O câncer colorretal (ou de intestino) está entre os tumores mais frequentes em homens e mulheres no Brasil. Segundo estimativas do Instituto Nacional do Câncer (INCA), o Brasil deve registrar mais de 45 mil novos casos em 2026.
Com frequência, novas notícias chamam atenção para esta incidência e para o aumento de casos entre pessoas mais jovens, um cenário que tem mobilizado a comunidade médica e científica. Por isso, é sempre oportuno voltar a falar sobre o tema, especialmente porque há uma característica que merece ser destacada: é também uma das doenças oncológicas em que temos grandes oportunidades de prevenção.
Parte importante desta estratégia começa antes mesmo do rastreamento. Manter o peso adequado, praticar atividade física regularmente e ter uma alimentação rica em fibras, com menor consumo de alimentos ultraprocessados, são medidas que ajudam a reduzir o risco. O tabagismo também está associado ao câncer de intestino, embora essa relação seja menos conhecida pela população do que a relação do cigarro com tumores como os de pulmão e garganta.
Mas existe outro aspecto que torna o câncer colorretal diferente de muitos outros tumores. Em grande parte dos casos, ele começa com uma lesão benigna chamada adenoma, um tipo de pólipo que se desenvolve no intestino grosso. Essa lesão pode permanecer por anos antes de sofrer alterações e se transformar em um tumor maligno.
É justamente nesse intervalo que temos uma oportunidade importante de prevenção. A colonoscopia permite identificar esses pólipos e, muitas vezes, removê-los antes que tenham a possibilidade de evoluir para um câncer. Ou seja, o exame não serve apenas para detectar um tumor que já existe. Ele pode interromper a própria sequência que levaria ao desenvolvimento da doença.
Por isso, o rastreamento tem um papel tão importante. A realização da colonoscopia a partir dos 45 anos, para pessoas que estejam dentro das recomendações para o exame e não tenham contraindicações médicas, pode contribuir de maneira significativa para reduzir a ocorrência e a mortalidade por esta doença.
Precisamos falar mais sobre isso. Quando pensamos em prevenção do câncer, muitas vezes imaginamos apenas mudanças de hábitos e redução de fatores de risco. Ampliar o acesso ao rastreamento e estimular a realização da colonoscopia nas pessoas que têm indicação pode ter um impacto muito relevante no Brasil.
É uma oportunidade concreta de reduzir o número de casos de um diagnóstico ainda frequente e, principalmente, evitar que muitos pacientes precisem chegar ao tratamento de um câncer que poderia ter sido prevenido.