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Como a Fortuna de Larry Ellison Saltou US$ 100 Bilhões em um Dia

O cofundador e diretor de tecnologia da Oracle teve o maior ganho diário já registrado por um bilionário e se aproxima do homem mais rico do mundo, Elon Musk

4 min

Nesta terça-feira (9), Larry Ellison tinha um patrimônio de US$ 293 bilhões (R$ 1,58 trilhão) no fechamento do mercado. Já nesta quarta-feira (10), às 10h30 da manhã, sua fortuna alcançava US$ 392 bilhões (R$ 2,12 trilhões), quase tornando-o a segunda pessoa da história a ultrapassar a marca de US$ 400 bilhões (R$ 2,16 trilhões). Elon Musk, o homem mais rico do mundo, atingiu esse patamar em dezembro e hoje tem um patrimônio estimado em US$ 437,4 bilhões (R$ 2,36 trilhões).

Mesmo depois de divulgar resultados do primeiro trimestre abaixo das expectativas dos analistas, as ações da Oracle dispararam 38%. O motivo foi a projeção da companhia de que a receita com infraestrutura em nuvem — em grande parte voltada para impulsionar inteligência artificial — saltará de US$ 18 bilhões (R$ 97,2 bilhões) este ano para US$ 144 bilhões (R$ 777,6 bilhões) nos próximos quatro anos. Essa área da Oracle compete com gigantes como Microsoft, Amazon e Google, além da jovem CoreWeave, criada há oito anos.

Outro concorrente é o Stargate, um projeto de infraestrutura de IA de US$ 500 milhões (R$ 2,7 bilhões) apoiado pelo presidente americano, Donald Trump e liderado pela Oracle, OpenAI e Softbank, que envolve um enorme data center em Abilene, no Texas. A boa relação de Ellison com Trump certamente ajudou. Vale notar que grande parte do crescimento da Oracle neste trimestre vem justamente de concorrentes que usam a empresa para rodar seus serviços de IA, o que levanta dúvidas sobre quem será um cliente fiel e quem apenas está repassando capacidade excedente para a Oracle.

“Vamos construir e operar mais infraestrutura de nuvem do que todos os nossos concorrentes juntos”, afirmou Ellison, de 81 anos, na teleconferência de resultados de terça-feira (8). “A Oracle está em todo lugar.”

Recompra de ações

O bilionário nem sempre conseguiu capturar tanto dinheiro com a valorização da Oracle, mas isso mudou graças aos programas de recompra de ações. Quinze anos atrás, ele tinha 22% da empresa, que fundou e comandou como CEO de 1977 até 2014, quando passou a ocupar o cargo de diretor de tecnologia. Desde 2011, a Oracle gastou US$ 142 bilhões (R$ 766,8 bilhões) em recompras, algumas vezes recorrendo a empréstimos polêmicos para financiar a operação. Isso reduziu pela metade o número de papéis em circulação e praticamente dobrou a fatia de Ellison para 41%, já que ele manteve suas ações ao longo dos anos, raramente vendendo-as.

No entanto, isso não significa que ele poupe esse dinheiro. O diretor da Oracle recebe dividendos generosos desde 2009, quando a empresa pagou sua primeira distribuição, que hoje soma US$ 500 milhões (R$ 2,7 bilhões) por trimestre apenas para ele. Outro fator são as ações da Oracle que ele deu como garantia de empréstimos, o que permite tomar dinheiro emprestado sem precisar vender sua participação. Ellison é o único executivo da Oracle autorizado a fazer isso e já empenhou 277 milhões de ações, avaliadas em cerca de US$ 93 bilhões (R$ 502,2 bilhões) na manhã desta quarta.

Pé no freio

Nos últimos anos, a Oracle reduziu o ritmo das recompras de ações. Parte disso pode ser explicada pela falta de caixa e pelo uso do poder de endividamento em outras áreas. Na teleconferência de resultados, a empresa projetou três anos de fluxo de caixa livre negativo, principalmente por causa dos investimentos pesados e financiamentos destinados à construção de data centers para IA.

A Oracle também tinha, no fim de maio, uma dívida de US$ 92 bilhões (R$ 496,8 bilhões) e, neste mês, demitiu cerca de 3 mil funcionários. Ainda assim, a bilionária CEO da empresa, Safra Catz, reafirmou na terça-feira (8) o compromisso da empresa com “recompras de ações, uso prudente da dívida e pagamento de dividendos”. No último ano, isso representou uma recompra mais modesta de US$ 150 milhões (R$ 810 milhões) e US$ 4,7 bilhões (R$ 25,4 bilhões) em dividendos, sendo US$ 2 bilhões (R$ 10,8 bilhões) destinados a Ellison.

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