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Ibovespa desaba abaixo dos 98 mil pontos, menor fechamento desde agosto

No ano, bolsa paulista já acumula queda de 15,3%

3 min
ReproduçãoReuters
ReproduçãoReutersNa semana, a terceira no vermelho, o Ibovespa acumulou um declínio de 5,93%

A bolsa paulista voltou a registrar fortes perdas hoje (6), com o Ibovespa abaixo de 98 mil pontos e ampliando as perdas no ano para mais de 15%, em meio à continuidade da aversão a risco global por preocupações sobre os efeitos do surto do novo coronavírus na economia mundial.

As ações da Petrobras figuraram entre as maiores quedas (-9,73%), conforme o petróleo despencou mais de 9%. Já CVC Brasil avançou dois dígitos (+14,4%) após troca do comando da operadora de turismo, que viu seus papéis derreterem mais de 50% em 2020.

Índice de referência do mercado acionário brasileiro, o Ibovespa caiu 4,14%, a 97.996,77 pontos, menor fechamento desde agosto de 2019. O volume financeiro no pregão foi novamente forte e totalizou R$ 39,9 bilhões.

Na semana, a terceira no vermelho, o Ibovespa acumulou um declínio de 5,93%. No ano, a queda chega a 15,3%.

A BB Investimentos frisou que a perspectiva de desaceleração da economia mundial, que começou pelo surto na China e que traria um efeito dominó em função da desaceleração no comércio global, intensificou-se depois da disseminação da doença pelo mundo.

“Isso tem levado o mercado a rever projeções de crescimento, gerando maior aversão ao risco”, afirmou em nota a clientes.

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O número de pessoas infectadas com coronavírus em todo o mundo ultrapassou 100 mil, com o surto matando mais de 3.400 pessoas e atingindo mais de 90 países, sendo que seis deles relataram seus primeiros casos nesta sexta-feira.

No mercado, agentes financeiros já começam a questionar se medidas tradicionais como cortes de juros terão eficácia para proteger as economias, com o impacto econômico do coronavírus grande e crescente.

“Opções monetárias e fiscais convencionais podem não ser suficientes. Novas abordagens podem ser necessárias para reduzir o impacto do vírus e permitir uma rápida recuperação das perdas econômicas quando o surto desaparecer”, afirmou o economista Adam Slater, da Oxford Economics, em relatório a clientes.

No Brasil, perspectivas de contaminação da desaceleração global no ritmo da atividade interna têm levado economistas a revisarem estimativas para o crescimento do PIB em 2020, sendo o Itaú Unibanco o mais recente a ajustar projeções, com muitos também passando a prever corte na Selic ainda neste mês.

A chance de o Banco Central voltar a afrouxar sua política monetária, após sinalização de pausa no mês passado, por sua vez, tem fortalecido o dólar frente ao real. A cotação só não renovou máxima nesta sessão porque o BC atuou com leilões de swap cambial – equivalente a venda de dólar no mercado futuro.

Para o gestor Marcelo Mesquita, sócio na Leblon Equities, o cenário de curto prazo é imprevisível. “Para o médio e longo prazos, [essa forte correção] nos parece uma excelente oportunidade de compra já que o coronavirus não é uma mudança estrutural e, sim, conjuntural”, afirmou.

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