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A Geração Z Está Desafiando as Regras Não Escritas das Entrevistas de Emprego

Mudanças nos códigos de etiqueta profissional colocam em debate quais comportamentos ainda importam nas entrevistas de emprego

13 min

Candidatos ouvem os mesmos conselhos antes de quase toda entrevista: chegar cedo, manter contato visual e se vestir de acordo com a vaga. Mas, então, uma bebida pode se tornar um indicador de profissionalismo.

O debate sobre o café gelado começou depois que um recrutador criticou candidatos da Geração Z por levarem café gelado para entrevistas, provocando uma discussão mais ampla sobre se a bebida parece pouco profissional ou deveria ter alguma relevância em uma contratação.

Sou professor de liderança na Henley Business School, da University of Reading, e escrevo para a Forbes sobre liderança e o futuro do trabalho desde o início de 2020. Considero o debate mais revelador do que o próprio café: ele mostra como as preferências de um entrevistador sobre roupas, cumprimentos e linguagem corporal podem rapidamente se transformar em padrões que nunca foram apresentados aos candidatos. O teste que uso para avaliar a etiqueta em entrevistas é: uma determinada convenção ajuda o entrevistador a entender como alguém poderá desempenhar o trabalho? E o empregador consegue explicar por que isso importa para aquela função?

O que significa etiqueta em entrevistas de emprego hoje?

Uma boa etiqueta em entrevistas de emprego envolve comportamentos que permitem às pessoas conversar sobre o trabalho com respeito e atenção. Chegar no horário, ouvir e responder com honestidade tornam isso mais fácil. Apertos de mão e contato visual dependem mais da cultura, do contexto e das preferências pessoais.

As expectativas mudam de acordo com a função. Um advogado que lida diretamente com clientes e um engenheiro de software podem ser avaliados pela capacidade de julgamento, mas os ambientes de trabalho ao redor deles têm normas diferentes de vestimenta. Uma conversa inicial com um recrutador tem exigências diferentes de uma entrevista final com um painel.

Entrevistas remotas também trazem algumas regras práticas de cortesia: confirmar o horário e o link, testar o áudio e entrar pontualmente. Alguns ambientes de trabalho se tornaram menos formais, mas as entrevistas ainda envolvem uma relação de poder desigual.

O candidato está sendo avaliado, muitas vezes de acordo com padrões que ninguém explicou. Por isso, vale observar como o empregador define o que é “profissional”.

As regras de entrevista de emprego que continuam válidas

As orientações que ainda importam são simples: preparar-se, chegar no horário, ouvir, responder com honestidade e cumprir o que foi combinado. Esses hábitos ajudam o entrevistador a entender o que você pode fazer e demonstram respeito pelo tempo reservado.

Os empregadores também têm responsabilidade nesse processo. O guia do U.S. Office of Personnel Management sobre entrevistas estruturadas recomenda perguntas consistentes, relacionadas ao trabalho, e critérios de avaliação comuns.

Os candidatos não podem reformular o processo de uma empresa, mas podem apresentar evidências. Em vez de dizer “sou bom com clientes”, descreva uma situação em que lidou com um cliente difícil e o que aconteceu. Um atraso causado por um trem pode ser explicado. Chegar atrasado sem avisar ninguém ou fazer apenas afirmações genéricas sobre suas habilidades pode deixar o entrevistador com pouco material para avaliar.

Vá preparado

A preparação começa antes da entrevista. Leia a descrição da vaga, identifique as habilidades destacadas e escolha exemplos que mostrem como você as utilizou. Uma conversa inicial com o recrutador pode exigir um relato conciso sobre sua trajetória; um painel final pode pedir que você explique decisões ou escolhas. Prepare temas, não um roteiro.

Um bom exemplo oferece contexto suficiente para deixar clara sua contribuição e, depois, mostra o resultado. Faça anotações sobre os produtos, clientes e desafios do empregador, mas não memorize o site da empresa para depois repeti-lo. A preparação ajuda você a ser específico. Tentar parecer perfeito pode torná-lo menos atento à conversa real.

Seja pontual

Planeje chegar cedo o suficiente para absorver possíveis atrasos, mas não tão cedo a ponto de criar uma espera desconfortável. Em uma reunião presencial, cinco a dez minutos geralmente oferecem uma margem adequada. Em uma chamada de vídeo, teste o link e entre alguns minutos antes do horário marcado.

Envie uma mensagem breve se o trânsito, o trem ou a conexão apresentarem problemas. A pontualidade demonstra respeito pelo tempo compartilhado, mas a forma como você reage a um problema real pode ser mais importante do que chegar exatamente no horário. Uma conversa inicial com o recrutador, um painel ou uma entrevista final começam com a mesma cortesia básica: comunicação.

