O câncer de mama continua sendo o tipo de câncer mais frequente entre as mulheres brasileiras e um dos maiores desafios de saúde pública do país. Segundo o Instituto Nacional de Câncer (INCA), são esperados mais de 78 mil novos casos da doença em 2026, o que confirma a magnitude do problema e reforça a importância da conscientização, do diagnóstico precoce e do acesso a terapias adequadas.
A boa notícia é que o tratamento do câncer de mama evoluiu de forma extraordinária nas últimas décadas. Hoje, as pacientes contam com abordagens cada vez mais precisas, menos agressivas e mais eficazes, capazes não apenas de aumentar as chances de cura, mas também de preservar a qualidade de vida.
O diagnóstico do câncer de mama e inovações no tratamento
Na maioria das vezes, o tumor é identificado por exames de imagem, especialmente a mamografia, principal ferramenta de rastreamento, indicada, de maneira geral, para mulheres a partir dos 40 anos. O autoexame tem um papel importante no conhecimento do próprio corpo e na percepção de alterações suspeitas, mas não substitui os exames recomendados periodicamente. Em casos selecionados, o ultrassom e outros métodos complementam a investigação, e a confirmação diagnóstica é feita por biópsia.

A cirurgia também passou por uma profunda transformação. Atualmente, os procedimentos tendem a ser menos invasivos, com recuperação mais rápida e melhores resultados estéticos, graças aos avanços das técnicas reconstrutivas e da cirurgia plástica oncológica. Isso permite que muitas mulheres retomem mais rapidamente suas atividades e iniciem, sem atrasos desnecessários, as etapas complementares do tratamento.
Além da cirurgia, houve progressos expressivos na radioterapia e, sobretudo, no tratamento medicamentoso. Em tumores localizados, mas com maior risco de recorrência, terapias administradas antes ou depois da cirurgia ajudam a reduzir de forma significativa a chance de que células tumorais já disseminadas se estabeleçam em outros órgãos e deem origem às metástases.
Entre os principais avanços estão os tratamentos hormonais mais modernos e as terapias-alvo, como os inibidores de CDK4/6, que bloqueiam mecanismos responsáveis pelo crescimento de tumores sensíveis aos hormônios. Esses medicamentos mudaram de forma importante o prognóstico tanto da doença metastática quanto da doença inicial de alto risco.
Nos tumores HER2-positivos, a incorporação das terapias anti-HER2 representou uma verdadeira revolução. Associadas ou, em alguns casos, até substituindo parte da quimioterapia, essas medicações aumentaram de maneira expressiva as chances de evitar a progressão da doença e o aparecimento de metástases.
Já no câncer de mama triplo-negativo, historicamente considerado um subtipo mais agressivo, a combinação de quimioterapia com imunoterapia trouxe resultados muito superiores aos observados no passado. Ao estimular o sistema imunológico a reconhecer e atacar as células tumorais, esses tratamentos têm ampliado de forma significativa as perspectivas de controle da doença.
Mesmo quando o câncer já se disseminou para outros órgãos, os avanços terapêuticos vêm permitindo resultados antes considerados improváveis. Em casos selecionados, algumas pacientes podem alcançar remissões muito prolongadas e, em situações específicas, até desaparecimento completo das lesões detectáveis, mantendo a doença controlada por longos períodos.
Apesar de todos esses progressos, o maior objetivo continua sendo evitar que o câncer de mama evolua.
Para isso, o diagnóstico precoce, o acesso ao tratamento adequado e a incorporação das terapias mais modernas desempenham papel decisivo. Para milhares de mulheres, isso significa mais tempo de vida, mais qualidade de vida e, sobretudo, mais esperança.
*Dr. Fernando Maluf é médico oncologista, cofundador do Instituto Vencer o Câncer e professor livre-docente da Faculdade de Medicina da Santa Casa de São Paulo.
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