1. Início
  2. /
  3. Escolhas do editor
  4. /
  5. Desvendando o Recorde do Bitcoin: a Cripto Mais Famosa do Mundo Pode Ir Além?
Escolhas do editor

Desvendando o Recorde do Bitcoin: a Cripto Mais Famosa do Mundo Pode Ir Além?

Apesar do otimismo, especialistas ressaltam que a euforia desmedida pode ser perigosa

7 min

Nas últimas semanas, o bitcoin (BTC) vem renovando máximas históricas, chegando a ultrapassar a casa dos US$ 123 mil (R$ 684 mil), em 14 de julho. O mercado cripto voltou aos holofotes. O recorde é resultado de uma combinação rara de fatores, como o avanço regulatório do setor nos Estados Unidos e a entrada de capital institucional via ETFs (fundos negociados em bolsa).

A expectativa de cortes de juros nos EUA, somada aos efeitos do halving — evento que reduz a emissão diária de novos bitcoins pela metade e que aconteceu em abril de 2024 — também cria um ambiente favorável para a valorização do bitcoin, segundo especialistas.

Esse novo ciclo de alta não se restringe apenas ao bitcoin. Outras criptomoedas relevantes, como Ethereum (ETH) e Solana (SOL) — conhecidas por serem alternativas ao bitcoin (altcoins) — têm atraído investidores, devido ao seu potencial de crescimento. Segundo Matheus Villela, analista da Aware Investments, o ETH se consolidou como infraestrutura básica do setor cripto. Atualmente, mais de 55% de todo o valor bloqueado em finanças descentralizadas (DeFi) está no ethereum.

As stablecoins, criptos digitais atreladas à moedas fortes, ganham importância como instrumentos de liquidez, pagamentos e proteção contra a desvalorização cambial, especialmente em mercados emergentes. A emissão e circulação de stablecoins já supera US$ 130 bilhões (R$ 723,66 bilhões) na rede. “Elas funcionam como ponte entre o sistema tradicional e o universo cripto, sendo utilizadas para pagamentos, remessas internacionais e arbitragem de preços”, afirma Villela.

Com o movimento favorável no setor, especialistas do mercado têm revisado para cima suas projeções futuras. Muitos apontam que, caso o cenário macroeconômico siga favorável, o bitcoin poderá romper novas barreiras e impulsionar o desempenho de todo o ecossistema cripto. Porém, até que ponto o bitcoin pode avançar no segundo semestre e quão sólida é essa trajetória de valorização?

Por trás da alta

O ano começou com uma apreciação puxada pela expectativa do mercado cripto em torno da posse do Trump. O presidente americano prometeu reduzir regulações excessivas e proteger o uso de criptoativos, além de se posicionar contra a criação da moeda digital do banco central americano (CBDC). Essas declarações ajudaram a fortalecer o sentimento positivo no mercado.

Em geral, a nova máxima histórica do Bitcoin foi impulsionada por três pilares principais:

  • Cenário macroeconômico favorável: o mercado de trabalho americano começou a esfriar, permitindo que o Federal Reserve (Fed) sinalizasse cortes nas taxas de juros. Isso reduziu o custo de oportunidade de ativos de risco como o bitcoin.
  • Entrada de capital institucional: os ETFs spot de Bitcoin, liberados nos EUA no início do ano, acumulam mais de US$ 70 bilhões (R$ 389,66 bilhões) em ativos sob gestão (AUM). Também o IBIT, da BlackRock, atraiu quase US$ 800 milhões (R$ 4,4 bilhões) em um único dia.
  • Avanço regulatório: durante a chamada “Crypto Week”, o Congresso americano aprovou os projetos de lei FIT21, Clarity Act e Genius Act. Essas legislações prometem maior clareza sobre negociação e emissão de stablecoins, dando mais segurança jurídica aos grandes investidores — tão aguardados pelos entusiastas do mundo cripto desde a popularização do bitcoin. O mercado também especula a possibilidade de uma ordem de Trump que pode permitir o uso das moedas digitais em planos de previdência.