Trate todos com profissionalismo

Trate cada pessoa como parte da conversa, seja o cumprimento feito por um recepcionista, recrutador ou gestor responsável pela contratação. Use os nomes apresentados, ouça sem interromper e não presuma que a pessoa mais informal tenha menos influência.

Ser profissional não significa ser distante. Seja cordial, responda à pergunta feita e permita que a conversa fique mais descontraída se o entrevistador adotar esse tom. No ambiente virtual, reconheça todos os participantes da chamada e evite digitar ou verificar notificações enquanto outra pessoa estiver falando.

Faça um acompanhamento depois

Antes de sair, pergunte qual será o próximo passo e quando a equipe espera tomar uma decisão. Isso dá a você um motivo claro para fazer um acompanhamento caso o prazo passe. Envie uma mensagem breve de agradecimento mencionando algum ponto específico da conversa. É uma cortesia, não uma segunda tentativa de venda.

Uma mensagem atenciosa é suficiente. Se você não avançar no processo, existem orientações sobre como lidar com uma rejeição profissional e como pedir feedback. Uma resposta pode não ser possível, portanto, trate o feedback como um convite, não como algo que todo empregador deve oferecer após cada etapa.

As regras de entrevista que já não são tão claras

As regras relacionadas à aparência e ao comportamento são mais difíceis de tratar como universais. Um terno, um aperto de mão ou um olhar firme podem influenciar a primeira impressão, mas nenhum desses elementos, isoladamente, informa ao entrevistador se uma pessoa consegue desempenhar o trabalho.

É isso que torna útil o debate sobre o café gelado. As pessoas estão tratando uma bebida como se ela revelasse o caráter de alguém. Na realidade, ela pode revelar mais sobre o que um entrevistador espera do que sobre a pessoa que segura o copo. Um único momento viral não pode representar as opiniões da Geração Z sobre etiqueta. Entrevistas remotas e escritórios menos formais também tornaram alguns antigos sinais mais difíceis de interpretar.

Os empregadores deveriam ser capazes de explicar quais expectativas estão relacionadas ao trabalho. Os candidatos devem prestar atenção quando a resposta for simplesmente: “É assim que fazemos as coisas aqui”.

O que você veste

A aparência influencia as primeiras impressões, mas os códigos de vestimenta são moldados pela profissão, pelo contato com clientes e pela cultura da empresa. Uma meta-análise de 63 estudos, envolvendo 4.868 pessoas, descobriu que aparência profissional e contato visual estavam associados a avaliações mais altas em entrevistas. Isso descreve como os entrevistadores respondem, mas não mostra que roupas bem cuidadas preveem desempenho profissional. Os pesquisadores descobriram que alguns efeitos relacionados à aparência eram mais fortes entre mulheres, um lembrete de que os julgamentos podem refletir estereótipos, além da apresentação pessoal.

Use a função como referência. Tênis limpos e discretos podem combinar com um ambiente de tecnologia ou criação mais informal; sapatos sociais podem ser uma opção mais segura em um ambiente conservador ou voltado ao atendimento de clientes. Se estiver em dúvida, pergunte ao recrutador como os candidatos costumam se vestir. Escolha algo apropriado que permita que você se concentre na conversa.

Levar café, comida ou água

Comida e bebida são questões de contexto, não de caráter. É fácil aceitar ou recusar a água oferecida pelo anfitrião. Se levar café, termine antes de entrar, se for possível. Caso contrário, pergunte se há problema em levá-lo para dentro. O objetivo é evitar que a bebida interrompa a conversa.

Um empregador pode ter uma visão diferente sobre uma chamada de vídeo pela manhã, uma reunião informal para tomar café e um painel presencial. Siga as instruções dadas e observe os sinais do ambiente. Se o entrevistador oferecer algo para beber, um breve “sim, obrigado” ou “não, obrigado” é suficiente. Não existe prêmio de etiqueta por demonstrar entusiasmo.

Uma postura casual ou amigável

As orientações tradicionais de entrevista geralmente favoreciam uma postura formal e controlada. Muitos empregadores agora buscam entrevistas mais conversacionais, mas ser descontraído não significa ignorar limites. Acompanhe o nível de formalidade do entrevistador, seja cordial e permita que a relação se desenvolva, em vez de começar com piadas, gírias ou intimidade imediata.

Esse julgamento se aplica a todas as etapas. Um recrutador pode ser amigável enquanto verifica se você se comunica com clareza; um entrevistador final pode querer uma conversa franca sobre o trabalho. Você pode ser você mesmo sem tratar a entrevista como uma conversa com um velho amigo. Acompanhe o ritmo da outra pessoa sem imitá-la.

Fazer anotações

Fazer anotações geralmente demonstra que você está prestando atenção, especialmente quando o entrevistador explica a função, menciona colegas ou apresenta os próximos passos. Leve um pequeno caderno e uma caneta ou use um tablet, se isso parecer natural. Mantenha contato visual e interrompa as anotações enquanto responde a uma pergunta.

