Camila Achutti fala sobre preconceito e empreendedorismo na computação

Forbes/Reprodução
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Camila Achutti, que é fundadora e CEO da Mastertech, revelou situações constrangedoras e falou sobre oportunidades da área

Fundadora e CEO da Mastertech, nomeada Forbes Under 30 em 2017 e professora de engenharia na faculdade Insper, em São Paulo. Estas são algumas das qualificações de Camila Achutti, de 28 anos, convidada para conversar sobre sua história e o papel fundamental e crescente das mulheres no ecossistema tecnológico contemporâneo em live da Forbes no Instagram.

Sobre o começo de sua vida profissional, Camila revelou que a área de computação e programação digital, na qual realizou seu estudo superior, não era tão reconhecida como hoje. Ela escolheu o curso, também, por influência de seu pai, que atuava como programador.

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Ao entender mais sobre a história da tecnologia, e como as mulheres foram deixadas de lado por grande parte dela, Camila afirmou que passou a enxergar os problemas com mais clareza: “Descobri na tecnologia a minha grande aliada para mudar o mundo”, relembra.

Analisando o mercado de tecnologia atual, Camila avalia que muitos avanços aconteceram. “Qualitativamente , já abraçamos a diversidade: reconhecemos que isso é bom para a inovação e que não é justo uma mulher ganhar menos do que um homem”, diz.

Apesar disso, as barreiras quantitativas ainda não foram totalmente derrubadas. Segundo a especialista, as mulheres ainda têm menos acesso à infraestrutura para se tornarem grandes especialistas em tecnologia. Exemplos incluem “gravidez na adolescência, começar a trabalhar cedo para construir uma família”. Em sua percepção, as mulheres estudam mais, mas estão em menor número nas profissões mais competitivas, como ciência, tecnologia, engenharia e matemática.

Até mesmo hoje em dia, com um nome conhecido e um cargo relevante como empreendedora e professora, Camila Achutti ainda sofre com o sexismo em sua área. Seja com a falta de respeito dos clientes ou até mesmo dos alunos do curso que ministra.

Falando sobre sua empresa, a Mastertech, ela definiu seu modelo de negócio como uma “escola que flui”. Os temas em alta, segundo ela, são a problemática do futuro do trabalho, treinamento de pessoas para a transformação digital. Ou seja, o foco da Mastertech é aumentar o nível dos usuários de sistemas e softwares, para que essas pessoas consigam acompanhar as inovações tecnológicas oferecidas.

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Sobre o ecossistema tecnológico brasileiro, Camila reflete. “Formamos pouco, no sentido qualitativo e quantitativo”. Ela lembrou do exemplo de sua própria faculdade, o Instituto de Matemática e Estatística da USP, que forma por volta de 30 alunos em ciência da computação por ano.

Além disso, Camila falou da dificuldade de conseguir fazer com que os melhores profissionais da área fiquem no país, já que o limite da carreira no Brasil é atingido com muita rapidez. Isso obriga os grandes programadores a procurar oportunidades maiores no cenário internacional.

O que impede esse crescimento da área, segundo a entrevistada, é a distância entre academia e negócios, além da falta de investimento e a dificuldade que os acadêmicos têm de lançar sua ideia na prática. “É tudo muito caro, o fluxo do dólar influencia.”

Camila disse que entende o momento pelo qual o mundo passa, com a crise causada pela Covid-19, como difícil, mas que o futuro pode gerar bons avanços para a sociedade. “Existe uma série de oportunidades que nunca foram testadas, mas que estão sendo agora”, pondera.

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