Empresas listadas em bolsa passaram a utilizar Bitcoin como estratégia de proteção patrimonial. A Strategy, liderada por Michael Saylor, já possui mais de 600 mil BTCs em caixa. A japonesa Metaplanet segue o mesmo caminho, superando US$ 10 milhões (R$ 55,67 milhões) em aquisições nos últimos meses.

A demanda por BTC em 2025 já é 3,6 vezes maior do que a oferta líquida dos compradores, o que reflete um desequilíbrio estrutural positivo. É o que apontam os especialistas. Nesse caso, mais demanda do que oferta, tende a pressionar o preço para cima. “Só o Genius Act vai fazer com que tenhamos trilhões de dólares a mais neste mercado”, comenta Caio Villa, CIO da Uniera.

Bancos como JPMorgan, Bank of America e Citigroup já reconhecem que as stablecoins, agora prestes a serem regulamentadas nos EUA, representam uma nova fronteira para o setor bancário, já que permitem pagamentos mais eficientes e impulsionam a tokenização de ativos. O engajamento direto dessas instituições sinaliza que o ecossistema cripto está sendo integrado à arquitetura do sistema financeiro global.

Por outro lado, alguns acontecimentos podem frear esse movimento. Entre eles, destacam-se possíveis choques macroeconômicos que aumentem a aversão ao risco, pressões regulatórias negativas em outras jurisdições, e eventuais capturas de lucro por parte de investidores que entraram em ciclos anteriores.

Pode subir mais?

Em tese, sim. A maioria dos especialistas concorda que esse otimismo é sustentado por fundamentos claros: halving, fluxo institucional, infraestrutura regulatória em evolução e adoção real. De acordo com Caio Villa, CIO da Uniera, o mercado ainda não apresenta sinais clássicos de euforia — como alta alavancagem ou volume anormal em altcoins.

O que leva a crer que essa alta irá continuar é que historicamente, os ciclos de alta do BTC tendem a atingir seu ápice entre 10 e 14 meses após o halving. “Isso nos coloca exatamente no período com maior probabilidade estatística de nova máxima”, diz Villa.

Também não há métricas no mercado de cripto que apontem para uma possível correção no curto prazo. “Indicadores como o MVRV Z-score e Puell Multiple mostram que o setor está no início de valorização, bem abaixo dos picos históricos”, explica Villa. No entanto, o CIO da Uniera ressalta que, mesmo que o cenário a curto prazo seja ultra favorável a uma continuação de alta, o mercado é feito de ciclos. “Há a probabilidade de períodos de baixas”, destaca o executivo.

Villela avalia que o bitcoin pode ter novos recordes no segundo semestre já que o múltiplo de Mayer — indicador técnico que mede o nível de preço do Bitcoin em relação à sua média móvel de 200 dias — está em 1,21, abaixo da média histórica de 1,3. “Isso revela que, apesar da alta recente, o ativo ainda está em um patamar relativamente comportado”.

O CEO da Underblock, Vinícius Bazan, aposta que o bitcoin pode continuar subindo na segunda metade do ano e espera que a cripto alcance entre US$ 140 e 150 mil (R$ 779 e 834 mil). “As expectativas são de correções pontuais esperadas nos próximos dias ou semanas, mas no médio e longo prazo, ainda há espaço para alta”, comenta Bazan.

Otimismo exagerado?

Apesar do otimismo, os especialistas ressaltam que a euforia desmedida pode ser perigosa. Para o assessor da Manchester Investimento, Arthur Severo, a cripto também depende mais do ambiente macro. “Se os cortes de juros nos EUA se concretizarem e o fluxo para os ETFs se mantiver, o bitcoin pode seguir em alta”, diz o executivo.

Segundo Henrique Lara, analista da Reach Capital, alguns indicadores já começam a acender alertas. “O índice de Medo e Ganância, por exemplo, ultrapassou 70 pontos — em uma escala de 0 a 100 — sinalizando apetite elevado”, disse Lara.

Para Bazan, um otimismo sem controle pode gerar momentos de exuberância irracional, entrando em movimentos especulativos que podem comprometer o mercado.

Assine Forbes. Inspire-se, lidere, conquiste. Ao se cadastrar, você concorda com nossa Política de Privacidade e com o uso de seus dados para fins de comunicação.