Em uma entrevista por vídeo, as anotações em papel podem ficar ao lado da tela. Se usar o dispositivo no qual está participando da entrevista, explique brevemente que está fazendo uma anotação. Caso contrário, digitar pode parecer uma atividade paralela. Em um artigo publicado pela Harvard Business Review em 2021, recomendei manter as anotações por perto, testar a plataforma e falar em um ritmo constante.

Falar sobre salário

Falar sobre salário não é, por si só, indelicado. O momento depende do que já foi compartilhado e de quem está na sala. Uma conversa inicial com o recrutador pode ser um bom momento para confirmar a faixa salarial, especialmente se ela não estiver na descrição da vaga. Na etapa final, ambos os lados já deveriam entender se as expectativas estão alinhadas.

Se perguntarem sobre suas expectativas, prepare uma faixa baseada em pesquisa e saiba o que tornaria uma proposta viável para você. Você pode perguntar como o pacote é estruturado ou se o valor inclui bônus e benefícios. O objetivo não é evitar falar de dinheiro, mas deixar a questão clara o suficiente para ajudar os dois lados a tomar uma decisão.

As regras não escritas exigem alguma leitura das entrelinhas

Os entrevistadores não seguem um roteiro para cada momento. Uma resposta preparada ajuda, mas uma frase decorada pode não captar o que o entrevistador realmente está perguntando.

Algumas situações comuns exigem julgamento, em vez de uma resposta decorada:

  • “Fale sobre você.” Relacione sua experiência à função em vez de recitar seu currículo desde o início. Se estiver mudando de área, explique quais habilidades podem ser transferidas e o que ainda precisa aprender.
  • “Você tem alguma pergunta?” Pergunte o que a função precisa alcançar, como o sucesso será avaliado ou o que a equipe espera da pessoa contratada. Uma ou duas perguntas que realmente interessem a você são melhores do que uma lista longa criada apenas para preencher o tempo.
  • Comida ou bebida. É fácil aceitar água, mas recusar educadamente também é perfeitamente aceitável. Se chegar com um café comprado fora, termine antes de entrar, se puder. Caso isso não seja possível, pergunte se pode levá-lo para dentro.
  • Cultura da empresa. Peça um exemplo de como a equipe lida com discordâncias ou oferece feedback. A resposta dirá mais do que uma afirmação genérica de que a cultura é “ótima”.
  • Uma pergunta que você não consegue responder. Pare por um momento, peça ao entrevistador que explique o que quer dizer ou diga o que você precisaria descobrir. Blefar pode parecer confiança por alguns instantes, mas é difícil sustentar.
  • Silêncio ou conversa informal. Uma pausa pode ajudar você a pensar. Não é preciso imitar o humor do entrevistador nem preencher todos os momentos de silêncio. Responda naturalmente e acompanhe o nível de formalidade.
  • Anotações e dispositivos. Um caderno ou tablet pode ajudar a acompanhar nomes e prioridades. Um celular pode parecer uma distração, então explique o que está fazendo se precisar usá-lo.
  • O acompanhamento. Pergunte sobre os próximos passos antes de a reunião terminar. Se o prazo passar, envie uma mensagem concisa. Mensagens repetidas podem transformar um acompanhamento razoável em pressão.

Como passar por uma entrevista de emprego sem pensar demais

Antes da entrevista, defina o que você quer que o entrevistador entenda sobre sua experiência e o que precisa descobrir sobre a vaga. Prepare alguns exemplos e perguntas, mas deixe espaço para responder à conversa conforme ela acontece.

Em uma entrevista virtual, a preparação técnica é mais útil do que ensaiar cada movimento. Um estudo publicado em 2024 descobriu que uma webcam posicionada acima da tela teve efeitos insignificantes nas avaliações de desempenho, enquanto uma câmera posicionada lateralmente teve um pequeno efeito em algumas medidas. Na prática, o estudo é um lembrete para configurar a chamada de maneira adequada e, depois, prestar atenção à pessoa que está falando. As respostas do empregador também fazem parte das informações que você tem sobre a vaga. Se as expectativas parecerem arbitrárias ou inconsistentes, leve isso em consideração.

Prepare-se, chegue no horário, ouça e apresente exemplos que mostrem o que você pode fazer. Esses hábitos ajudam o entrevistador a avaliar suas respostas. Preste atenção também aos padrões do empregador. A forma como a empresa avalia os candidatos pode revelar algo sobre o ambiente de trabalho do qual você poderá fazer parte.

Benjamin Laker é colaborador da Forbes USA. Professor universitário que escreve sobre as melhores formas de liderar ambientes de trabalho.

*Reportagem publicada originalmente em Forbes.com

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