Uso de inteligência artificial na produção de vinhos é possível, diz Paul Hobbs

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Enólogo norte-americano Paul Hobbs acredita que tecnologia poderá ajudar a mecanizar tarefas nos vinhedos

Bem-vindo à estreia da Forbes Taste, coluna que vai tratar semanalmente de tendências gastronômicas e novidades do mundo de alimentos e bebidas. O lançamento não poderia ser mais agradável, com uma entrevista exclusiva que o enólogo e consultor norte-americano Paul Hobbs deu à Forbes Brasil no fim do ano passado, quando veio ao Brasil para uma série de masterclasses em comemoração dos 20 anos da vinícola argentina Viña Cobos. O empreendimento em Mendoza é um dos seis projetos do especialista (já incluindo a Alvaredos, na região espanhola da Galícia, cujos vinhos devem ser lançados ainda neste ano).

Criador de um cabernet sauvignon que atingiu 100 pontos na escala do crítico Robert Parker e responsável por alçar o malbec à categoria de fenômeno, Hobbs é discreto e assertivo. Atualmente, estão entre suas preocupações as mudanças climáticas, que podem comprometer a produção de vinho, e a iminente falta de mão-de-obra nas vinhas.

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“É meu trigésimo ano trabalhando na Argentina. Antes, você podia contar com a neve nas montanhas todos os anos. Nos últimos dez anos, diminuiu muito. É como se a precipitação tivesse mudado do topo das montanhas para o lugar cultivamos as uvas”, afirma. Isso faz com que a produção tenha de ser muito mais precisa, algo que pode impactar custos e mesmo a qualidade.

Já sobre a força de trabalho, Hobbs se mostra otimista e acha que o uso de tecnologia pode impactar positivamente a indústria do vinho. “O trabalho nos vinhedos é pesado e até perigoso em alguns casos, e cada vez menos pessoas querem fazer isso. Falo do trabalho no sol, no frio e na chuva”, ele explica. “A inteligência artificial poderia ajudar a mecanizar algumas tarefas, criando condições para colheita dos frutos de maneira tão elegante como uma pessoa faria. Não sei como isso funcionaria. Seria um robô ou um drone? Não sei. E não vai acontecer agora e nem nos próximos dez anos, mas veremos algum movimento nessa direção logo.”

O pensamento progressista não deixa dúvidas sobre a razão pela qual ele recebeu o título de “Steve Jobs dos vinhos” em uma reportagem publicada no site Forbes norte-americana há alguns anos. “Espero que eu não seja tão difícil de conviver no trabalho como ele era”, Hobbs ri, mas emenda dizendo acreditar que a alcunha é positiva. “Por muitos anos, considerei que a Paul Hobbs [Winery] e a Apple tinham culturas parecidas. Não sei se é ainda assim hoje e claro que não é a mesma coisa na indústria de vitivinicultura e na de tecnologia. Acho que, sem o Steve Jobs, a Apple não é tão inovadora como antes”, ele pondera.

Inovar foi o que Hobbs fez não só ao criar rótulos aclamados mundialmente por conta do cuidado e forma de produção, mas principalmente ao apostar em uma tendência que acabou se tornando fenômeno global: a uva malbec, ícone da produção argentina. Ele, porém, não acredita que uma nova onda semelhante vá acontecer. “Não conheço nenhuma uva que possa ser o próximo malbec. A cultura argentina permitiu que o vinho explodisse mundialmente muito rápido. Não acho que isso vá acontecer novamente. Não acho que a África, o Leste Europeu ou a China, por exemplo, conseguirão. Qualquer sucesso será de nicho, enquanto o da Argentina foi massivo”, diz.

Segundo ele, a tendência atual do mercado é procurar novas varietais e regiões novas ou que estão sendo redescobertas. “Há também o movimento do vinho natural”, pontua. “Acho que as pessoas estão atualmente procurando vinhos mais frescos e leves, mais equilibrados.”

Com 20 produtos no portfólio e produção de 90 mil caixas/ano, a Viña Cobos, motivo da visita da comitiva da vinícola ao Brasil, tem seus produtos importados pela Grand Cru. Os preços podem variar de R$ 109,90 (uma garrafa da linha Felino) até R$ 799,90 (o Cobos Bramare Malbec Marchiori Vineyard). A importadora também é responsável por trazer ao mercado nacional os vinhos da Paul Hobbs Winery, na Califórnia.

O trabalho de Hobbs, claro, continua. “Não esperamos grandes mudanças em qualidade neste momento. Pensamos em refinamentos, que acontecerão indefinidamente, pelas próximas gerações.”

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Sushi exclusivo

O chef Tsuyoshi Murakami criou um cardápio de degustação servido apenas para duas pessoas no restaurante que leva seu nome e atende apenas 24 clientes por noite, nos Jardins. O especial custa R$ 600 e tem entradas, pratos quentes, sushis, temaki e sobremesa. Tudo é preparado na hora, aos olhos dos dois comensais, que ainda aprendem a usar utensílios japoneses e recebem dicas de preparo. Ingredientes como caviar e trufas brancas estão no menu, e as preparações usam wasabi fresco de um produtor nacional exclusivo da casa.

Murakami (Al. Lorena, 1.186, tel. 11 3064-8868)

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Pimenta nova

A Tabasco acaba de lançar no mercado brasileiro sua versão do molho tailandês sriracha. De acordo com Fábio Gianetti, gerente da divisão de alimentos da Aurora, responsável pela distribuição da marca no Brasil, o mercado nacional –de cerca de R$ 300 milhões e com crescimento anual médio de 9%– amadureceu nos últimos tempos, e a ideia é que Tabasco ajude a desenvolver o consumo de sriracha por aqui. O condimento ganhou o mundo por ter uma consistência semelhante à do ketchup, diferentemente dos molhos de pimenta tradicionais, mais líquidos. “Tanto que faremos ações de ponto-de-venda com degustação com batatas fritas”, diz Gianetti. Na comparação com o produto da Huy Fong Foods, o da Tabasco é menos doce e tem toque defumado: a receita usa o molho original da Tabasco, além de pasta de pimentas envelhecidas em barris de carvalho, vinagre e sal. A embalagem de 300 g custa R$ 29,90.

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Novo lote

A Cervejaria Leopoldina, do Grupo Famiglia Valduga, vai lançar em fevereiro um novo lote limitado da cerveja Vitis Ale. A primeira tiragem da bebida, fusão da ZOZ #3 Golden (da cervejaria Brasserie 35) e do vinho Leopoldina Chardonnay DO, teve 700 unidades. Com o sucesso, a empresa decidiu lançar mais 3.000 garrafas. A cerveja tem tripla fermentação e quatro meses de maturação em barris de carvalho.

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Saúde em alta

A busca por uma alimentação saudável tem se refletido no mercado editorial de gastronomia. De acordo com levantamento da livraria Saraiva, entre os dez títulos mais vendidos no último ano, sete são ligados a nutrição e saúde. O campeão de vendas foi o livro “Reeducação Alimentar” (ed. Alto Astral). Apenas na terceira posição, aparece “Todas as Técnicas Culinárias” (ed. Marco Zero), da escola Le Cordon Bleu.

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