário e das novas exigências das empresas. “Hoje você já vê, por exemplo, a necessidade de fluência em inteligência artificial. Então, um curso de IA aplicada para finanças, ou para marketing e publicidade, já é um diferencial.”

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