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Outubro Rosa, Câncer de Mama e Maternidade

Para mulheres jovens, a preservação da fertilidade ganha cada vez mais espaço nas pesquisas e nas diretrizes médicas

2 min

Outubro Rosa é um convite não apenas à prevenção e ao diagnóstico precoce do câncer de mama, mas também à reflexão sobre a vida depois do tratamento. Para muitas mulheres, especialmente as mais jovens, a doença levanta dúvidas sobre sexualidade, qualidade de vida e maternidade.

O câncer de mama é o mais incidente entre as brasileiras. São cerca de 74 mil novos casos anuais, segundo o Instituto Nacional de Câncer (INCA), e pode trazer consequências como menopausa precoce e impacto direto na fertilidade. Por isso, discutir estratégias para lidar com estas questões é parte essencial dessa jornada.

Um estudo apresentado em 2024 no Congresso da Sociedade Americana de Oncologia Clínica (ASCO) trouxe respostas importantes. A pesquisa avaliou 1.213 mulheres com até 40 anos diagnosticadas com câncer de mama. Entre elas, 197 tentaram engravidar após o tratamento.

Foram excluídas da análise as mulheres com doença metastática ou que já haviam passado por retirada do útero ou dos ovários antes do diagnóstico. A idade mediana no diagnóstico foi de 32 anos. Aquelas com idade mais avançada ou que não realizaram preservação de fertilidade tiveram menores chances de sucesso, enquanto mulheres que preservaram óvulos ou embriões alcançaram taxas mais altas de nascimento vivo.

Os resultados são animadores: 73% conseguiram engravidar ao menos uma vez e 65% tiveram pelo menos um nascimento vivo. Na prática, significa que de cada três mulheres que desejaram ser mães, duas realizaram esse sonho após superar a doença.

Esses achados mostram que a maternidade pode, sim, ser possível depois do câncer de mama, desde que haja acompanhamento médico e planejamento. Reforçando esse movimento, a ASCO divulgou recentemente uma atualização dos seus guidelines sobre preservação da fertilidade em pessoas com câncer, destacando a necessidade de que o tema seja discutido precocemente entre médicas, médicos e pacientes.

*Dr. Fernando Maluf é médico oncologista, cofundador do Instituto Vencer o Câncer e professor livre-docente da Faculdade de Medicina da Santa Casa de São Paulo.

Os artigos assinados são de responsabilidade exclusiva dos autores e não refletem, necessariamente, a opinião de Forbes Brasil e de seus editores.

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