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Fé, Esperança e Atitude Positiva: Aliadas Importantes Durante o Tratamento do Câncer

Estudo mostra que emoções não causam câncer, mas fé, esperança e atitude positiva podem favorecer o tratamento e a qualidade de vida

4 min

Um estudo internacional que acompanhou mais de 420 mil pessoas ajudou a desfazer um dos mitos mais persistentes em torno do câncer: o de que emoções reprimidas, estresse, luto ou tristeza seriam responsáveis pelo surgimento da doença. Os resultados mostraram que fatores psicológicos, por si só, não aumentam o risco de desenvolver câncer, contribuindo para afastar um sentimento de culpa que, muitas vezes, recai injustamente sobre os pacientes.

Isso é especialmente importante porque o câncer está associado, principalmente, a fatores de risco já amplamente conhecidos e comprovados pela ciência, como tabagismo, obesidade, sedentarismo, consumo excessivo de álcool, exposição inadequada ao sol e algumas infecções. Reconhecer essa realidade ajuda a concentrar a atenção naquilo que realmente pode ser prevenido e modificado.

Ao mesmo tempo, é fundamental destacar que, embora emoções negativas não causem câncer, a saúde emocional exerce um papel relevante durante o tratamento. O cuidado com o bem-estar psicológico, o respeito às crenças individuais e o estímulo à esperança e a uma atitude positiva podem contribuir para uma melhor adesão ao tratamento, para o enfrentamento dos desafios e para a preservação da qualidade de vida ao longo dessa jornada.

Receber o diagnóstico de câncer é, sem dúvida, um dos momentos mais desafiadores que uma pessoa pode enfrentar. Além das decisões médicas e dos tratamentos, inicia-se uma jornada marcada por mudanças profundas na rotina, incertezas e desafios emocionais. Nesse contexto, é natural que pacientes e familiares se perguntem se a fé, a esperança e uma postura positiva podem ajudar no enfrentamento da doença.

Na minha experiência como oncologista, a resposta é sim.

O médico tem a responsabilidade de oferecer as melhores alternativas disponíveis, sempre com base nas evidências científicas e de forma individualizada. Ao definir um tratamento, reunimos tudo o que a medicina tem de mais avançado para buscar o melhor resultado possível. Mas existe uma segunda parte dessa jornada, igualmente importante: a participação ativa do paciente e o apoio da família.

Diversos estudos mostram que pacientes mais motivados, engajados e aderentes ao tratamento tendem a compreender melhor as orientações médicas, lidar de maneira mais equilibrada com os efeitos colaterais e manter o tratamento conforme o planejado. Isso pode se refletir em melhor qualidade de vida e, potencialmente, em melhores resultados clínicos.

A fé também ocupa um papel especial nesse processo. Para muitas pessoas, a espiritualidade representa uma fonte de conforto, resiliência e sentido. Embora não existam evidências definitivas de que a fé, por si só, altere o comportamento biológico do câncer, há estudos que associam práticas espirituais à redução do estresse, ao fortalecimento emocional e até a respostas favoráveis do sistema imunológico.

Mesmo sem todas as respostas, uma coisa me parece muito clara: fé, esperança e atitude positiva não atrapalham o tratamento. Ao contrário, podem oferecer força para atravessar esse período de maneira mais serena, confiante e determinada.

Costumo comparar o tratamento do câncer a um barco em movimento. De um lado, estão os médicos e toda a equipe de saúde, conduzindo o cuidado com base na ciência. Do outro, estão a família, os amigos e a rede de apoio. E há ainda um conjunto de remos indispensável, movido pelo próprio paciente: sua coragem, sua esperança, sua fé e sua vontade de seguir em frente.
Quando todos remam na mesma direção, o caminho, embora desafiador, torna-se mais seguro, mais leve e mais humano.

*Dr. Fernando Maluf é médico oncologista, cofundador do Instituto Vencer o Câncer e professor livre-docente da Faculdade de Medicina da Santa Casa de São Paulo.

Os artigos assinados são de responsabilidade exclusiva dos autores e não refletem, necessariamente, a opinião de Forbes Brasil e de seus e ão refletem, necessariamente, a opinião de Forbes Brasil e de seus editores.

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