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Morre Aos 84 Anos José Humberto Vilela Martins, da Fazenda Camparino

Criador mineiro dedicou mais de seis décadas à seleção de zebu e construiu uma trajetória ligada ao Nelore, Nelore Mocho, Gir e Sindi

4 min

José Humberto Vilela Martins, conhecido como Zé Humberto, morreu neste domingo (16), aos 84 anos. Natural de Ituiutaba, no Triângulo Mineiro, o pecuarista era o titular da Fazenda Camparino, em Cáceres, Mato Grosso, e dedicou mais de 60 anos à criação e à seleção de bovinos. Associado à Associação Brasileira dos Criadores de Zebu (ABCZ), desde 1975, trabalhou com Nelore, Nelore Mocho, Gir e Sindi e acompanhou as mudanças técnicas que marcaram a pecuária brasileira nas últimas décadas. O velório começou às 16 horas deste domingo, em Ituiutaba, e o sepultamento está marcado para esta segunda-feira (17), às 10 horas, no mesmo município.

“Mais do que um pecuarista, Zé Humberto deixa um enorme legado através de seu trabalho de seleção. Um trabalho que ele fazia questão de acompanhar de perto, vivendo a pecuária em sua essência”, afirmou Arnaldo Manuel de Souza Machado Borges, presidente da ABCZ, em nota divulgada neste domingo pela ABCZ. A trajetória de José Humberto esteve ligada à formação de rebanhos zebuínos adaptados aos sistemas de produção brasileiros e à defesa de animais funcionais para criação a pasto.

Filho de agropecuaristas, ele cresceu entre o gado e as atividades da propriedade rural. Antes de se estabelecer em Mato Grosso, passou por Goiás, onde trabalhou na Fazenda Mandengo, em Quirinópolis. Em Cáceres, a Fazenda Camparino se tornou a base de um trabalho de seleção que atravessou décadas e incorporou diferentes raças zebuínas, com presença recorrente nas pistas de julgamento e nos programas de melhoramento genético.

A seleção conduzida por José Humberto partia da observação direta do animal e do desempenho no campo. Com a expansão das avaliações genéticas, pesagens, índices e Diferenças Esperadas na Progênie, as DEPs, essas informações passaram a integrar as decisões do criatório. Ele defendia que os números precisavam ser confrontados com características como fertilidade, musculatura, precocidade, estrutura corporal e adaptação às condições de pastagem.

Esse posicionamento se tornou uma das marcas de sua atuação. José Humberto criticava a seleção de animais excessivamente altos e tardios, que poderiam apresentar dificuldades de acabamento e reprodução em sistemas tropicais. Para ele, o melhoramento deveria produzir bovinos capazes de responder às exigências da pecuária comercial, sem perder rusticidade e capacidade de produção a campo.

A Camparino acompanhou essa transição da avaliação predominantemente visual para sistemas estruturados de genética quantitativa. Dentro do Programa de Melhoramento Genético das Raças Zebuínas, o PMGZ, animais Nelore Mocho da propriedade estão no Programa Nacional de Avaliação de Touros Jovens. O criatório também formou reprodutores que passaram a integrar genealogias de animais selecionados em outras fazendas.

A atuação de José Humberto não ficou restrita ao Nelore aspado. Em 2013, quando recebeu o Mérito ABCZ durante a ExpoZebu, acumulava mais de meio século de criação de Nelore e Nelore Mocho e cerca de oito anos de trabalho com Gir leiteiro. Posteriormente, o Sindi também passou a fazer parte do projeto de seleção. A presença em Uberaba, nas exposições e nos debates técnicos promovidos pela entidade, acompanhou boa parte dessa trajetória.

Ao longo dos anos, a discussão sobre genética passou a caminhar junto com mudanças na produção de carne. A pecuária brasileira reduziu a idade de abate, elevou o peso dos animais e ampliou o uso de inseminação artificial, avaliações de desempenho e critérios de carcaça. Para José Humberto, porém, a genética precisava ser acompanhada pela gestão do ambiente produtivo. Pastagem, nutrição, sanidade e manejo permaneciam no mesmo nível de importância da escolha dos reprodutores.

A sucessão da Camparino já vinha sendo construída antes da morte do pecuarista. Segundo a ABCZ, os netos Mateus e Natália Martins participam da continuidade do trabalho da família. Eles recebem um projeto formado ao longo de mais de seis décadas, com linhagens presentes em outros rebanhos e animais submetidos a programas formais de avaliação genética.

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